Lula diz que não deve, não teme e critica condução coercitiva da PF

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Lula: "A minha indignação é pelo fato de 6 horas da manhã terem chegado na minha casa, vários delegados, aliás, muito gentis, não sei se são sempre assim, mas muito gentis, pedindo desculpas que estavam cumprindo uma decisão judicial”

Em um pronunciamento rápido, na sede do Diretório Nacional do PT na Capital, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia, deflagrada nesta sexta-feira, 4, disse que não deve e não teme. "Se o juiz (Sérgio) Moro quisesse me ouvir, bastaria mandar um ofício que eu iria, como sempre fui", disse o ex-presidente para amigos e militantes que foram ao diretório petista prestar apoio e solidariedade.

Lula considerou desnecessária a condução coercitiva de que foi alvo hoje e disse aos militantes que nunca teve nada fácil na sua vida e pensava que poderia se aposentar aos 70 anos e ser apenas cabo eleitoral. Ele classificou o comportamento da Polícia Federal e do Ministério Público Federal de "muito grave" lembrando que sempre valorizou essas instituições e já prestou vários depoimentos em investigações. No dia 5 de janeiro, chegou a suspender suas férias para prestar depoimento em Brasília, a convite da Polícia Federal.

"Lamentavelmente estamos vivendo um processo de que a pirotécnica vale mais do que qualquer coisa, do que a apuração séria. Valorizo e valorizei muito nossas instituições, mas de qualquer forma nada disso diminui a minha honra, eles acenderam em mim a chama de que a luta continua", disse o ex-presidente da República."


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'Eu me senti prisioneiro hoje', desabafa Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da Operação Aletheia, ápice da Lava Jato, afirmou que se sentiu "prisioneiro hoje". Na manhã desta sexta-feira, 4, o petista foi conduzido coercitivamente – quando o investigado é levado para depor e liberado – pela Polícia Federal. Lula prestou depoimento por mais de três horas em uma sala no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

"A minha indignação é pelo fato de 6 horas da manhã terem chegado na minha casa, vários delegados, aliás, muito gentis, não sei se são sempre assim, mas muito gentis, pedindo desculpas que estavam cumprindo uma decisão judicial e a decisão era do juiz Moro", declarou Lula em entrevista coletiva na sede do PT.

No discurso, o ex-presidente criticou a imprensa pelo que considera um "espetáculo midiático" e disse que "hoje quem condena as pessoas são as manchetes".

"Eu me senti ultrajado, como se fosse prisioneiro, apesar do tratamento cortês do delegado da Polícia Federal. Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. A jararaca tá viva, como sempre esteve", afirmou.

Lula disse que o juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato, poderia tê-lo intimado. "Poderia ter mandado um comunicado. ‘Ô seu Luiz Inácio, quer prestar depoimento em Curitiba?’ Eu gosto de Curitiba, eu poderia ir lá em Curitiba. Assim me facilitava, não precisava pagar uma passagem para ir a Curitiba. Poderia me convidar em Brasília. Eu ia", disse.

"Eu me senti prisioneiro hoje. Eu, sinceramente, já passei por muita coisa na minha vida, não sou homem de guardar ressentimento, guardar mágoa, mas não pode continuar assim."

Para a Procuradoria, "há evidências de que o ex-presidente Lula recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento tríplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras.

"Eu acho que eu merecia um pouco mais de respeito neste País."

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