Dengue pode ser mais perigosa para pessoas obesas

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Para evitar a dengue o ideal é combater os focos de acúmulo de água e locais propícios para reprodução do mosquito transmissor, usar repelentes e roupas que evitem exposição de pele e evitar lugares conhecidos como áreas endêmicas

A obesidade pode ser considerada um fator de risco em pacientes picados pelo mosquito Aedes Aegypti. Isso porque o excesso de peso quase sempre agrega outras condições de saúde que potencializam os danos de qualquer infecção como, exemplo, a pressão alta, o colesterol desequilibrado e as alterações no funcionamento do coração 

Este quadro clínico pode agravar os sintomas da dengue, Zika e Chikungunya que são a desidratação e a dificuldade na circulação do sangue.

"O risco de o paciente entrar em choque é maior nestas condições. Por isso, os médicos que recebem os cardíacos e os obesos mórbidos com suspeita de dengue precisam ficar alertas", afirma o especialista em obesidade, cirurgião Caetano Marchesini 

AGRAVANTES – Segundo informações do Ministério da Saúde, o maior número de óbitos por dengue no Brasil está entre os pacientes que possuem alguma doença pré-existente. A dengue pode agravar doenças como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e respiratórios pelo fato de que propicia uma baixa da defesa do organismo em sua fase mais crítica.

Segundo Marchesini, pessoas que possuem doenças pré-existentes devem procurar imediatamente um médico ao identificar qualquer sintoma da dengue, Zika e Chikungunya entre eles, febre, dores no corpo, nos olhos e nas articulações. "No caso de pacientes hipertensos contraírem a dengue, é necessária hidratação com controle rigoroso da pressão arterial", reforça o cirurgião.

A médica e clínica geral, Mirella Massolo, explica que vítimas da dengue – doença transmitida por mosquito e que pode ser letal – sofrem da chamada permeabilidade vascular, em que há vazamento dos vasos sanguíneos para os tecidos adjacentes, provocando dificuldades respiratórias e complicações em órgãos vitais, como cérebro, fígado e rins.

Esses sintomas em indivíduos com sobrepeso indicam maior risco. "Alguns estudos indicam que em pessoas com índice de massa corporal elevado, seus capilares são intrinsecamente mais propensos a vazarem, o que é agravado numa infecção por dengue", enfatiza Mirella.
Ela reforça a importância do acompanhamento periódico e da dosagem de medicamentos para doenças pré-existentes. "É uma recomendação fundamental, assim como evitar a automedicação, especialmente, o uso de anti-inflamatórios e procurar o médico assim que constatar sintomas das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti", finaliza Mirella.

Para evitar a dengue o ideal é combater os focos de acúmulo de água e locais propícios para reprodução do mosquito transmissor, usar repelentes e roupas que evitem exposição de pele e evitar lugares conhecidos como áreas endêmicas.

EPIDEMIA – O número de casos de dengue no Brasil este ano já é 52,3% maior do que o do mesmo período de 2015, ano que teve a maior epidemia de dengue da história do país. Nas primeiras oito semanas do ano, houve 396.582 casos prováveis de dengue, segundo o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde. Até hoje, segundo o Instituto Pasteur, já foram registrados, 1,5 milhão de casos no Brasil, principal foco da epidemia. 

O Aedes é um mosquito que atua somente durante o dia. Seus ovos são muito resistentes, sobrevivendo vários meses num local seco. A chegada de água propicia a incubação dos ovos, que rapidamente se transformam em larvas que dão origem às pupas, das quais surge o adulto 

Sintomas da dengue são de início os comuns de uma virose e que piora: febre por vários dias, dores de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares, dores nas juntas, prostração e vermelhidão no corpo. A forma hemorrágica se inicia igual a dengue clássica e depois de alguns dias, piora com hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas levando ao risco de choque e até a morte, por queda acentuada das plaquetas e inflamação dos vasos sanguíneos 

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Bactéria reduz capacidade de Aedes transmitir zika, diz estudo da Fiocruz

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comprovaram que a bactéria Wolbachia, quando presente no Aedes aegypti, é capaz de reduzir a transmissão do vírus zika. Publicado nesta quarta-feira, 4, na revista científica Cell Host&Microbe, o estudo integra o projeto "Eliminar a Dengue: Desafio Brasil", que investiga a infecção do mosquito pela bactéria como estratégia para impedir a multiplicação de vírus no Aedes. A pesquisa mostra ainda que a Wolbachia, presente em 70% dos insetos na natureza, também reduz a replicação do zika no organismo do mosquito. 

