O PLANETA PEDE SOCORRO

O aquecimento global foi alertado há 31 anos pelo jornalista Fernando Brandão, em profético artigo publicado no jornal O Popular, na edição 13.406 do dia 04 de março de 1990

 

Kívia Brandão
“As sirenes de alerta sobre o aquecimento global agora são ensurdecedoras. Ele está a acelerar de forma inevitável e irreversível, com consequências sem precedentes para a humanidade”. Esse é o cenário traçado pelo novo relatório feito por especialistas climáticos das Nações Unidas.

O futuro do planeta transformou-se numa preocupação que une nações em torno de um objetivo comum: Salvar nossas vidas de tantas ameaças. A Cúpula Mundial de Líderes pelo Clima, criada pelo Governo dos EUA, em tom duro e pragmático, vem fazendo projeções detalhadas, inclusive estabelecendo metas visando frear a nefasta ação humana e os danos causados ao meio ambiente.
Entretanto, notamos que as agressões não cessam. A escalada do desmatamento na Amazônia, pelo contrário, apesenta índice crescente. O cerrado continua sendo dizimado de forma brutal e sem controle, a emissão de gases poluentes idem. Incêndios gigantescos colocam em risco a maior área úmida continental do planeta, o Pantanal.
Mas a agressão ambiental não é prática só dos brasileiros. Onde quer que se vá, vê-se a ação nefasta do homem contra a natureza e todas as suas formas de vida.
Em resposta, como nunca visto antes, somos atingidos pela loucura do clima, com o frio e calor extremos; secas e grandes inundações; o avanço dos oceanos sobre as cidades; furacões, terremotos e tsunamis devastadores, que sacodem o planeta e dizimam milhares de vida.

Se antes o meio ambiente aparecia como pano de fundo na imprensa mundial, quase sempre focada nas questões econômicas e políticas, hoje ele ganha destaque com manchetes em letras garrafais, sempre enfatizado que a “vida na Terra está cercada por todo tipo de ameaça, e que essas ameaças são produzidas pelo bicho homem”. Fica aqui uma pergunta, parodiando o cantor Zé Ramalho na canção Eternas ondas: “Quanto tempo temos antes de voltarem àquelas ondas, que vieram como gotas em silêncio tão furiosas”?

UM ARTIGO PROFÉTICO

Faço aqui um registro oportuno sobre o tema. Um dos primeiros jornalistas a se levantar contra essa ação do homem, alertando que o preço a ser pago seria alto demais, foi um goiano da cidade de Mineiros. Fernando Brandão é o seu nome. Em praticamente uma página do conceituado jornal O Popular, ele avisou: “O Planeta começou a aquecer”.
Poucos deram importância à visão profética do jovem jornalista. Poucos acreditavam que a resposta da natureza viria tão rápida e de forma tão incontestável. Que o resultado da ganância e da imbecilidade humana tinha um custo a ser pago no futuro.

Esse talvez seja o grande fardo que carregaremos nos próximos anos e séculos, para não dizer milênios. Esse, sem dúvida, é um legado que a raça humana deixará cravado no planeta azul. Nunca, como agora, os efeitos da ação humana refletiram tanto no ar que respiramos, na água que bebemos, na terra em que produzimos alimentos, na qualidade de vida de todos os seres terráqueos.
Estamos organizando e fazendo uma ampla pesquisa visando resgatar a importância do trabalho jornalístico prestado por Fernando Brandão, sobretudo na formação de uma consciência ecológica que supera as fronteiras de Goiás e do Brasil. Com sua permissão, republicamos a matéria publicada há 31 anos pelo jornal O Popular, na edição de 04 de março de 1990.
Leia e tire suas conclusões.

 

ONU: RELATÓRIO SOBRE CLIMA É “ALERTA VERMELHO”

O relatório sobre o clima, publicado no dia 09/08/2021 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), é um “alerta vermelho” que deve fazer soar os alarmes sobre as energias fósseis que “destroem o planeta”. A afirmação foi feita pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.
O relatório mostra uma avaliação científica dos últimos sete anos e “deve significar o fim do uso do carvão e dos combustíveis fósseis, antes que destruam o planeta”, segundo avaliação de Guterres, em comunicado.

O Secretário pede que nenhuma central de carvão seja construída depois de 2021. “Os países também devem acabar com novas explorações e produção de combustíveis fósseis, transferindo os recursos desses combustíveis para a energia renovável”, acrescentou Guterres.

O relatório estima que o limiar do aquecimento global (de + 1,5° centígrado), em comparação com o da era pré-industrial, vai ser atingido em 2030, dez anos antes do que tinha sido projetado anteriormente, “ameaçando a humanidade com novos desastres sem precedentes”.

“Trata-se de um alerta vermelho para a humanidade”, disse António Guterres. “Os alarmes são ensurdecedores: as emissões de gases de efeito estufa provocadas por combustíveis fósseis e o desmatamento estão sufocando o nosso planeta”, disse o Secretário.

No mesmo documento, ele pede igualmente aos dirigentes mundiais que vão se reunir na Conferência do Clima (COP26) em Glasgow, na Escócia, no próximo mês de novembro, que alcancem “sucessos” na redução das emissões de gases de efeito estufa.

“Se unirmos forças agora, podemos evitar a catástrofe climática. Mas, como o relatório de hoje indica claramente, não há tempo e não há lugar para desculpas”, apelou Guterres.

RELATÓRIO
De acordo com o documento do IPCC, a temperatura global subirá 2,7 graus em 2100, se se mantiver o atual ritmo de emissões de gases de efeito estufa. No novo relatório, que saiu com atraso de meses devido à pandemia de covid-19, o painel considera vários cenários, dependendo do nível de emissões que se alcance.

Manter a atual situação, em que a temperatura global é, em média, 1,1 grau mais alta do que no período pré-industrial (1850-1900), não seria suficiente: os cientistas preveem que dessa forma se alcançaria um aumento de 1,5 grau em 2040, de 2 graus em 2060 e de 2,7 em 2100.

Esse aumento, que acarretaria mais acontecimentos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor, está longe do objetivo de reduzir para menos de 2 graus, fixado no Acordo de Paris, tratado no âmbito das nações, que fixa a redução de emissão de gases de efeito estufa a partir de 2020, impondo como limite de subida 1,5 grau centígrado.

O estudo da principal organização que estuda as alterações climáticas, elaborado por 234 autores de 66 países, foi o primeiro a ser revisto e aprovado por videoconferência.

Os peritos reconhecem que a redução de emissões não terá efeitos visíveis na temperatura global até que se passem duas décadas, ainda que os benefícios para a contaminação atmosférica possam ser notados em poucos anos.

Fonte: Agência Brasil

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