Mesa Diretora da Câmara confirma recondução de Picciani à liderança de PMDB

Foto: Agência Brasil

Deputado acredita que o racha na bancada se deu por causa do momento tenso que o País vive. "É preciso que todos recolham suas armas e busquem dialogar para que o PMDB ajude o País a sair dessa situação”

A Mesa Diretora da Câmara confirmou no início da tarde desta quinta-feira, 17, a recondução do deputado Leonardo Picciani (RJ) à liderança do PMDB na Casa. Picciani retomou o cargo após apresentar lista com 36 assinaturas de apoio dos atuais 69 deputados da legenda.

Picciani protocolou a lista pela manhã, mas a Mesa Diretora questionou três assinaturas dos deputados: Vitor Valim (CE), Jéssica Sales (AC) e Lindomar Garçon (RO). O dúvida se dava em torno do fato de que os três teriam assinado a lista de 35 apoiamentos que conduziu Leonardo Quintão (MG) à liderança do PMDB, apresentada na semana passada. 

Picciani voltou ao cargo uma semana após ser destituído com ajuda de articulação do Palácio do Planalto. Nesta quarta-feira, 16, o PMDB, com aval do vice-presidente Michel Temer, aprovou uma resolução para barrar novas filiações e tentar impedir o retorno do deputado pró-governo à liderança.


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Picciani protocola lista de apoio para retomar liderança do PMDB

Com o apoio de parlamentares que reassumiram seus mandatos nesta quinta-feira, 17, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) protocolou pela manhã uma lista com 36 assinaturas favoráveis à sua recondução à liderança da bancada do partido na Câmara dos Deputados. Picciani precisa apenas da conferência das assinaturas pela Secretaria da Casa para reassumir a posição ocupada atualmente por Leonardo Quintão (PMDB-MG).

Com a presença de Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, e de Pedro Paulo Carvalho, secretários dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro que reassumiram seus mandatos para garantir a retomada da liderança, a bancada atingiu 69 parlamentares. Segundo Picciani, os parlamentares que vieram nesta quinta representam a posição do diretório estadual do Rio.

Picciani adotou um discurso de reconciliação e união dos peemedebistas. "Não há nenhum sentimento de revanchismo, de disputa. Nós queremos unificar a nossa bancada no que for possível, queremos buscar o máximo de convergência", comentou.

Ele criticou o uso de lista para mudança de liderança e disse esperar que sua recondução finde "medidas cartoriais" no partido. "Fui vítima de um instrumento de força, de um instrumento que é ruim para o partido, que é o uso de lista porque constrange os deputados", concluiu. O peemedebista disse que foi obrigado a recorrer a lista por ser a única forma de voltar a ser líder.

Picciani considera que seu retorno restaura uma posição ao qual ele foi eleito em fevereiro deste ano. O deputado acredita que o racha na bancada se deu por causa do momento tenso que o País vive. "É preciso que todos recolham suas armas e busquem dialogar para que o PMDB ajude o País a sair dessa situação", frisou.

O líder ressaltou que continuará dialogando com a presidente Dilma Rousseff porque a falta de interlocução com o governo era uma das críticas dos peemedebistas. Ele reiterou que tem uma posição pessoal contra o pedido de impeachment da presidente, mas que respeitará as posições pessoais e que não vai impor sua opinião à bancada, e sim buscará o convencimento político dos peemedebistas. "Ninguém é dono do voto de ninguém na bancada", declarou.

Sobre uma reaproximação com o vice-presidente e líder nacional do PMDB, Michel Temer, Picciani disse que vai telefonar para ele a fim de comunicar sobre a decisão da bancada de restituí-lo à liderança e que se colocará à disposição para trabalhar pela unidade do partido. "Fui envolvido numa falsa polêmica. Eu não fiz nenhuma crítica ao presidente Temer. Tenho grande apreço, é a principal liderança de nosso partido. Portanto buscarei o diálogo com ele e com as demais lideranças do partido", afirmou.

Assinaturas
A Secretaria-Geral da Mesa Diretora está questionando pelo duas das 36 assinaturas apresentadas por Picciani, para tentar se reconduzir à liderança do PMDB na Casa.

A Mesa alega que as assinaturas dos deputados Vitor Valim (PMDB-CE) e Jéssica Sales (PMDB-AC) em apoio a Picciani não são válidas, pois eles também assinaram a lista de 35 apoiamentos que instituiu Leonardo Quintão (MG) no cargo, apresentada na semana passada.

Segundo o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), a Mesa não está considerando ofício em que Valim pede a retirada do apoio dele a Quintão. No caso de Jéssica, a secretaria exige que a deputada venha à Casa para retirar o apoio a Quintão para que a assinatura em apoio a Picciani seja validada.

Picciani, deputados aliados ao peemedebista e assessores estão dentro da sala do secretário-geral da Mesa Diretora tentando resolver o impasse.


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Sete deputados que assinaram lista de Quintão apoiaram recondução de Picciani

Sete dos 36 deputados que apoiaram a recondução do deputado Leonardo Picciani (RJ) à liderança do PMDB na Câmara nesta quinta-feira, 17, tinham assinado a lista de 35 parlamentares que indicou Leonardo Quintão (MG) ao mesmo cargo na semana passada. Mudaram de opinião os peemedebistas Simone Morgado (PA) Elcione Barbalho (PA), Celso Maldaner (SC), Silas Brasileiro (MG), Vitor Valim (CE), Lindomar Garçon (RO) e Jéssica Sales (AC).

Para trazer esses nomes, Picciani contou com a ajuda do Palácio do Planalto. Simone Morgado e Elcione Barbalho, por exemplo, são a atual e a ex-mulher do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), respectivamente. Elcione e Jader são pais do atual ministro-chefe da Secretaria dos Portos, Helder Barbalho, que foi indicado pelo senador paraense na última reforma ministerial de outubro.

Picciani voltou à liderança do PMDB hoje, uma semana após ser derrubado do cargo. A destituição foi articulada pela bancada do PMDB pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff, com aval do vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer. O movimento de coleta de assinaturas contra o deputado carioca começou após ele se recusar a indicar parlamentares antigoverno para as vagas a que a sigla tem direito na comissão especial do impeachment na Casa.

Para retomar a liderança do PMDB na Câmara, além de buscar deputados que tinham apoiado Quintão, Picciani também articulou a posse de parlamentares do PMDB aliados a ele que estavam licenciados. Marco Antônio Cabral (filho do ex-governador carioca Sérgio Cabral) e Pedro Paulo se licenciaram dos cargos de secretários de Estado do Rio nos últimos dias e assumiram o mandato de deputado para apoiar a recondução de Picciani. 

Para Picciani, o apoio de deputados que tinham assinado a lista de Quintão derruba o argumento de peemedebistas da ala pró-impeachment de que ele retomou a liderança do partido de forma "artificial". "Quando fui substituído da liderança, de imediato reconheci o posicionamento da maioria. Acho que a posição mais adequada (deles) seria fazer o mesmo", afirmou o líder peemedebista, em entrevista logo após ser confirmada sua recondução ao cargo. 

O deputado carioca afirmou que irá procurar Temer ainda hoje. "Vou dizer a ele que reassumi a liderança com o compromisso de não permitir o prolongamento dessa prática aqui de coleta de assinaturas e que faremos a eleição da nova liderança em fevereiro", comentou. Picciani disse que somente no próximo ano decidirá se tentará a reeleição para o cargo de líder.

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