Não estou dizendo novidade, diz Temer sobre áudio em que antecipa impeachment

Foto: Reprodução

Temer reafirmou que independente do futuro do governo seguirá sustentando as mesmas teses e disse não acreditar que o vazamento possa alterar o resultado da votação do processo de impeachment da presidente

O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta segunda-feira, 11, que não mudou "um centímetro do que falava" no passado e que "não dizia novidades" na gravação vazada hoje na qual fala como se a Câmara dos Deputados já tivesse aprovado a instauração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). "Não mudarei um centímetro daquilo que falei no passado. Não estou dizendo novidades porque são teses que tenho sustentado ao longo do tempo", afirmou ele em uma rápida entrevista. 

Segundo Temer, o contexto da gravação ocorreu após conversas com "vários companheiros" que o indagavam se estaria preparado para a eventualidade de a Câmara aprovar o processo e encaminhá-lo ao Senado para a decisão de afastar Dilma por 180 dias. Se isso acontecer, segundo o vice-presidente, "certa e seguramente se exigiria uma manifestação minha", afirmou. "Eu disse, olha, vou fazer o seguinte, vou gravar uma coisa que eu imagino que possa dizer e daí fiz uma gravação onde eu ressaltei pontos que eu tenho defendido ao longo do tempo".

Na entrevista, Temer repetiu o que pregou na gravação, como a "pacificação absoluta do País, a unidade do País, o chamamento de todos os partidos para um governo, digamos, de salvação nacional" e ainda "a ideia de que devemos prestigiar os setores produtivos, ou seja, trabalhadores e empregadores, a ideia que devemos manter e aprimorar os programas sociais".

Segundo ele, quando ia enviar a gravação a um amigo, se equivocou e encaminhou o áudio para um grupo, o qual acabou divulgando a matéria. "Mas reitero que aquilo que disse seria exatamente o que eu fiz no passado e continuarei a fazer, dependendo do que acontecer no dia 17", disse Temer, salientando que o áudio seria preparado para ser divulgado, eventualmente, antes de o Senado apreciar a abertura do processo contra Dilma que poderia a afastar do cargo. "Verifiquem a gravação que respeitosamente me dirigi ao Senado Federal, dizendo que cautelosamente temos de aguardar a decisão do Senado".

Temer reafirmou que independente do futuro do governo seguirá sustentando as mesmas teses e disse não acreditar que o vazamento possa alterar o resultado da votação do processo de impeachment da presidente, prevista para o próximo domingo.

Indagado sobre as críticas do ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, que o chamou de golpista após o áudio ser divulgado, Temer evitou uma resposta. "Não vou responder. Certas afirmações não merecem, digamos assim a honra da minha resposta".


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Assessoria informa que envio de áudio de Temer foi 'acidental'

A assessoria do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), informou na tarde desta segunda-feira, 11, que o áudio no qual ele fala como se a Câmara dos Deputados já tivesse aprovado a instauração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e ainda afirma ser o "substituto constitucional da presidente da República", foi enviado de forma "acidental".

No áudio, enviado para parlamentares do PMDB e vazado na tarde de hoje, Temer já apresenta propostas para um eventual governo seu, nega que vá cortar programas sociais, prega um governo de "salvação nacional" e alerta que haverá "sacrifícios" para retomar o crescimento do País. A assessoria de Temer não informou qual o contexto da gravação do áudio.

Já a assessoria da Presidência ainda não se pronunciou.

Em dezembro, em um primeiro sinal do rompimento com Dilma – ratificado há duas semanas com a saída do PMDB do governo – uma carta de Temer à presidente também foi vazada à imprensa. No documento, entre outras críticas, Temer afirmava ser um "vice decorativo" e criticava o fato de Dilma só acioná-lo para resolver conflitos entre o PMDB e o Planalto.


'Áudio de Temer é vazamento do bem', diz presidente do PMDB

Numa tentativa de minimizar o estrago político, o presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (RR), classificou nesta segunda-feira, 11, como "vazamento do bem" o áudio do vice-presidente Michel Temer tornado público mais cedo em que ele defende, entre outras afirmações, a "reunificação" do País em caso de aprovação do pedido de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Para Jucá, que substituiu Temer na semana passada no comando do partido tendo como um dos objetivos blindá-lo de ataques, não há nada de negativo na fala dele a ser eventualmente explorado. Ele não quis tecer nenhuma comentário sobre se o episódio do vazamento em si.

"Se é isso que vazou, esse vazamento é um vazamento do bem, isso demonstra equilíbrio, tranquilidade, preparo do vice-presidente Michel Temer, preocupação com o Brasil, portanto, não é nada de negativa, que depõe contra o vice-presidente Michel Temer. Ao contrário, mostra, independente de ser algo que devesse ser publicizado ou não, que ele está preparado, está tranquilo", destacou o peemedebista.

Jucá afirmou que a gravação mostra que Temer está preparado para assumir. Segundo ele, o vice é um homem público, com uma história grande e que tem muita experiência. "Então, o presidente Michel Temer (sic) não tem uma bagagem de ontem, tem uma bagagem de muito tempo e, se for necessário utilizar essa bagagem e essa experiência a favor do País, sem dúvida nenhuma ele estará preparado", frisou.

O senador destacou que "de forma nenhuma" o áudio mostra Temer como articulador do golpe, como diz o governo. Ele disse que o vice não tem o poder de decidir como a Câmara vai votar, assim como Temer não preside o PMDB por enquanto para não se dizer que ele esteja atuando no partido "a favor de determinada decisão".


Áudio vazado de Temer é 'imprevidente, mas premonitório', diz líder do PSDB

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), afirmou na tarde desta segunda-feira, 11, que o áudio vazado do vice-presidente Michel Temer é "imprevidente, mas premonitório". Para o tucano, ele antecipa um resultado e serve para trazer tranquilidade.

