Lula se reúne com conselho político do PT em São Paulo

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A expectativa é que, após o encontre, Lula fale sobre as investigações do sítio que frequentava em Atibaia, de propriedade de Fernando Bittar e Jonas Suassuna

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com o chamado Conselho Político do PT, nesta segunda-feira, 15, na capital paulista. Convocado para discutir a conjuntura atual do País e propor saídas para a crise econômica, o conselho também deve discutir formas de apoiar o ex-presidente e fazer frente ao que os correligionários classificam de "escalada de ataques" contra ele. 

"As ameaças crescentes ao Estado Democrático de Direito, a ofensiva reacionária para criminalizar o PT e a escalada de ataques ao companheiro Lula são temas prioritários na reunião do Conselho Político da Presidência do PT", diz nota publicada nesta segunda pelo presidente da legenda, Rui Falcão. "Naturalmente, será uma ocasião para expressarmos, novamente, nossa solidariedade e apoio ao ex-presidente", segue a nota.

Na sexta-feira, 12, Lula se reuniu na capital paulista com o conselho do seu instituto. À ocasião, membros do conselho quiseram falar de estratégia de defesa do petista, mas o ex-presidente barrou o assunto. No fim do dia, ele se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e ela se comprometeu a assumir um discurso de defesa moderada de seu antecessor. 

Nesta segunda, a expectativa é que Lula fale sobre as investigações do sítio que frequentava em Atibaia, de propriedade de Fernando Bittar e Jonas Suassuna. A Lava Jato investiga se a reforma feita na propriedade foi bancada por empreiteira implicadas no esquema de corrupção da Petrobras. O Ministério Público de São Paulo também investiga o caso, por indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Lula e a mulher Marisa Letícia foram convocados a depor na próxima quarta-feira, 17.

Além de Falcão e Lula, a reunião do conselho conta com nomes de governadores, prefeitos e intelectuais ligados ao partido. Estão presentes os governadores petistas Tião Viana (AC), Wellington Dias (PI) e Camilo Santana (CÊ); os prefeitos Fernando Haddad (São Paulo) e Luiz Marinho (São Bernardo do Campo); e o líder do PT na Câmara dos Deputados, Afonso Florence.

Também participam Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência, o escritor Fernando Morais, o cientista político e sociólogo Emir Sader, o jornalista Breno Altman, que é ligado ao ex-ministro José Dirceu, o escritor Eric Nepomuceno, o ex-presidente do PT-SP Paulo Frateschi, o diretor do Instituto Lula Luiz Dulci, o presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, Márcio Pochmann, o dirigente da Articulação de Esquerda Valter Pomar, a secretaria de Relações Internacionais do PT e mulher de Delubio Soares, Mônica Valente, e os sindicalistas Rafael Marques, Luiz Moreira, Artur Henrique e Juvandia Moreira Leite.

Esta é a segunda reunião do Conselho Político do PT. A primeira foi em setembro. A ideia de formar o conselho, patrocinada por Lula, foi aprovada no V Congresso do PT, em junho em Salvador. 

Esse segundo encontro foi convocado quando Nelson Barbosa assumiu a pasta da Fazenda, após a saída de Joaquim Levy. Na ocasião, Lula manifestou a interlocutores descontentamento, pois Barbosa assumiu a pasta ainda batendo na tecla do ajuste fiscal e sem avançar nas pautas para retomada do crescimento. Lula tem insistido em medidas de estímulo à economia via crédito.

Em meio aos avanços da oposição sobre Lula para reaquecer processos de impeachment ou de cassação de Dilma Rousseff, o partido aposta em propostas para retomar a economia como saída para a crise política. Uma das propostas apresentadas e que vai ser discutida no conselho é a criação de um "Plano Nacional de Emergência" para retomar o crescimento do País.


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Lula é vítima de 'caça a uma liderança nacional', afirma Wagner

Após ter participado da conversa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, na última sexta-feira, 12, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner afirmou nesta segunda-feira, 15, que o encontro entre a presidente e seu antecessor "foi extremamente positivo, sem nenhuma novidade", mas confirmou que os dois conversaram sobre as recentes denúncias envolvendo Lula, as quais o ministro classificou como "uma caça".

"Evidentemente se falou sobre esse ataque sistemático que está sendo feito em torno ao ex-presidente. Eu acho que é uma coisa clara. É uma caça a uma liderança nacional", disse. "Poderia ser uma caça a um bandido. Nesse caso é uma caça praticamente constante", afirmou.

O ministro disse, entretanto, que o ex-presidente não fez apelos para que Dilma e o governo o defendessem. "Não é próprio dele". Segundo o ministro a conversa entre Dilma e Lula tratou ainda da conjuntura política e econômica e ainda abordou a questão da mobilização em torno do combate ao mosquito Aedes aegypti.

Um dia depois da conversa com Lula, durante uma visita à Favela Zeppelin, na zona oeste do Rio, durante a campanha contra o zika vírus, Dilma pela primeira vez se manifestou publicamente a respeito das suspeitas contra Lula na Operação Lava Jato.

"Acho que ele está sendo objeto de uma grande injustiça. Eu respeito muito a história do presidente Lula e tenho certeza que este processo será superado, porque acredito que o País, a América Latina e o mundo precisam de uma liderança com as características do presidente Lula", disse a presidente quando questionada sobre o encontro que teve na sexta-feira com seu antecessor.

Nesta segunda-feira, Lula está reunido com o chamado Conselho Político do PT, em São Paulo. Convocado para discutir a conjuntura atual do País e propor saídas para a crise econômica, o colegiado também deve discutir formas de apoiar o ex-presidente e fazer frente ao que os correligionários classificam de "escalada de ataques" contra ele.

Impeachment
Conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira, com o início efetivo dos trabalhos do Congresso esta semana, a oposição pretende explorar o avanço das investigações que envolvem o ex-presidente para tentar desgastá-lo, enfraquecer o nome do petista como candidato ao Palácio do Planalto em 2018 e ainda reacender o debate sobre o afastamento da presidente Dilma – seja pela via do impeachment ou por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassação da chapa composta com o vice-presidente Michel Temer (PMDB).

A primeira iniciativa concreta da estratégia será propor a convocação de Lula para depor na CPI que investigará denúncias de fraudes contra a Receita Federal por bancos e grandes empresas. As suspeitas são de que houve pagamento de propinas para manipular julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) em casos de sonegação fiscal.

A criação da CPI foi autorizada no início do mês pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adversário do governo Dilma.

Lula é alvo de uma série de apurações formais. A Operação Zelotes investiga, além das irregularidades no Carf, um esquema de "compra" de medidas provisórias em seu governo. 

O Ministério Público de São Paulo apura a suspeita de ocultação de patrimônio relacionada à compra de um tríplex no Guarujá, no litoral paulista. Lula admite ter visitado o imóvel com o então presidente da empreiteira OAS, Léo Pinheiro, condenado à prisão, mas nega ser proprietário do apartamento.

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