Movimento convoca manifestação pró-impeachment para dia 17 de abril

FOTO: REPRODUÇÃO

Movimento ‘Vem Pra Rua’ pretende instalar telões em dois caminhões de som na Avenida Paulista, de onde será transmitida a movimentação dos parlamentares

O Vem Pra Rua, um dos principais grupos de oposição à presidente Dilma Rousseff, marcou a próxima manifestação pró-impeachment para o dia 17 de abril. A expectativa no Congresso Nacional é que a votação do impedimento na Câmara ocorra nesta data, um domingo. Os organizadores pretendem instalar telões em dois caminhões de som na Avenida Paulista, de onde será transmitida a movimentação dos parlamentares.

Já a Frente Brasil Popular, que reúne entidades dos movimentos sociais e partidos de esquerda, decidiu cancelar a mobilização pró-governo que estava marcada para o sábado, 9, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Em nota, a CUT oficializa o cancelamento da agenda para o próximo sábado, mas convoca "toda a militância" para outro evento amanhã. O evento, chamado de Encontro de Lula com a Educação, ocorrerá no Centro de Convenções do Anhembi, também na capital paulista.


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Oposição articula ato pró-impeachment com mil crianças em frente ao Congresso

A oposição estabeleceu um calendário de manifestações pró-impeachment para tentar manter a mobilização até o julgamento do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff na Câmara, previsto para o fim de semana entre 15 e 17 de abril. Entre as ações, opositores organizam um protesto de cerca de mil crianças no gramado em frente ao Congresso Nacional na manhã do próximo domingo, 10.

De acordo com um deputado que está a frente das mobilizações, essas crianças virão da "periferia" dos arredores de Brasília. O parlamentar afirma que elas estão vindo com apoio de "movimentos sociais". A ideia é que algumas das crianças representem os 513 deputados que compõem a Câmara e simulem uma votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff durante a manifestação.

Antes de domingo, o deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, organizou para sexta-feira, 8, um ato na sede do sindicato dos trabalhadores da construção civil de São Paulo, no Centro da capital paulista. O protesto está previsto para 14 horas. Foram convidados os presidentes do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do PSB, Carlos Siqueira. Ambos ainda não confirmaram presença.

"É para acabar com essa impressão que sindicalista é contra o impeachment, que todo mundo está alinhado com a CUT (Central Única dos Trabalhadores", disse Paulinho ao Broadcast Político. O deputado, que é também presidente da Força Sindical, admite que há forças contrárias e favoráveis ao impeachment, mas diz que hoje mais de 70% dos sindicalistas da central são favoráveis ao afastamento de Dilma. 

Os atos de sexta e domingo têm o objetivo de manter a pressão sob os parlamentares durante a votação do impeachment na Comissão Especial. Segundo um parlamentar da oposição, o acordo é para que, caso haja muitos inscritos para falar durante a sessão da votação, o presidente do colegiado, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), convoque a discussão para o fim de semana, para que a votação de fato ocorra na segunda-feira, 11. 

Votação no plenário
A oposição também já planeja mobilização para o dia da votação do processo no plenário. A ideia é tentar trazer cerca de 500 mil pessoas pró-impeachment para a frente do Congresso. Opositores tentam negociar com governistas para que o gramado fique apenas com os manifestantes antigoverno e que os são contrários ao impeachment fiquem concentrados na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto.

Em acordo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a oposição também acertou a instalação de telões dentro e fora da Casa. A ideia é que os telões internos transmitam também a imagem da população no gramado, para ajudar a pressionar os deputados. Já os telões externos serão bancados por deputados opositores, que também articulam trazer de 6 a 7 carros de som para o gramado.


Movimentos pró-Dilma definem calendário de mobilizações contra impeachment

A Frente Brasil Popular, que congrega mais de 60 movimentos sociais, sindicais e partidos de esquerda contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, definiu ontem, 6, um calendário de mobilizações que começa amanhã, 8, e vai até o dia 17, data prevista para a votação da abertura do processo de afastamento pela Câmara.

A estratégia passa pela abordagem de deputados nos aeroportos das principais capitais no dia 11, quando a Comissão Especial do Impeachment vai votar o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO).

Na véspera da votação na comissão, a frente vai fazer um acampamento em Brasília, próximo ao Congresso, onde os manifestantes ficarão até o dia seguinte.

"Nas demais, fortalecer abordagens aos deputados nos aeroportos pressionando pelo voto contra o impeachment", diz a circular aprovada nesta quarta.

Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de um ato em defesa da democracia ao lado de profissionais da educação no auditório do Anhembi, em São Paulo. Sábado, Lula vai ao Recife onde participa de outro evento contra o impeachment. A viagem faz parte da estratégia de concentrar a pressão sobre deputados da região Nordeste e de cidades pequenas e médias que, na avaliação do ex-presidente, são mais sensíveis à pressão anti-impeachment.

No dia 15, dois dias antes da decisão da Câmara, a frente promove uma Jornada Nacional de Mobilização contra o golpe com o fechamento de estradas, paralisações e assembleias em fábricas "entre outras ações de impacto".

Além dos grandes atos, a frente aposta em pequenas mobilizações em áreas periféricas das grandes cidades, onde foram criadas as Brigadas Populares Contra o Golpe, e nas ações espontâneas capitaneadas por segmentos sociais contrários ao afastamento de Dilma como artistas, estudantes, juristas e sindicalistas.

O calendário está sendo elaborado em conjunto com a Frente Brasil Sem Medo, que reúne outras dezenas de movimentos, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Também no dia 15, os defensores do mandato de Dilma vão iniciar uma vigília na frente do Congresso como forma de preparação para o dia 17, quando serão realizados grandes atos em todas as grandes cidades do País.

Na circular, a Frente Brasil Popular reforça a atenção para a segurança dos atos, sempre evitando confrontos com grupos contrários. De acordo com Raimundo Bonfim, um dos coordenadores da frente, no dia 17 os organizadores vão buscar locais distantes dos atos anti-Dilma. "Em São Paulo protocolamos pedidos para realizar atos na Avenida Paulista, Vale do Anhangabaú e Praça da Sé. Não sabemos se eles (anti-Dilma) protocolaram também, mas não vai ter problema. A única preocupação é Brasília, onde todo mundo vai querer ficar na frente do Congresso", disse ele.

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