Skaf: ida de Lula para a Casa Civil é um ‘golpe contra a nação brasileira’

Fotos: Reprodução

Opiniões sobre a indicação de Lula demonstra que fim da crise ainda está longe

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, classificou de "golpe" a indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a Casa Civil. O anúncio oficial ocorreu no início da tarde. "A ida de Lula para a Casa Civil é um golpe contra a nação brasileira", disse.

Skaf, segundo pessoas de livre trânsito pelos corredores da Fiesp, convocará uma reunião de emergência com todas as associações e sindicatos patronais da indústria filiadas à Federação para discutir os últimos acontecimentos nos cenários político e econômico. 

Não é certo, ainda, mas cogita-se na Fiesp que a grande reunião possa ocorrer até o fim desta semana ou, no mais tardar, no início da próxima semana.


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Nomeação de Lula à Casa Civil 'dispõe de preocupação' do STF, diz Gilmar Mendes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse nesta quarta-feira, 16, que a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Civil é um assunto que "dispõe de preocupação" do Tribunal. Mendes considera que o Supremo precisará analisar se há desvio de função na nomeação, que, na prática, afasta o processo contra o ex-presidente na Operação Lava Jato das mãos do juiz Sérgio Moro, na primeira instância. 

"Imagine se a presidente Dilma decide nomear um desses empreiteiros que estão presos em Curitiba a ministro de Minas e Energia ou de infraestrutura. Passa a ter muita interferência no processo judicial", afirmou. 

O ministro lembrou que o Supremo já considerou indevida a renúncia de parlamentar para fugir do foro, no caso do ex-deputado Natan Donadon, condenado pelo STF e que tentou encerrar seu processo ao renunciar ao cargo na Câmara. 

Com a nomeação de Lula, as investigações contra ele na Lava Jato saem da primeira instância e sobem automaticamente para o Supremo, responsável por julgar pessoas com foro privilegiado no País.


Deputado do PSOL diz que nomeação de Lula é 'escalação de alto risco'

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) fez uma alusão ao futebol para comentar a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil. Segundo ele, esta é uma "escalação de alto risco", em um momento que pode representar "o rebaixamento" do time, referindo-se ao PT. 

No cenário criado por Alencar, Lula seria um "craque", que "já emocionou multidões" e entra em campo "às vésperas de uma partida decisiva, já com um cartão amarelo e um terço do jogo jogado"; o juiz Sérgio Moro seria "um árbitro severo" e a torcida na "arquibancada" estaria extremamente "dividida".

"Vai ter uma parte da arquibancada que toda vez que o Lula tocar na bola vai gritar e vaiar", comentou. Para Alencar, as acusações da Lava Jato que pesam contra o presidente Lula podem "intensificar o ódio" dos que foram às manifestações do último domingo, 13.

Contudo, Alencar destacou que é preciso considerar também outros atos. Ele admitiu estar curioso para ver as manifestações pró-governo da próxima sexta-feira, 18, apesar de acreditar que serão consideravelmente menores do que as anteriores. "Falo como alguém que não está nesses polos contra ou a favor, nem tem ilusões de que com a saída da presidente Dilma Rousseff para a entrada do vice-presidente Michel Temer o País vai resolver tudo a corrupção vai começar a diminuir, não é nada disso. É um processo longo e profundo. Tinha que mudar o próprio sistema político como um todo, mas isso é algo que o Congresso já rejeitou" declarou o deputado.

Sobre a delação do senador Delcídio Amaral (MS), homologada nesta quarta-feira, 16, com menções não só a membros do governo, como também da oposição, Alencar disse que "Delcídio igualou todos os figurões da política brasileira". Para o deputado do PSOL, Lula ainda possui "certa popularidade", mesmo depois do desgaste com os casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. "Nas pesquisas, Lula continua ali ombreado com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que por sua vez também está chamuscado com essa (operação) Lava Jato." 

Bancada ruralista
Logo após a divulgação da informação de que Lula assumiria a Casa Civil, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como "bancada ruralista", decidiu, por unanimidade, apoiar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"A situação é gravíssima e a presidente não tem mais condições de governar o País", disse o deputado Carlos Marun (MS), um dos 215 deputados que integram a FPA. De acordo com ele, 40 membros participaram da votação no final da manhã desta quarta-feira.

Para Marun, a nomeação de Lula, oficializada pelo Planalto no início desta tarde, "não muda em nada o pensamento da Frente" e é uma primeira reação ao ingresso do ex-presidente no governo Dilma.

A bancada ruralista é uma das mais fortes da Câmara e uma das principais frentes de sustentação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).


Para Picciani, ingresso de Lula 'muda cenário', mas ainda é preciso aguardar

Próximo à presidente Dilma Rousseff desde o final do ano passado o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), avaliou que a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil do governo Dilma Rousseff "muda o cenário", mas ponderou que ainda é preciso aguardar os desdobramentos.

"É uma novidade. Muda a direção da condução política. A aguardar os desdobramentos, mas cria uma nova oportunidade de diálogo, de estabelecer um diálogo político, com os agentes econômicos", afirmou.

Para líderes governistas ouvidos reservadamente pelo jornal O Estado de S. Paulo, a nomeação de Lula é uma "manobra arriscada" mas necessária. Eles entendem que o ingresso do ex-presidente no governo é a "bala de prata" do Planalto para se reaproximar do Congresso e tentar reverter o cenário favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Nos cabe desejar sorte ao presidente Lula nesta tarefa, de modo que ele possa contribuir para ajudar o País a superar este momento de crise", afirmou Picciani.

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