Moro põe sob sigilo superplanilha da Odebrecht

Foto: Reprodução

Sérgio Moro pediu ao Ministério Público Federal que se manifeste sobre ‘eventual remessa’ da documentação ao Supremo Tribunal Federal (STF)

O juiz federal Sérgio Moro decretou nesta quarta-feira, 23, sigilo sobre a superplanilha da Odebrecht que cita dezenas de políticos e partidos como supostos destinatários de valores da empreiteira. O magistrado pediu ao Ministério Público Federal que se manifeste sobre ‘eventual remessa’ da documentação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A superplanilha foi apreendida em fevereiro na Operação Acarajé, desdobramento da Lava Jato, na residência do empresário Benedicto Barbosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.

O documento aponta uma longa sucessão de transferências para deputados, senadores, prefeitos, governadores e agremiações políticas.

Inicialmente, a Acarajé estava sob sigilo. Depois que a operação foi deflagrada, em fevereiro, o magistrado afastou o sigilo dos autos, como tem feito desde o início da Lava Jato.

Nesta quarta-feira, ao constatar que a lista contém ‘registros de pagamentos a agentes políticos’, Moro restabeleceu o sigilo nos autos.

"Prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos. Não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos", argumentou o juiz.

"De todo modo, considerando o ocorrido, restabeleço sigilo neste feito e determino a intimação do Ministério Público Federal para se manifestar, com urgência, quanto à eventual remessa ao Egrégio Supremo Triunal Federal para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado."


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PF acha em planilha nome ligado a Casa Civil e Lobão

A Polícia Federal achou "Las Vegas" na planilha de propinas da empreiteira Odebrecht. Os investigadores suspeitam seja o codinome de Douglas Franzoni Rodrigues. O nome dele consta da planilha apreendida na casa da secretária do alto escalão da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, delatora da Operação Xepa, 26ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 22.

Segundo os investigadores, Franzoni é ligado a Anderson Dornelles, que foi recentemente exonerado do Gabinete da Casa Civil após ser citado como sócio oculto de um bar no Estádio Beira Rio, do Internacional de Porto Alegre. A arena foi reconstruída pela empreiteira Odebrecht para a Copa do Mundo 2014.

Douglas Franzoni Rodrigues foi comissionado em cargos do Poder Executivo Federal. Em 19 de setembro de 2005, ele foi nomeado para o cargo de Assistente Técnico na coordenação-geral de Auditoria da Secretaria de Controle Interno da Casa Civil da Presidência da República, no governo Lula.

Em 25 de setembro de 2008, ele foi exonerado do cargo em comissão de Assistente de Consultoria Jurídica, no âmbito do Ministério de Minas e Energia. Na época, quem comandava a pasta era Edison Lobão, senador pelo PMDB do Maranhão.

Franzoni também foi nomeado para cargo comissionado da Gerência Executiva da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 20 de novembro de 2008. Em 22 de junho de 2012 foi exonerado.

A Polícia Federal afirma que na planilha encontrada com Maria Lúcia Tavares constam endereços "com locais de entrega de recursos em espécie associado a codinomes". Cada uma das requisições está vinculada a um executivo da Odebrecht e a uma "obra".

O nome de Douglas Franzoni Rodrigues estava ligado ao codinome "Las Vegas". Segundo a força-tarefa da Lava Jato, há ainda um registro de possível entrega de propinas para ele em endereço na Asa Norte, na capital federal.

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