O estudo usou dois grupos de mosquitos Aedes aegypti: um com Wolbachia, criados em laboratório pela equipe do projeto, e outro sem a bactéria, coletados no Rio de Janeiro. Eles foram alimentados com sangue humano contendo cepas de zika isoladas em São Paulo e em Pernambuco. 

Depois de 14 dias, os pesquisadores coletaram amostras da saliva desses mosquitos e infectaram novos mosquitos, que nunca tinham tido contato com o vírus zika. Dos mosquitos que receberam saliva de Aedes com Wolbachia, nenhum se infectou com o vírus zika. Já no grupo que recebeu a saliva dos mosquitos sem a bactéria, 85% dos insetos ficaram "altamente infectados".

Em outra etapa, os mosquitos que receberiam a saliva contaminada pelo zika é que foram divididos entre os infectados com Wolbachia e os sem a bactéria. Quatorze dias depois, período em que o vírus já teria se espalhado pelo organismo do inseto e chegado à glândula salivar, 45% dos mosquitos com Wolbachia tinham o vírus, ante 100% do outro grupo.

Então, os pesquisadores se questionaram se esse vírus encontrado na saliva estava ativo e se o mosquito seria capaz de transmiti-lo. "Fizemos um modelo em laboratório para mostrar o que aconteceria na natureza: injetamos essa saliva entre 8 e 14 mosquitos que nunca viram o vírus. Depois de cinco dias, a gente fez o teste para ver se eles se tornaram infectados", contou Luciano Moreira, coordenador do "Eliminar a Dengue" e pesquisador do Centro de Pesquisa René Rachou, unidade da Fiocruz em Belo Horizonte. "A gente descobriu que, quando a saliva vem de mosquito que não tem Wolbachia, 100% foram capazes de transmitir o vírus. Quando veio de mosquito com Wolbachia, houve bloqueio da transmissão". Moreira ressalta que, na natureza, não há essa contaminação de um mosquito para o outro.

Os pesquisadores estudaram ainda como o zika se dissemina pelos tecidos do inseto contaminado por Wolbachia. Sete dias após a ingestão do sangue infectado com a cepa de Pernambuco, houve redução de 35% na replicação do vírus no abdômen, e 100% na cabeça/tórax do mosquito que tinha a bactéria, em relação ao mosquito sem Wolbachia. Quatorze dias depois, as reduções foram de 65% e 90%, respectivamente. 

Já com a cepa de São Paulo, as reduções, nos primeiros sete dias foram de 67% e 95%, no abdômen e na cabeça/tórax. Após 14 dias, os índices caíram para 68% e 74% na comparação com os mosquitos sem bactéria.

"Os resultados para zika se comparam aos melhores resultados para dengue. Essa estratégia se mostra bem promissora", afirmou Moreira. "Não quero dizer que a Wolbachia é a melhor estratégia. Tem que ter integração de estratégias que vão enfrentar o problema, seja o uso de inseticida, o de vacinas, quando forem criadas, e campanhas de conscientização da população para reduzir focos".

O projeto "Eliminar a Dengue: Desafio Brasil" é uma iniciativa sem fins lucrativos, que teve início no País em 2012. Houve liberação de mosquitos com bactéria Wolbachia nos bairros de Tubiacanga, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, e Jurujuba Niterói, no Grande Rio. 

A Wolbachia está presente em 70% dos insetos na natureza, como a mosca da fruta e o pernilongo. Sem manipulação genética, os pesquisadores infectam o ovo do Aedes aegypti com microinjeções. Os insetos são liberados na natureza e os próprios mosquitos tratam de transmitir a bactéria: se a fêmea estiver contaminada, a prole já terá a Wolbachia, que passa a ser transmitida naturalmente de geração em geração. Se apenas o macho estiver infectado, os ovos que ele fertilizar não eclodem. O resultado mais recente divulgado pelo projeto mostrou que 80% dos mosquitos Aedes aegypti destas localidades possuíam a bactéria Wolbachia ao fim dos estudos de campo realizados entre agosto de 2015 e janeiro de 2016. O estudo é feito simultaneamente na Austrália, Indonésia, Colômbia e no Vietnã.

Recentemente, o Ministério da Saúde chegou a marcar um evento em que o então ministro, Marcelo Castro, anunciaria a expansão do projeto. Castro deixou o governo. O ato não ocorreu.

"Temos conversado com o ministério sobre a possível expansão do projeto e com financiadores internacionais. Mas ainda não podemos dizer nem onde seria nem quando ocorreria essa expansão. Acredito que, com mais esse efeito de bloqueio contra o vírus zika, o projeto se mostre ainda mais promissor", afirmou Moreira.

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