Picciani libera bancada do PMDB a votar como quiser na comissão do impeachment

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"É razoável que os votos sejam dados com a consciência" disse o deputado Leonardo Picciani

O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ), acaba de liberar a bancada a votar como quiser na comissão especial do impeachment. Com uma bancada dividida, o anúncio de Picciani já era esperado e foi aplaudido pelo plenário. "É razoável que os votos sejam dados com a consciência", declarou o líder, o primeiro a usar os 10 minutos do tempo de liderança para se manifestar no plenário.

Em seu discurso, Picciani disse que o julgamento será feito pelo curso da história e que seja qual for o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, "ainda teremos um grande caminho pela frente". Ele revelou que recebeu muitas mensagens nos últimos dias, seja de defensores do impedimento, seja de defensores do mandato de Dilma.

Ele lembrou que votou no Aécio Neves (PSDB-MG) para a presidência da República, mas disse que não se filia aos que defendem a tese de que a eleição não foi legítima. O peemedebista disse que faltou tanto ao tucano quanto à petista capacidade de pensar no País e que, se o perdedor não se resignou ao aceitar o resultado das urnas, à vencedora faltou o diálogo. "Faltou a capacidade de quem ganhou estender as pontes e buscar uma unidade no País", concluiu.

Picciani encerrou seu discurso afirmando que sua preocupação é com o "passo seguinte" ao impeachment.


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Após reunião da direção executiva, o PSB anunciou, nesta segunda-feira, 11, que será favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Entretanto, não haverá punição àqueles que votarem diferente da orientação nacional do partido e os parlamentares não serão punidos. "O PSB tem agora uma posição oficial: Apoia e orienta sua bancada na Câmara dos Deputados a votar favoravelmente ao impeachment da presidente Dilma Rousseff", anunciou o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira.

Não havia muito mistério na posição a ser tomada pelo partido, e sim quanto às consequências para aqueles que não votassem de acordo com a orientação nacional. Entretanto, como adiantou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, os parlamentares poderão exercer o seu voto individual sem retaliações posteriores. Na prática, é como se a bancada estivesse liberada.

"Há pessoas no PSB – são pouquíssimas – que não estão de acordo com o impeachment. Acho que elas estão equivocadas, mas nós respeitamos e não faremos disso um cavalo de batalha", disse Siqueira. A bancada do PSB na Câmara conta com 31 deputados e o partido calcula que pelo menos 80% sejam favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Siqueira também confirmou que há compromisso para que os quatro deputados que representam o partido na comissão de impeachment votem juntos pelo afastamento da presidente nesta tarde. Ainda há dúvidas quanto ao posicionamento do deputado Bebeto (PSB-BA). No Placar do Impeachment, atualizado diariamente pelo Grupo Estado, ele é o único dos quatro deputados que ainda consta como "indeciso". 

Para Jonas Donizette, prefeito de Campinas e membro da executiva não haveria incongruência se Bebeto votasse à favor do impeachment na comissão hoje e, depois, contra o afastamento da presidente na votação em plenário no fim de semana. De acordo com ele, a votação de hoje trata apenas da admissibilidade do processo e não do mérito.

Dentre os membros da Executiva, aqueles que se demonstram mais fiéis à presidente são o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho e os senadores João Capiberibe (AP) e Lídice da Mata (BA). Durante a reunião, Lídice defendeu o direito de voto pessoal de cada parlamentar e fez uma comparação com um projeto de lei que envolvesse os princípios individuais de cada um, como por exemplo a legalização do aborto. 

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, não compareceu à reunião, mas expressou seu posicionamento em favor do impeachment por escrito ontem. Já o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, preferiu se manter neutro, segundo ele, por ocupar um cargo em que terá de garantir a liberdade de expressão de ambos os grupos durante as manifestações que devem acompanhar a votação no Congresso. 

Michel Temer
Apesar do apoio ao impeachment, o presidente do PSB preferiu não dar declarações sobre possível apoio ao vice-presidente da República, Michel Temer. "Vamos por partes. Cada dia um leão a ser morto. No momento o que decidimos é apoiar o impeachment. Num futuro, vamos pensar sobre isso", desconversou Siqueira.

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