Renan acusa PF de ter usado ‘métodos fascistas’ e diz que vai ao STF

FOTO: REPRODUÇÃO

Renan: "É lamentável que isso aconteça, um espetáculo inusitado, que nem a ditadura fez, com a participação do ministro do governo, que não tem se portado como um ministro de Estado, no máximo como um ministro circunstancial de governo, chefete de polícia

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou a Polícia Federal de ter se valido de "métodos fascistas" nunca adotados sequer na "ditadura" na operação que levou a prisão na sexta-feira, 21, quatro policiais legislativos da Casa.

O peemedebista anunciou que a Advocacia do Senado vai entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação para defender as prerrogativas de atuação da Polícia Legislativa, chamou o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, de "chefete de polícia" e ainda classificou o juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela operação, de "juizeco" por decretar uma ordem contra o Senado.

"Tenho ódio e nojo a métodos fascista. Como presidente do Senado cabe a mim repeli-los", disse Renan, numa rara entrevista coletiva em seu gabinete, que foi acompanhada por policiais legislativos. Renan voltou a criticar o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, como fez em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, no dia da operação quando disse que ele havia extrapolado das suas funções quando falou sobre a ação que deteve os policiais legislativos. "É lamentável que isso aconteça, um espetáculo inusitado, que nem a ditadura fez, com a participação do ministro do governo, que não tem se portado como um ministro de Estado, no máximo como um ministro circunstancial de governo, chefete de polícia", reclamou.

O presidente do Senado, contudo, disse que não sugeriu a demissão de Moraes ao presidente Michel Temer. Os dois conversaram após a operação ter sido deflagrada. "Não cabe ao presidente do Congresso tratar de substituição ou destituição de ministro, mas lamento que ele tenha se comportado dessa forma, falando mais do que devia, dando bom dia a cavalo", disse Renan.

Cargo
Renan esquivou-se de responder se vai manter no cargo o diretor de Polícia Legislativa da Casa, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, preso na última sexta-feira, 21, sob a acusação de liderar um suposto esquema de tentativa de embaraçar a Operação Lava Jato. O diretor estava no cargo havia 11 anos e teve contra si decretado o afastamento das funções públicas por ordem da 10ª Vara Federal de Brasília, responsável por deflagrar a operação.

"A decisão não é minha, é de quem o prendeu", disse Renan, sobre se Pedro Carvalho vai permanecer no cargo.

Questionado pela reportagem sobre o habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (com sede em Brasília) para livrar da prisão o diretor da Polícia Legislativa, Renan não deu maiores detalhes e limitou-se a dizer que a Advocacia Geral do Senado está tratando da defesa dos policiais legislativos.

Pedro Ricardo, mais conhecido como Pedrão, é o único dos quatro policiais que continua preso.

PEC do teto
O presidente do Senado afirmou ainda que a ação da PF não vai atrapalhar na tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria um limite para os gastos públicos.

"Absolutamente, temos que ter compromisso com o Brasil, já conseguimos aprovar por acordo com a oposição uma calendário para votação da PEC no primeiro e segundo turno", disse Renan.


LEIA MAIS…
Renan: Jamais votaria abuso de autoridade como consequência da ação da PF

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou na segunda-feira, 24, que o projeto que altera a lei de abuso de autoridade não será votado como consequência da ação da Polícia Federal que, na sexta-feira (21), levou à prisão quatro policiais legislativos sob a acusação de tentar embaraçar as investigações da Operação Lava Jato. "Eu não sou desses arreganhos, eu sou um democrata, eu tenho nojo desses métodos fascistas que usam contra o Legislativo", reagiu Renan, em entrevista coletiva no seu gabinete do Senado.

Embora tenha criticado os "excessos" da ação da PF de sexta-feira, Renan defendeu que a proposta seja votada. Mas ele não garantiu em entrevista que ela vá ser votada este ano. "Essa lei vai se submeter a um debate, vamos confrontar pontos de vista e chamar a todos para debater, mas não vamos deixar esse vácuo na legislação brasileira", disse Renan.

O presidente do Senado disse que o projeto – alvo de forte críticas de integrantes da força-tarefa da Lava Jato – foi apresentado há anos pelo Segundo Pacto Federativo e que, quando propôs a matéria, apenas reproduziu o texto apresentado pelo Supremo Tribunal Federal. "Não acredito que ninguém de boa fé defenda o abuso de autoridade", afirmou.

Renan disse ainda que a proposta foi redigida pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma nova alfinetada no ministro da Justiça, Alexandre Moraes, ele afirmou que o titular chegou a defender o abuso de autoridade. O peemedebista, contudo, não detalhou as razões para esse comentário.

O presidente do Senado lembrou ainda que o ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, é um dos defensores da aprovação de uma proposta que altera a atual lei de abuso de autoridade.

Compartilhar: