Líder do governo defende inclusão de fala de Odebrecht como prova contra Dilma

FOTO: Pedro França/Agência Senado

Aloysio Nunes: "Essas declarações ajudam a formar a convicção de que ela não pode permanecer na Presidência da República”

O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), defendeu no sábado, 4, a inclusão das revelações feitas pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht como prova no processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Para o tucano as declarações do empresário deverão ajudar a convencer senadores indecisos de que a petista não tem condições de voltar a comandar o País.

Segundo reportagem da revista IstoÉ, em acordo de confidencialidade com a Operação Lava Jato, Odebrecht teria afirmado que Dilma pediu pessoalmente uma doação de R$ 12 milhões para sua campanha eleitoral em 2014. Conforme a publicação, o empreiteiro diz que o então tesoureiro da campanha Edinho Silva, pediu o montante, mas Odebrecht se recusou a pagar. O empresário, então, teria procurado Dilma, que teria afirmado: "É para pagar". 

"Essas declarações ajudam a formar a convicção de que ela não pode permanecer na Presidência da República. É mais uma elemento para corroer aquela fímbria de autoridade que ela tinha", disse Aloysio Nunes. Para o senador, as falas de Odebrecht devem ser levadas em consideração no julgamento do impeachment. "Isso contribui para desmoronar aquela imagem virginal que ela o PT construíram dela e da gestão dela".

Na avaliação do tucano, o próprio advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, abriu espaço para essa inclusão, ao pedir ontem na comissão do impeachment do Senado a inclusão como prova dos áudios em que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) defende estancar as investigações da Lava Jato. "Já que é para falar do conjunto da obra, fica evidente que (a declaração de Odebrecht) deve ser levada em consideração", disse.

Na sessão da comissão do impeachment do Senado desta sexta-feira o pedido de Cardozo foi negado pelo relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). O tucano sustentou que os áudios de Jucá são estranhos ao processo. "Os áudios não são fatos novos, não alargam o objeto. Não são estranhos ao processo eles são o processo", rebateu o advogado de Dilma.


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Senador tucano defende divulgação integral de conteúdo das delações

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) defendeu no sábado, 4, que o conteúdo das delações premiadas no âmbito da Lava Jato deve ser divulgado na íntegra, para que toda a sociedade tenha conhecimento e os senadores possam decidir sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff com mais elementos. 

"Nada disso me surpreende", comentou ele, a respeito da informação publicada pela revista IstoÉ, segundo a qual Dilma teria dito ao empresário Marcelo Odebrecht que ele deveria pagar os R$ 12 milhões pedidos por Edinho Silva, então tesoureiro de sua campanha à presidência em 2014. Essa informação constaria da delação do empreiteiro. 

"A revelação desmascara a tentativa de Dilma Rousseff e seus apoiadores de vitimizá-la", avaliou Ferraço. "Propina para gastos de campanha, para pagar cabeleireiro, é coisa de quem não tem pudor." 

Ele não arriscou avaliar, porém, se as novas revelações alterarão as tendências de voto na comissão do impeachment, do qual é integrante. "Mas estou convicto que o retorno dela é um desastre absoluto." As delações não integram formalmente o processo de impeachment, que trata de pedaladas fiscais, mas ajudam a compor o julgamento político que, segundo Ferraço, é dado "pelo conjunto da obra."

O senador comentou ainda que o quadro político vai-se complicando com informações como a dada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que teria negociado e repassado R$ 70 milhões em propinas, sendo R$ 30 milhões para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), R$ 20 milhões para o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e outros R$ 20 milhões para o ex-presidente José Sarney. Essa revelação foi feita pelo jornal O Globo e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.


Dilma classifica de mentirosa denúncia de que teria pedido doação de R$ 12 mi

A presidente afastada Dilma Rousseff usou as redes sociais neste sábado para responder a matéria publicada pela revista IstoÉ, na qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht, em acordo de confidencialidade com a Operação Lava Jato, afirmou que a petista teria pedido uma doação de R$ 12 milhões para sua campanha eleitoral em 2014, que não foi declarada à Justiça. A petista classificou a denúncia de "mentirosa e infundada".

Na resposta de Dilma, divulgada em nota por sua assessoria de imprensa, ela informa que "jamais intercedeu pessoalmente junto a qualquer pessoa ou empresário buscando benefícios financeiros para si ou para qualquer pessoa". E garante que "irá tomar as medidas judiciais cabíveis para reparar os danos provocados pelas infâmias lançadas contra si" e que "se mantém firme porque sabe que não há nada que possa incriminá-la".

"A ofensiva de setores da mídia com o objetivo de atacar a honra pessoal da Presidenta Dilma Rousseff não irá prosperar. Está fundada numa calúnia. Cabe aos acusadores provarem as várias denúncias, vazadas de maneira seletiva, covardemente trazidas por veículos da imprensa que não têm compromisso com a verdade", diz a nota divulgada nas páginas da presidente afastada nas redes sociais.

Na reportagem da Revista IstoÉ deste fim de semana, é revelado que o empreiteiro, preso desde junho do ano passado, teria dito que o então tesoureiro da campanha, Edinho Silva, havia pedido a ele uma doação de R$ 12 milhões para serem repassados ao marqueteiro João Santana e ao PMDB. De acordo com a publicação, Marcelo se recusou a fazer o repasse e resolveu tratar do assunto pessoalmente com Dilma. "Presidente, resolvi procurar a sra. para saber o seguinte: é mesmo para efetuar o pagamento exigido pelo Edinho?" "É para pagar", respondeu Dilma, segundo a revista.

Edinho também negou as declarações, as quais classificou como "show explícito de mentiras" somente para atacar Dilma. O ex-ministro diz que "jamais pediu recursos que não fossem doados legalmente".

Porto Alegre. A presidente afastada está neste sábado, 4, em Porto Alegre, mas de acordo com assessores retorna a Brasília por volta das 19 horas. Ontem, ela participou de dois eventos na capital gaúcha. Hoje, não teve eventos e nem pedalou pela manhã, como costuma fazer quando está na cidade. Dilma aproveitou a manhã de sábado para visitar a filha e os dois netos.

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