‘Pelos brasileiros estamos juntos outra vez’, diz Dilma após empossar Lula

Foto: Agência Brasil

"Temos que superar os ódios e a atuação daqueles que não têm razão, não estão do lado da verdade e não terão força política para provocar o caos e a convulsão social"

A presidente Dilma Rousseff acusou a oposição de querer tirar o seu mandato de forma golpista. "Com Lula, teremos mais força de superar as armadilhas que jogam no nosso caminho", disse durante a cerimônia de posso do ex-presidente Lula na Casa Civil. Segundo ela, desde as eleições de 2014 os oposicionistas "não fazem outra coisa a não ser paralisar o meu governo e tirar o meu mandato de forma golpista", disse. 

Enquanto a presidente falava de ação golpista, os presentes na cerimônia no Palácio do Planalto gritavam "não vai ter golpe!".

Lula
Dilma afirmou que o momento de crise lhe dá a "magnífica chance" de trazer ao governo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje assume a chefia da Casa Civil. "As circunstâncias me dão a magnífica chance de trazer para governo o maior líder político desse País", afirmou, provocando aplausos e saudações da plateia formada por sindicalistas e aliados. 

Dilma destacou que além de ser um grande líder político, Lula "é um grande amigo e companheiro de lutas e conquistas". "Conto com a identidade que ele tem como esse País. É com isso que eu conto. Conto com sua incomparável capacidade de olhar nos olhos no nosso povo e de entender esse povo, de querer o melhor para esse povo e também de ser entendido e por ele amado", disse a presidente. Ontem, ao ser oficializado o nome de Lula como ministro, uma série de protestos contrários tomou o País. 

Reconhecendo o momento difícil, Dilma disse que a presença de Lula prova que ele tem "a grandeza dos estadistas e a humildade dos verdadeiros líderes". "Isso prova que não há obstáculo à nossa disposição de trabalhar juntos pelo Brasil."

A presidente rechaçou a ideia de que em algum momento os dois estiveram distantes e afirmou que a disposição se seu "querido companheiro" de fazer parte do governo mostra para aqueles que "sempre apostaram na nossa separação" que os dois sempre estiveram e estarão juntos. 

Dilma disse que ela e seu antecessor e padrinho político tem em comum "a consciência de um projeto para o Brasil". "Um projeto extremamente generoso para o Brasil que olha sobretudo para seu povo, para aquela parcela do povo que é a mais sofrida e que sempre foi a grande maioria da população, excluída das riquezas desse maravilho País."

A presidente lembrou ainda que trabalhou como ministra de Lula e disse que os dois sempre estiveram do mesmo lado. "E a partir de agora novamente trabalharemos lado a lado, sempre lutamos pelos brasileiros", afirmou. "Pelos brasileiros estamos juntos outra vez", afirmou.

Em uma sinalização de que a chegada de Lula é uma tentativa do governo de reverter a crise política, Dilma fez um aceno a oposição e afirmou que neste momento de dificuldades "não posso prescindir de ninguém". "Nesse momento temos que estar juntos pelo Brasil. Eu, Lula nossa base política, nossa base social e mesmo os opositores que querem o melhor para o País", afirmou. "Podemos todos agir em conjunto", reiterou.


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'Gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo', afirma Dilma

Em um discurso forte e combativo, a presidente Dilma Rousseff disse na manhã desta quinta-feira, 17, que é preciso "superar os ódios" no País e afirmou que a "gritaria dos golpistas" não vai tirá-la do rumo, não vai "colocar nosso povo de joelhos" nem causarão "caos e convulsão social". 

Dilma fez muitas críticas à divulgação da gravação de sua conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que o fato coloca em risco todos os cidadãos brasileiros. "Os golpes começam assim", disse.

"Estendemos a mão para todos aqueles que querem o bem do Brasil. Não exigimos nada a não ser o diálogo e a ação consertada", afirmou. "Temos que superar os ódios e a atuação daqueles que não têm razão, não estão do lado da verdade e não terão força política para provocar o caos e a convulsão social", acrescentou.

Imediatamente, os convidados à cerimônia da gritaram palavras de apoios à presidente. "Dilma, guerreira, mulher brasileira."

A presidente disse que o País vive um momento ímpar em sua história, pois, segundo ela, o combate à corrupção tem sido realizado sem obstrução do governo. "Mas temos que reafirmar a centralidade dos direitos individuais, a normalidade nacional e a soberania da constituição." 

Jaques Wagner
Mesmo sem Jaques Wagner presente na cerimônia de posse, na qual ele assumiu a função de chefe de gabinete da presidente e passou o seu cargo na Casa Civil para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff fez questão de agradecer seu companheirismo e disse que agora Wagner estará ainda mais próximo dela. 

"Ao longo de minha vida aprendi a valorizar, a dar extrema importância e respeitar meus companheiros de luta e jornada, pessoas para mim muito especiais, que tem estado ao meu lado em todos os momentos. Durante as conversas das mudanças que estou promovendo, pude perceber mais uma vez que pude contar com meu amigo Jaques Wagner", afirmou a presidente. 

A negociação para que Lula aceitasse o cargo foi longa. Somente nesta semana o núcleo duro da presidente teve mais de sete horas de conversa. 

Dilma destacou o estilo "pacifico e conciliador" de Wagner e afirmou que ele "é fundamental" para seu governo. "Como articulador, parceiro, para debater decisões e como bom conselheiro", disse. "E a partir de agora estará ainda mais perto de mim." A presidente justificou a ausência de Wagner afirmando que ele teve um contratempo no voo.

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