Quem vazou a carta de Temer para a imprensa?

Foto: Reprodução

Jaques Wagner: "O intenso convívio com a presidenta Dilma nos últimos dias está me fazendo perceber com mais nitidez a imensa capacidade dessa mulher de resistir e enfrentar dificuldades”

Em meio a mais um episódio que agravou a crise no Planalto, com o vazamento para a imprensa de uma carta confidencial encaminhada pelo vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, usou as redes sociais nesta terça-feira, 8, para tentar acalmar os ânimos e sair em defesa da presidente da República e reforçar a sua determinação em enfrentar o processo de impeachment. 

"O intenso convívio com a presidenta Dilma nos últimos dias está me fazendo perceber com mais nitidez a imensa capacidade dessa mulher de resistir e enfrentar dificuldades. Dilma é, por natureza, uma mulher forte e aguerrida, mas ela parece agigantar-se ainda mais quando precisa encarar grandes desafios" escreveu o ministro, no Twitter e em sua página do Facebook. 

Apesar de não citar o episódio da carta especificamente – respeitando a ordem da chefe de não polemizar com o vice -, Wagner destacou que a presidente "tem mostrado a cada dia a força e a vontade de quem vai lutar para garantir a manutenção do mandato conquistado legitimamente nas urnas". 

"Nesta disputa, ela sabe que, além da estabilidade democrática, são as conquistas sociais dos últimos 13 anos que estão em risco. E, para evitar esse retrocesso, podem ter certeza de que o coração valente ficará ainda mais valente na defesa dos interesses do povo pobre deste País", escreveu o ministro, em referência ao slogan usado pela petista durante a campanha eleitoral do ano passado. 

Jaques Wagner, que tem sido uma espécie de porta-voz da Dilma, recebe logo mais governadores para um almoço na Casa Civil. Os representantes dos Estados foram convidados para vir à Brasília pela presidente, que os receberá às 17 horas. 

Insatisfeitos, alguns governadores podem não aparecer. O vazamento da carta, parece ter caído como uma bomba na ala que defende Temer. A pergunta que se faz agora é a seguinte: Quem vazou a carta para a imprensa? Todos querem saber!

Dos 27 governadores, ao menos 18 já confirmaram a participação. O assunto oficial do encontro é o Plano Nacional de Enfrentamento à microcefalia, lançado no sábado, 5, no Recife. No entanto, além de tratar do surto que já atinge 16 Estados, Dilma espera o apoio dos governadores contra o processo de impeachment deflagrado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).


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Henrique Fontana minimiza e diz que carta de Temer traz 'divergências normais'

Seguindo a recomendação do Palácio do Planalto para não polemizar, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), um dos vice-líderes do PT na Câmara, avaliou nesta Terça-feira (8) que a carta enviada ontem pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB) à presidente Dilma Rousseff faz parte de "divergências normais" que surgem ao longo de um governo.

O petista disse ter "convicção" sobre a manutenção da aliança entre PT e PMDB e sobre o apoio de Temer ao governo diante da possibilidade do que chama de "golpe institucional", com a ameaça de impeachment da petista.

"A carta faz parte de uma crítica a alguns processos que ocorreram. São divergências normais que surgem ao longo de um governo", afirmou. "Temos convicção da aliança que temos com o PMDB". Na avaliação dele, as divergências com o PT são apenas de uma parte minoritária da bancada do PMDB ligada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que aposta no "quanto pior melhor". 

Segundo Fontana, Cunha não tem legitimidade para deflagrar o processo de impeachment de Dilma. "A maioria do PMDB, liderada por (Leonardo) Picciani (RJ), é contra o impeachment", ressaltou. 

A declaração de Fontana foi na linha da recomendação do Planalto. Como mostrou mais cedo o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a ordem de Dilma é para que o governo silencie sobre a carta enviada ontem por Temer.

No texto, o vice-presidente diz, entre outras coisas, que Dilma nunca confiou nele e no PMDB. Segundo interlocutores da presidente, a recomendação é "reserva e silêncio". O objetivo é evitar polêmicas e um desgaste ainda maior na relação com o peemedebista.

Vazamento
O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) afirmou nesta terça-feira que Michel Temer estranhou a divulgação da sua carta enviada a Dilma. O deputado disse que o vice-presidente acredita que o vazamento da carta, divulgada ontem, partiu do Palácio do Planalto. Desde a divulgação do teor da carta, Temer ainda não voltou a conversar com Dilma.

As declarações de Marun foram dadas logo após reunião no Palácio do Jaburu, onde Temer recebeu aliados do partido. De acordo com o deputado, quase a totalidade dos parlamentares que compareceram à reunião é a favor do impeachment. 

Marun disse que Temer está pronto para assumir a Presidência da República em caso de impedimento de Dilma. "O papel do vice é estar preparado para assumir, caso o impedimento venha a acontecer. Isso envolve conversa política", afirmou o parlamentar.

Segundo Marun, Temer está chateado com o que chamou de "falácia" das acusações de que o impeachment seria golpismo. Ele ponderou, entretanto, que o vice não disse diretamente ter a intenção de assumir o Palácio do Planalto.

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