Para Serra, Temer seria nome para fazer ‘união nacional’

Foto: Reprodução

José Serra: "Minha esperança é que, havendo a remoção da presidente (Dilma), nós tenhamos o vice-presidente, que é o Michel Temer, assumindo, e que ele consiga fazer um governo de união nacional, juntando as forças que movem o Brasil"

O senador José Serra (PSDB-SP) afirmou na noite de ontem, 3, que um eventual governo Michel Temer (PMDB), caso ocorra o impeachment da presidente Dilma Roussef, deverá ser de "união nacional". "Minha esperança é que, havendo a remoção da presidente (Dilma), nós tenhamos o vice-presidente, que é o Michel Temer, assumindo, e que ele consiga fazer um governo de união nacional, juntando as forças que movem o Brasil", afirmou Serra, em entrevista à rádio Jovem Pan, de São Paulo.

Nos bastidores da política, Serra costuma ser apontado como um dos tucanos mais próximos ao vice-presidente. A relação entre eles vem alimentando especulações de que o senador poderia ocupar um papel de destaque numa eventual gestão de Temer no Palácio do Planalto. Ambos, porém, negam qualquer conversa nesse sentido


LEIA MAIS…
Temer busca manter distância da crise

Segundo na linha sucessória da Presidência da República, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) evitou ontem, 3,  participar das principais discussões com integrantes da cúpula do governo e de se posicionar publicamente sobre a instauração do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

A mesma conduta de Temer tem sido adotado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e lideranças do partido na Casa. Ao ser questionado sobre a abertura do processo, Renan se esquivou e afirmou que não tinha conhecimento do conteúdo da ação. A avaliação inicial das lideranças do PMDB da Casa é de que o momento é de "cautela", uma vez que a questão ainda precisa ter seus desdobramentos na Câmara, onde o processo deverá ser discutido inicialmente. 

Nos bastidores, a cúpula do PMDB diz que é preciso "descolar" de Cunha neste momento. Mas avalia que não pode ficar alheia a ponto de se distanciar muito de uma solução para o caso. A busca é pela equidistância.

Não por acaso, Temer, Renan e o segundo vice-presidente do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), se reuniram logo após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), definir o início do processo. No encontro, segundo relatos, Renan considerou que o momento é de se ter "sobriedade" e "seriedade" e ressaltou que em nenhum momento incentivou Cunha a tomar a decisão pelo início do processo de impedimento.

Seguindo a estratégia de se afastar das discussões sobre o tema, Temer deixou Brasília na tarde de ontem e foi para São Paulo, deixando a sua cadeira vaga na reunião organizada pelos ministros da coordenação política, em que se discutiu os caminhos que deverão ser enfrentados com a deflagração do processo de afastamento de Dilma.

Em meio ao tumultuado momento pelo qual passa o governo, Temer também reservou parte da agenda da próxima segunda-feira para um encontro com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um dos principais expoentes do PSDB.

A falta de um posicionamento público por parte do vice-presidente, a favor de Dilma, chegou a levar integrantes do Palácio do Planalto a "vazar" a informação de que em encontro realizado entre os dois, durante o período da manhã, o peemedebista teria se colocado a disposição para ajudar na defesa jurídica contra o impeachment. Tal iniciativa foi negada por pessoas próximas ao vice-presidente.

Segundo relatos, Temer fez apenas uma análise política do momento atual, não se adentrando em questões jurídicas, que deverão ser encampadas pela equipe da presidente. A reunião entre Dilma e Temer durou cerca de 20 minutos e foi a primeira após Cunha anunciar que daria prosseguimento ao processo de impeachment. 

No encontro com Dilma, o vice-presidente também aconselhou a petista a não entrar em confronto direto com o deputado. Ao negar ter praticado "atos ilícitos" em sua gestão, Dilma ressaltou que recebeu com "indignação" a decisão do deputado. Ela também negou ter havido qualquer tipo de negociação com Cunha na tentativa de evitar o impeachment em troca de poupá-lo no Conselho de Ética, onde responde a processo por quebra de decoro. 

Em entrevista realizada ontem, Cunha rebateu Dilma e afirmou que ela "mentiu à Nação" e que ao contrário das declarações dela, houve negociações com integrantes do grupo de deputado mais próximos a ele. "Dilma pediu aprovação da CPMF em troca de votos do PT no Conselho de Ética", afirmou Cunha.

Elogios
Uma nova investida dos petistas, para tentar constranger Temer a dar declarações públicas em defesa de Dilma, também foi tomada pelo presidente do PT, Rui Falcão, no final do dia. Em entrevista coletiva à imprensa, o dirigente fez vários elogios ao peemedebista e ressaltou, que soube de terceiros, que Temer teria considerado o processo de impeachment sem "qualquer lastro jurídico".

Apesar das tentativas de integrantes do governo e da cúpula do PT, o vice deve seguir a estratégia de não se pronunciar sobre o tema publicamente. "Está todo mundo em compasso de espera", afirmou o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhar: