OMS diz que vacina contra o vírus zika não estará disponível antes de 18 meses

Foto: Reprodução

Marie Paule Kieny: “Apesar do cenário encorajador, as vacinas vão demorar pelo menos 18 meses para poderem estar prontas para um ensaio [clínico] em larga escala”

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira, 12, que uma vacina para o vírus zika não estará disponível para ensaios clínicos antes dos próximos 18 meses.

“Apesar do cenário encorajador, as vacinas vão demorar pelo menos 18 meses para poderem estar prontas para um ensaio [clínico] em larga escala”, disse Marie Paule Kieny, vice-diretora da OMS encarregada do departamento de Sistemas de Saúde e Inovação. Ela afirmou que a resposta da Organização das Nações Unidas (ONU) está "avançando rapidamente" e que 15 empresas ou grupos foram identificados como possíveis participantes na busca pelas vacinas.

Ela disse a repórteres em Genebra que a OMS acredita também que a ligação entre o vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti e a microcefalia é "cada vez mais provável", mas que tal comprovação não é esperada "em algumas semanas ou meses". Isso seria uma previsão melhor do que a divulgada anteriormente, de pelo menos seis meses.

Kieny disse que diferentes tipos de possíveis vacinas – com o vírus vivo ou morto ou com o uso de vacinas de DNA – podem conduzir a diferenças no tempo de desenvolvimento, mas os desenvolvedores "estão todos partindo de um nível muito básico, por enquanto".


SAIBA MAIS…
Número de casos confirmados de microcefalia sobe para 462

O número de casos confirmados de microcefalia no Brasil aumentou de 404 para 462 nos últimos dez dias, segundo o novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira, 12. Desse total, a presença do vírus zika foi confirmada em 41 crianças.

Outros 765 casos suspeitos de microcefalia foram descartados após análises mais criteriosas, ou por serem crianças sem a má-formação ou casos não relacionados a infecções por vírus ou bactérias. Todos os números se referem ao período de 22 de outubro de 2015 a 6 de fevereiro deste ano, e incluem "outras alterações do sistema nervoso central", além da microcefalia. 

Já foram notificados 91 óbitos de bebês com microcefalia, o que inclui morte pós-parto e aborto espontâneo. Desses, 24 foram investigados e confirmados e 8 foram descartados. Outros 59 seguem sendo estudados.

Ao todo, nesse período, 5.079 casos suspeitos de microcefalia foram notificados ao Ministério da Saúde. Pernambuco é o Estado com o maior número de casos confirmados de microcefalia com infecção por zika (33), seguido do Rio Grande do Norte (4) e Paraíba (2). Mesmo nesses casos, não está excluída a possibilidade de a mãe da criança ter tido outras infecções capazes de causar danos ao sistema nervoso do feto. Ou seja: não são casos em que o zika foi identificado como única causa possível da má-formação.

Os únicos Estados em que ainda não há qualquer suspeita são Amapá e Amazonas. A circulação autóctone do zika vírus está em 22 Estados brasileiros.

"Cabe esclarecer que o Ministério da Saúde está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central informados pelos Estados e a possível relação com o vírus zika e outras infecções congênitas", diz o boletim. "A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral."


 

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