PSDB rebate Dilma e diz que base do impeachment é voz de milhões de brasileiros

Foto: Nidin Sanches/ Nitro

Aécio Neves: "A presidente da República equivoca-se mais uma vez ao transferir ao PSDB a responsabilidade exclusiva sobre o processo de impeachment. Na base do impeachment não está um partido político, mas a voz de milhões de brasileiros"

O PSDB, presidido pelo senador Aécio Neves, divulgou ontem, 11, uma nota rebatendo as declarações da presidente Dilma Rousseff de que a base do pedido de impeachment que está em andamento "é do PSDB, sempre foi". 

"A presidente da República equivoca-se mais uma vez ao transferir ao PSDB a responsabilidade exclusiva sobre o processo de impeachment. Na base do impeachment não está um partido político, mas a voz de milhões de brasileiros", diz o texto dos tucanos.

Na semana passada, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu colocar sob avaliação dos parlamentares o pedido de afastamento apresentado pelo ex-deputado petista Hélio Bicudo, o ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso Miguel Reale Jr e a advogada Janaína Paschoal. Hoje, Dilma usou ironia ao dizer que a base do pedido e das propostas aceitas por Cunha era do PSDB. "Ou alguém aqui desconhece esse fato? Porque senão fica uma coisa um pouco hipócrita da nossa parte, nós fingirmos que não sabemos disso", declarou Dilma.

Em sua nota, o PSDB destaca o fato de Bicudo ser um dos fundadores do PT e diz que o pedido – "ao contrário do que o PT fez no passado, ao propor o impeachment dos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso" – tem fundamento. Para os tucanos, o pedido de impeachment sustenta no "cometimento de um crime de responsabilidade pela presidente". "As pedaladas fiscais violaram a Constituição e se constituíram em mais uma ferramenta para enganar a população e vencer as eleições, já que serviram para esconder do país a real situação das contas públicas", afirma o texto.

Em reunião realizada na noite de quinta-feira, 10, em Brasília, integrantes da cúpula do PSDB fecharam questão a favor do impeachment. O encontro contou com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de Aécio Neves, dos seis governadores da legenda e lideranças do partido da Câmara e do Senado.

O PSDB diz que a posição externada na quinta-feira pelos seus principais líderes "parte da constatação de que a presidente efetivamente cometeu crime de responsabilidade". Na nota, os tucanos ainda cobram uma postura diferente de Dilma e dizem que ela deveria se preocupar na sua defesa e não tentar politizar a questão. 

"Já é hora de a presidente dedicar-se à defesa das graves acusações que lhe são imputadas e deixar de lado a inócua retórica política com a qual tem buscado se defender e terceirizar responsabilidades", diz o texto.


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Alckmin diz que PT é 'rei do impeachment' e que não há golpe

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), voltou a dizer que impeachment não é golpe e que o Congresso deve discutir o impedimento da presidente Dilma Rousseff. Ele ainda acusou o PT de ser o "rei do impeachment", por ter entrado com pedidos contra os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. "Só não entrou contra o Lula porque era do PT", disse o tucano.

"Eu queria destacar o seguinte: eu vejo muita gente falando de golpe. Não, impeachment não é golpe. Aliás, o PT era o rei do impeachment porque entrou com pedido de impeachment contra o Collor, contra o Itamar Franco e contra o Fernando Henrique. Só não entrou contra o Lula porque era do PT. Então, não. O impeachment é previsto na Constituição brasileira", disse Alckmin, após participar de audiência no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, sobre a crise hídrica. 

O tucano disse não considerar que o freio colocado pelo STF no procedimento de impeachment seja um sinal de que há abuso por parte da Câmara dos Deputados. O ministro Luiz Edson Fachin, do Tribunal, suspendeu a tramitação do impeachment até que o plenário da Corte delibere, na quarta-feira que vem, sobre o rito do procedimento. 

"A Câmara não vai entrar no mérito da questão. O mérito é no Senado. A Câmara recebe ou não o pedido e ao mesmo tempo o Supremo, se tiver dúvida, estabelece a regra", afirmou. Questionado sobre sua posição política a respeito do impeachment o governador de São Paulo disse que o processo "precisa ser discutido" e é "dever do Congresso analisá-lo". 

Na segunda-feira, 7, Alckmin teria uma agenda comum com o vice-presidente da República, Michel Temer, na primeira aparição do peemedebista após a abertura do processo de impeachment. Temer, entretanto, cancelou a ida ao compromisso. No mesmo dia, à noite, veio à tona a carta enviada pelo vice-presidente à presidente Dilma, na qual Temer se queixa de desconfiança por parte da petista. 