Na conversa endereçada a alguns deputados, Temer fala como se o impeachment da presidente Dilma Rousseff tivesse sido aprovado pela Câmara e afirma ser necessário fazer uma "reunificação" do País. A assessoria de Temer informou que o envio do áudio foi "acidental".

"A fala serve para trazer tranquilidade. Vai dar obviamente base e munição para os que fazem o discurso de que ele (Temer) é conspirador", disse Cássio. Para ele, contudo, a instabilidade já está posta no País e as declarações servem mais para tranquilizar em meio a grandes incertezas.

O senador da oposição Alvaro Dias (PV-PR) disse que o vice-presidente já está "ensaiando" assumir o Palácio do Planalto, dando como "favas contadas" o impeachment de Dilma.


Nas redes sociais, políticos criticam áudio de Temer

Diversos políticos se manifestaram pelas redes sociais a respeito do áudio divulgado por engano nesta segunda-feira, 11, pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB), em que ele fala à nação em um suposto cenário de aprovação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara.

No Facebook, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o vice-presidente de "golpista trapalhão". Na publicação, o petista cita a pesquisa do Datafolha divulgada no último sábado, 9, na qual Temer aparece, em um dos cenários, com 1% das intenções de votos no caso de uma eventual eleição. Lindbergh ainda relembrou a carta que o peemedebista enviou à presidente Dilma Rousseff em dezembro, classificando o episódio como patético.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) também comentou o caso nas redes sociais. No Facebook, Jandira categoriza o ato como teatral e um "aceno artificial para um eventual governo" que, em sua opinião, não acontecerá. Já no Twitter, Jandira publicou uma imagem na qual aparecem fotos do vice-presidente ao lado do deputado Eduardo Cunha (PMDB) com os dizeres: "Entenda o que acontece com o Brasil em caso de golpe: Em caso de Impeachment Temer e sua turma assumem a presidência. Em caso de novas eleições, Cunha e sua turma assumem a presidência por três meses".

Ainda no Twitter, um dos primeiros a repercutir o episódio foi o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Ele disse ter ficado "assustado" com o trecho em que o vice-presidente afirma que serão necessários sacrifícios para retomar o crescimento econômico.

A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) afirmou que as palavras do vice-presidente comprovam a "conspiração de Temer para derrubar Dilma".

Já a ex-candidata à presidência Luciana Genro (PSOL) usou a rede social para reforçar sua oposição à Dilma, mas esclareceu que não se unirá ao governo de Michel Temer. "Se o golpe palaciano de Temer passar ele que não conte com União Nacional tendo ele como chefe", escreveu.


Para Planalto, áudio de Temer 'escancara conspiração' contra Dilma

O ministro Jaques Wagner, da chefia de Gabinete da presidente Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira, 11, que o vice-presidente Michel Temer, ao gravar um áudio para os parlamentares, como se o processo de impeachment tivesse sido aprovado na Câmara dos Deputados, deixa clara a "marca de patrocinador do golpe". Segundo Jaques Wagner, o áudio "foi um desrespeito aos parlamentares que ainda não votaram nem o relatório da Comissão de Impeachment".

A fala de Temer causou surpresa no Planalto, mas a avaliação geral foi de que o vazamento do áudio em que Temer diz estar preparado para assumir a Presidência, antes mesmo da votação do processo de impeachment na Câmara, foi bom para Dilma. De acordo com interlocutores da presidente, isto "escancara que há uma conspiração para tirá-la do cargo", reforçando a ideia de que tudo não passa de um "golpe".

Assessores da presidente Dilma acham ainda que o vazamento "foi um tiro no pé" do próprio Temer e de seus aliados porque faz "cair a máscara" de como ele age, conspirando o tempo todo contra o governo. Prova ainda as afirmações que vinham sendo feitas de que ele estava tramando contra a presidente Dilma, desde o início. Apesar disso, no Planalto, auxiliares de Dilma acreditam que não houve vazamento, mas sim a divulgação intencional do que Temer pensa e o que quer fazer.

Em seu Twitter, Jaques Wagner afirma que o governo ainda está trabalhando tanto na Comissão Especial quanto no plenário "para deter a marcha do golpe". O governo avalia que melhoraram as condições para a presidente Dilma nas últimas horas. Na sexta-feira, 8, a avaliação era de que o quadro tinha piorado e que os votos estavam na casa dos 180 votos. Nesta segunda, a conta era de 200 votos, pela manhã, e agora já chega a 208. Em seu Twitter, Jaques Wagner diz que "a disputa final acontecerá no domingo, dia em que sairemos vitoriosos com mais de 200 votos contrários ao impeachment de @dilmabr". Wagner lembra que "a votação de hoje é só a primeira etapa da batalha".

Comissão
Para esta segunda, o governo diz que "os ventos melhoraram", embora reconheça que é difícil vencer na comissão. Uma das planilhas governistas, no entanto, estaria apontando para o empate na comissão, deixando para o presidente deputado Rogério Rosso (PSD-DF) o "voto minerva" de desempate. Embora muitos aleguem que Rosso está ao lado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Planalto, há um entendimento que a pressão do ministros das Cidades, Gilberto Kassab, do mesmo partido dele o PSD, teria uma influência. De acordo com Wagner, "mesmo que eles ganhem, será por uma margem apertada, será a vitória do time que precisava fazer sete gols e fez dois".

Já o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, disse que está "estupefato" com o áudio de Temer e admitiu que está disputando uma eleição indireta. "Ele está confundindo a apuração de eventual crime de responsabilidade da presidente Dilma com eleição indireta", completou.

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