Nova fase da Lava Jato reforça ação para cassação da chapa de Dilma, diz oposição

Foto: Reprodução

Oposição defende que decisão da nova fase da Operação Lava Jato de prender o marqueteiro João Santana "fecha" a ideia de que houve caixa dois na campanha à reeleição da presidente Dilma e seu vice

Líderes de oposição na Câmara dos Deputados acreditam que a nova fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé, deve reforçar a ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa da presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer. Os oposicionistas consideram que há indícios suficientes para comprovar que "dinheiro sujo" irrigou a campanha petista e lembram que a prática de caixa 2 já foi denunciada em 2005, durante o escândalo do mensalão do PT. 

"O pedido de prisão do marqueteiro João Santana vai reforçar ainda mais a ação contra a presidente Dilma Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral que pede a cassação de seu mandato por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. Está claro que o esquema de propina do 'petrolão' abasteceu a campanha. Nem o guru da mentira do PT escapou da Lava Jato", comentou hoje o líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), por meio de nota. 

O líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), relembrou que o então marqueteiro do PT, Duda Mendonça, também foi alvo das investigações do mensalão, mas que na época "nada aconteceu". Para o deputado, as investigações da Operação Lava Jato mostram que o partido exerceu a prática do caixa 2 "reiteradas vezes", até mesmo nas duas eleições de Dilma. "Entendemos que essa Operação Lava Jato realmente está passando o País a limpo e não vai deixar que aconteça o mesmo que aconteceu com Duda", declarou Pauderney em entrevista na manhã desta segunda-feira, 22. 

"Do mensalão para o petrolão, é uma questão matemática, de multiplicação da propina. O que estamos assistindo é a repetição de uma trama envolvendo marqueteiros. Se repete agora o esquema que beneficiou Duda Mendonça e o PT na campanha de Lula e que lá atrás não se deu muito atenção", concordou Bueno, ao citar o depoimento de Duda na CPI dos Correios, em 2005, quando ele mencionou pagamentos por meio de contas no exterior.

Pauderney considera que o Palácio do Planalto não pode se esquivar das investigações alegando que desconhecia a prática. "(O governo) Não pode dizer que não é com ele porque é com ele, sim. As provas já estão no TSE e possivelmente a chapa será cassada", prevê. 

Líderes de oposição na Casa vão se reunir amanhã para discutir os últimos acontecimentos e definir como será a mobilização para as manifestações de 13 de março contra a presidente Dilma.


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O advogado José Eduardo Alckmin, principal defensor nas ações movidas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo PSDB para cassar o mandato da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, afirmou nesta segunda-feira, 22, em entrevista ao Broadcast Político (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), que a decisão da nova fase da Operação Lava Jato de prender o marqueteiro João Santana "fecha" a ideia de que houve caixa dois na campanha à reeleição da petista. 

Santana foi o responsável pelo marketing nas duas vitórias de Dilma (2010 e 2014) e na reeleição de Lula em 2006. 

"Tudo vem a fechar a ideia de que houve financiamento irregular da campanha", disse o advogado, ao lembrar que a conduta é passível com a perda do mandato. Para ele, a decisão "reforça muito" o sucesso nas ações movidas pela oposição.

Para Alckmin, a estratégia é pedir oportunamente ao TSE que inclua nos processos movidos pelo PSDB os elementos utilizados pela Justiça Federal para decretar a prisão de Santana. "Não conheço ainda os fatos, mas pelo que se noticia, é gravíssimo ter havido despesas de campanha fora dos controles próprios", disse.

A nova fase da operação identificou pagamentos milionários a Santana por meio de contas offshore sediadas no exterior e que não haviam sido declaradas anteriormente. Na avaliação inicial de tucanos, essa fase leva a Lava Jato para o Palácio do Planalto. Desde cedo, integrantes da cúpula do PSDB estão em contato com a área jurídica do partido a fim de afinar a estratégia de atuação.

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