Primo de Geddel atua em favor de obra polêmica

FOTO: REPRODUÇÃO

O edifício La Vue está no centro da polêmica envolvendo o ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima

O escritório de um primo do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, atua em favor do edifício La Vue, em Salvador, ao menos desde 2014. Em 18 de fevereiro daquele ano, o advogado Igor Andrade Costa, sócio de Jayme de Souza Vieira Lima Filho, primo do ministro, assinou o contrato de criação da empresa instituída especificamente para a construção do edifício. A informação foi publicada nesta quarta-feira, 23, pelo jornal Folha de S.Paulo.

O La Vue está no centro da polêmica envolvendo Geddel. No sábado 19, ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tráfico de influência para liberar a construção do empreendimento embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde tem apartamento. Geddel nega ter agido para favorecimento pessoal.

O nome do sócio do primo de Geddel também aparece em diversos documentos relacionados ao empreendimento, como na ata da primeira assembleia para constituição do condomínio do edifício, ocorrida em 15 de setembro de 2015. Igor Costa assina como secretário da assembleia.

No mesmo documento, assina como comprador do apartamento n.º 1.101 um representante da Upside Empreendimentos, empresa que, segundo o jornal O Globo, é registrada em nome de Fernanda Vieira Lima Paolilo Calazans. Ela, ainda segundo a reportagem, é irmã de Jayme, sócio de Geddel no restaurante Al Mare, em Salvador.


LEIA MAIS…
Juíza determina paralisação das obras de prédio que envolve polêmica sobre Geddel

A Justiça Federal determinou a imediata paralisação das obras e a suspensão da comercialização das unidades habitacionais do edifício La Vue, em Salvador, sob pena de incidência de multa no valor de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento.

A decisão da juíza substituta da 4ª Vara Federal, Roberta Dias do Nascimento Gaudenzi, ratifica a determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que havia embargado a obra na quinta-feira passada (17). 

A ação é de autoria do Instituto dos Arquitetos da Bahia. A entidade entende que o edifício está localizada no entorno de patrimônios tombados, como a Igreja e o Outeiro de Santo Antonio e que, por isso, o edifício não poderia ter mais que 13 pavimentos. O projeto original previa um total de 31 andares.

O edifício La Vue está no centro da polêmica envolvendo o ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. No último fim de semana, ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tráfico de influência para liberar a construção do empreendimento, onde o peemedebista diz ter comprado um apartamento, com um gabarito superior ao estipulado pelo Iphan. Geddel nega a pressão contra o ex-colega. 

A construtora Cosbat, responsável pelo empreendimento, afirmou por meio da assessoria que as obras e as vendas estão paralisadas temporariamente desde o embargo do Iphan. A empresa afirma que tomará as medidas judiciais cabíveis.

Na decisão, datada desta terça-feira, 22, a juíza atendeu às recomendações do Ministério Público Federal, exceto a que pedia o depósito judicial do valor equivalente às vendas das unidades, para efeito de indenização. A magistrada entendeu que o caso se trata de interesse individual, fora da competência do MPF. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhar: