Temer desiste de ir a evento de Gilmar Mendes e da oposição em Portugal

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De acordo com a assessoria da vice-presidência, Temer cancelou a viagem para intensificar as conversas referentes ao encontro do Diretório Nacional do PMDB, previsto para ocorrer na próxima terça-feira, dia 29

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), decidiu na manhã desta quinta-feira, 24, cancelar a viagem que faria a Portugal, no início da próxima semana. Na ocasião, Temer participaria de evento em Lisboa, promovido por um instituto ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), em parceria com na Universidade de Lisboa, e que também tem na lista de participantes lideranças da oposição, como o presidente do PSDB, senador Aécio Neves e o senador José Serra (PSDB/SP). 

De acordo com a assessoria da vice-presidência, Temer cancelou a viagem para intensificar as conversas referentes ao encontro do Diretório Nacional do PMDB, previsto para ocorrer na próxima terça-feira, dia 29. Na reunião da cúpula do PMDB, integrantes da legenda deverão decidir sobre um possível desembarque do governo Dilma. 

Nos últimos dias, Temer tem sofrido forte pressão dos ministros do partido e lideranças, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), e do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), para adiar a reunião do Diretório para o próximo dia 12. A estratégia da ala do PMDB mais próxima do governo é de ganhar tempo para tentar conseguir ampliar o apoio contra a debandada.


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Ala pró-impeachment do PMDB calcula 60% dos votos pelo desembarque do governo

A ala pró-impeachment do PMDB contabiliza que pelo menos 72 dos 119 integrantes do diretório nacional do partido devem votar a favor do desembarque da legenda do governo Dilma Rousseff na reunião da próxima terça-feira, 29. Esse número equivale a 60,5% dos votos. 

Membro da ala pró-impeachment, o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) afirma que, dentre esses 72 votos, há diretórios que devem votar unanimemente pela saída do governo. Entre eles, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambucano, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Acre, Espírito Santo e Paraíba. 

Na terça-feira, 22, após consultar parte da bancada da Câmara e do Senado e diretórios regionais, o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, decidiu manter o encontro do diretório para 29 de março. Ministros do PMDB e ala governista defendiam que a reunião fosse realizada apenas em 12 de abril.

Na reunião, peemedebistas sugeriram a Temer que o desembarque fosse votado no dia 29, mas que o diretório desse o prazo até 12 de abril para que os ministros possam fazer a transição e deixar o governo. Segundo aliados de Temer, a decisão se acata ou não a sugestão só será tomada durante a reunião.
 


Aliado de Temer é exonerado da presidência da Funasa

A cinco dias da reunião do diretório nacional que definirá se o PMDB desembarcará ou não do governo federal, um aliado do vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, foi exonerado pela presidente Dilma Rousseff.

Antonio Henrique de Carvalho Pires diz ter sido ejetado da presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) por não aceitar trocar coordenadores da instituição para abrir espaço para indicações do PTN e do PMB.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira, 24, Pires, que se define como "híbrido político-técnico", disse que há cerca de um mês foi procurado por Marcelo Castro, ministro da Saúde, pasta à qual a Funasa é subordinada, para que fizesse as trocas. 

Nesta semana, o engenheiro que comanda a fundação desde 2014 disse ter sido novamente abordado sobre o assunto, mas, desta vez, por Giles Azevedo, assessor especial da Presidência da República.

"Terça-feira, fui chamado ao Palácio mais uma vez e disse 'olhe, vamos aproveitar este ponto de não concordância e vocês já trocam o presidente também", disse Pires, que continuou relatando sua declaração ao assessor especial de Dilma, Giles Azevedo. 

"O cargo é do governo, está à disposição. Não aceito ficar numa situação dessas". "Disse (isso) ao Giles. Já tinha dito ao ministro Marcelo Castro também. Está com mais de um mês que eu tinha dito a ele também", afirmou Antonio Henrique Pires.

O agora ex-presidente da Funasa disse que as alterações eram para atender ao PTN, que nos últimos 30 dias passou de quatro para 13 deputados, e o PMB, que minguou de 22 para apenas um deputado que, no entanto, tem voto na comissão especial que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Há mais de um mês o governo vinha insistindo para que a gente trocasse algumas coordenações-gerais, que são coordenações, como financeira, de contratos, para poder atender outro partido. Dizia que não tem condições, que o presidente sou eu, o CPF é o meu. Então, não tinha como fazer as mudanças. Que arrumassem pelo menos servidores públicos e não pessoas que nunca exerceram o serviço público para atender partideco A ou B", disse Antonio Henrique Pires.

Quem assumiu interinamente a Funasa foi Márcio Endles Lima Vale, indicação do PTN. O partido, que também tem um voto na comissão do impeachment, declarou-se independente e faz mistério a respeito dos votos de seus deputados no processo de impedimento da presidente. O líder do partido, Aluisio Mendes (MA), negou ontem à reportagem que estivesse negociando cargos com o Planalto.

Antonio Henrique Pires disse que não é a primeira vez que pediram a ele para fazer trocas com viés político. "Houve mudanças drásticas no ano passado. Tiraram duas diretorias do PMDB para atender o PT e o PT do B", afirmou.

Peemedebistas avaliaram a exoneração do aliado de Michel Temer como uma provocação.

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