Temer aponta ‘possibilidade é zero’ de se candidatar à Presidência em 2018

José Cruz/Agência Brasil

Falando sobre a possibilidade de cassação de sua chapa com a ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, Temer diz que espera que o processo seja julgado o quanto antes

O presidente Michel Temer negou que possa se candidatar à reeleição em 2018. Segundo ele a "possibilidade é zero" por não ver necessidade de se candidatar. Perguntado durante entrevista coletiva a rádios regionais transmitida pela EBC se ele repensaria na questão se houvesse uma aclamação popular, Temer disse "Se povo pedir, vou dizer que cumpri bem minha missão nesses dois anos.

Sobre a possibilidade de cassação de sua chapa com a ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, Temer diz que espera que o processo seja julgado o quanto antes para não atrapalhar o bom andamento econômico do País. Segundo Temer, as pessoas que o chamam de golpista não leem a Constituição, pois é um rito normal o vice assumir quando o presidente sofre um impeachment.

Questionado sobre um projeto no Congresso que prevê a prorrogação de mandato presidencial no Brasil, o presidente disse que ninguém conversou com ele sobre isso, nem mesmo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mas não há menor condição de prorrogação de mandato juridicamente. "Não é verdade isso", afirmou, destacando que, de qualquer modo, essa questão deve ir adiante no Congresso. 

De todo modo, enquanto mencionava a necessidade de fazer as reformas estruturais no Brasil, Temer citou o exemplo da Espanha, que passou por uma crise de cinco anos, "quase como a nossa aqui" e que embora tenha enfrentado bastante resistência e protestos, viu a economia se recuperar e primeiro-ministro ser reeleito.

Ao tratar da reforma política, Temer afirmou que o prazo é pequeno para o tema no Legislativo e que ainda estão sendo trocadas ideias sobre o assunto. "O Congresso tem pensado em estabelecer outra uma alternativa à lista fechada, mas não sabemos se dará tempo. Segundo ele, as contribuições de pessoas físicas e jurídicas a uma candidatura devem ser levadas em conta como exercício de cidadania, mas só poderia haver colaboração a um candidato, e não a todos. "Não veria mal nisso", disse.

"Nas eleições municipais não houve contribuição jurídica e as coisas caminharam com fundo partidário, mas em uma candidatura para Presidência e governador de Estado, as verbas são mais vultosas. Programas de TV e de rádio podem ajudar", concluiu.

Perguntado pelo jornalista de uma radio mineira sobre quando iria a Minas Gerais, Temer explicou que o ano foi tumultuado e que não tem restrições pessoal ou política sobre o governador Fernando Pimentel (PT). "Sou amigo do Pimentel, mas minha relação é com o povo de Minas Gerais", disse, adiantando que deve ir ao Estado quando tiver algo concreto para entregar. (Luci Ribeiro, Thais Barcellos e Bianca Ribeiro)
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Temer nega 'reunião de mafiosos' para acertar propina

Em entrevista a rádios regionais na manhã desta segunda-feira, 15, o presidente Michel Temer voltou a refutar a informação de que ele teria comandado reunião para tratar de pagamento de propinas ao PMDB, que somariam US$ 40 milhões, conforme disse em delação premiada o ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial Márcio Faria. Para Temer, essas acusações são "fantasiosas". O executivo disse que, nesse encontro, Temer sentava-se à cabeceira da mesa para combinar o valor.

"O Judiciário vai levar adiante essa coisa de sentado a uma cabeceira, fazendo reunião de mafiosos. E 40 milhões de dólares, você disse? É muita coisa, é muita coisa. São coisas fantasiosas, mas que pegaram. Divulgou-se muito e isso tem que será apurado. E será apurado", afirmou Temer. 

Quando questionado sobre a permanência de oito ministros de seu governo investigados pela Operação Lava Jato, Temer os defendeu e disse a decisão sobre eles virá no momento oportuno, pois isso é dependente de inquérito. 

"Em primeiro lugar, quero dizer que os ministros são da maior suposição administrativa, são ministros de uma competência extraordinária", disse, acrescentando que as questões relativas aos ministros também competem ao Poder Judiciário.

Quanto à denúncia feita pela empresária Mônica Moura em delação ao Ministério Público contra Dilma Rousseff, de que dinheiro de corrupção teria sido usado para pagar despesas com cabeleireiro da ex-presidente, Temer disse compreender a angústia popular e a revolta popular, mas que "nós temos de deixar que Judiciário examine isso, não temos de colocar isso como um ponto definitivo". 

"Não se pode incriminá-la desde já. Não é a pessoa que delata quem condena. Quem condena é o Judiciário", completou. (Luci Ribeiro)
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