Ao deixar o STF na manhã de quinta, Alckmin disse que estava no tribunal "aprendendo o latinório", em referência às expressões em latim usadas na Corte. "Amicus Curiae. Ou, como diz o Michel Temer, 'verba volant'. Não é isso? Soltou o latim, lá", disse. 

Temer abre a carta enviada a Dilma com a expressão "verba volant scripta manent", segundo a qual, "as palavras voam, os escritos permanecem". Após a brincadeira sobre o texto escrito pelo peemedebista, Alckmin disse que a carta "foi pessoal".

Cunha
Questionado se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deveria ser afastado do cargo pelas supostas manobras que tem empreendido para barrar o funcionamento do Conselho de Ética, Alckmin se limitou a contar que em sua época como deputado federal colegas perdiam o mandato pela baixa frequência. "É um assunto interno da Câmara. Eu fui deputado federal e quando fui, dois deputados perderam o mandato por falta. Aliás, um de São Paulo e outro de Minas Gerais", respondeu, sinalizando que cabe punição aos deputados que fazem mal uso da cadeira.


PSDB está pronto para discutir apoio a governo Temer, diz Aloysio Nunes

No dia seguinte ao PSDB fechar questão pelo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o senador tucano Aloysio Nunes (SP) afirmou ao Broadcast Político que o partido está pronto para discutir o apoio a um possível governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB). "Estamos prontos para discutir e vai depender muito daquilo que o Michel Temer vier a propor. Se ele vier a assumir, via impeachment, vai ter que assumir dizendo o que vai ter que fazer", afirmou o parlamentar.

Aloysio lembrou que o PSDB não teria se negado a dialogar com Dilma, mas que ela "não deu uma palavra" quando recebeu o telefonema do então adversário, senador Aécio Neves (PSDB-MG), parabenizando-a pela vitória na eleição de 2014. "Eu estava a lado do senador Aécio, quando ele ligou para ela e pediu a união do País. Ela não deu uma palavra", disse. 

Indagado ainda se considerava positiva a proposta alternativa para economia brasileira feita pelo PMDB em outubro, chamada de "Uma Ponte para o Futuro", o senador encerrou: "É um bom roteiro boa base de discussão", concluiu.


Temos que pensar o 'day after' do impeachment, diz Serra

O senador José Serra (PSDB-SP), o mais próximo entre os tucanos do vice-presidente Michel Temer (PMDB), disse nesta sexta-feira, 11, ver que Dilma Rousseff provavelmente perderá o mandato de presidente da República. O senador defendeu que é preciso pensar no 'day after' do impeachment.

"Temos que nos preocupar com o 'day after', com o que vem no dia seguinte. A hipótese do vice-presidente Michel Temer assumir o governo é grande e, se isso acontecer, nós todos temos que fazer um esforço para termos uma união nacional, para reconstruir o Brasil, porque a situação que estamos atravessando é gravíssima" disse Serra após um evento no Recife ao lado do governador Paulo Câmara (PSB).

Serra defendeu que não é questão de o PSDB apoiar um governo do PMDB, mas de pensar o futuro do País. "Não é propriamente você apoiar tal partido, não se trata disso. Trata-se de você apoiar um governo que sucederá um governo muito fraco e que terá uma responsabilidade enorme no futuro de reconstruir o Brasil. As negociações, de participação no governo, devem ser feitas com esse critério: o interesse do País."

Serra foi o único dos principais caciques do partido, até agora, a gravar um vídeo chamando as pessoas para a manifestação pró-impeachment neste domingo, 13. "Vamos juntos às ruas, lutar pelas mudanças que o País tanto necessita. Sua presença é muito importante. Vamos juntos escrever a historia do Brasil", diz o senador em vídeo postado na sua página no Facebook. Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin não registram apelos semelhantes em seus perfis.

O senador disse não ter a preocupação manifestada por outros integrantes da oposição de arrastar o processo de impeachment. "Não tenho dúvida que o começo do processo de impeachment vai provocar uma espécie de 'plebiscitação' na cabeça das pessoas. Não tenho a mesma preocupação com relação ao tempo, melhor deixar pra depois, antes. Acho que tem que ir o mais depressa possível. A população brasileira formará o seu juízo e fará chegar o seu pensamento, a sua sensação, a sua decisão, aos parlamentares, que são muito suscetíveis a isso. Vejo que realmente é uma tendência de a grande maioria querer que se troque o governo."

Sobre Temer ter cometido manobras fiscais semelhantes àquelas pelas quais o governo Dilma foi condenado no Tribunal de Contas da União (TCU), em momentos quando assumiu a Presidência interinamente, Serra desconversou. "Não conheço o processo, não vi essas representações", afirmou, mas defendeu que nessas situações, em que um vice assume quando o presidente está viajando por exemplo, seu papel é "transitório" e portanto teria que haver "outro tipo de análise".

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