Leonardo Picciani é reeleito líder do PMDB na Câmara por 37 votos a 30

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O líder reeleito com apoio do Palácio do Planalto disse que o resultado estava dentro do esperado, muito embora, na véspera, contabilizava um mínimo de 42 votos

O deputado federal Leonardo Picciani (RJ) foi reeleito no final da tarde desta quarta-feira, 17, líder do PMDB na Câmara em 2016. Picciani derrotou Hugo Motta (PB), seu único adversário na disputa, por 37 votos a 30. Houve ainda dois votos em branco. 

A recondução do parlamentar carioca à liderança do PMDB representa uma vitória para o governo, que tinha Picciani como candidato favorito, e derrota para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que articulou e apoiou a candidatura de Motta.

A recondução de Picciani deverá ter impacto importante para o Planalto e na definição do futuro da presidente Dilma Rousseff – alvo da discussão de um processo de impeachment na Câmara. Isso porque o líder do PMDB indicará os oito integrantes da comissão especial do impeachment na Casa a que o partido tem direito.

Além disso, Picciani será o responsável indicar, neste ano, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Considerada o principal colegiado da Câmara, a CCJ é responsável por votar a admissibilidade de todas as matérias que tramitam na Casa e por julgar recursos de Cunha no processo no Conselho de Ética.

Para conseguir se eleger, Picciani articulou a volta de deputados do PMDB que estavam licenciados, como Pedro Paulo e Marco Antonio Cabral, que se licenciaram de secretarias na prefeitura do Rio e governo do Estado do Rio de Janeiro para apoiar o conterrâneo.

Com a anuência do Planalto, o ministro da Saúde, Marcelo Castro (PI), também pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira para voltar à Câmara e apoiar Picciani. A atitude foi alvo de críticas devido à crise da saúde pública, em meio ao surto de dengue e zika, vírus causador da microcefalia.


LEIA MAIS…

Após vitória, Picciani diz que buscará diálogo com Cunha

Após derrotar Hugo Motta (PB), candidato apoiado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por 37 votos a 30, o líder reeleito do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), disse que buscará diálogo com o presidente da Câmara.

Picciani minimizou a derrota sofrida por Cunha na tarde desta quarta-feira, 17. O presidente da Câmara havia se engajado profundamente na campanha de Motta e, ao contrário do ano passado, foi ao plenário votar. "Aqui não tem derrotados, nem vencidos nem vencedores. Aqui, a vitória é de toda bancada do PMDB que vai, respeitando as suas divergências, caminhar junta no ano de 2016", afirmou Picciani.

Questionado sobre a quem, ele ou Cunha, cabe buscar o tal diálogo, ele tomou para si a responsabilidade. "(Cabe) a todos os membros da bancada. O líder tem o papel de ser o catalizador disso e cumprirei com este papel", disse Picciani.

O líder reeleito com apoio do Palácio do Planalto disse que o resultado estava dentro do esperado, muito embora, na véspera, contabilizava um mínimo de 42 votos. Dois deputados não votaram hoje. "Tivemos uma maioria significativa. Agora é construir. Já falei com o deputado Hugo Motta. Vamos trabalhar a unidade da bancada", afirmou. Ele nega que tenha sido auxiliado pelo governo federal.

Caberá a Picciani, contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, indicar os representantes do PMDB que comporão a comissão que analisará o impedimento da petista. Ele disse que fará uma composição equilibrada. "Indicaremos na comissão do impeachment todas as correntes de pensamento do partido. No momento em que for chamado, faremos. Não há nenhuma dúvida de que todos estarão representados na comissão", afirmou Picciani.

Após a vitória, Leonardo Picciani recebeu telefonemas de felicitações. Uma das ligações foi do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), seu aliado. Mas aliados de Cunha também fizeram questão de felicitar o novo líder. Foi o caso de Manoel Júnior (PB), que acompanhou a entrevista coletiva atrás do líder e o abraçou em seguida.


Cunha diz que não se sente derrotado: 'apenas apoiei o candidato com menos votos'

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), minimizou na noite desta quarta-feira, 17, a derrota de Hugo Motta (PR), candidato apoiado por ele na disputa pela liderança do PMBD na Casa. Para Cunha, o resultado da votação não representa derrota nem vitória para ele ou para o governo.

"Eu não perdi, pois não estava disputando. Quando eu concorri nunca perdi. Apenas apoiei o candidato com menos votos", declarou Cunha, admitindo que errou o prognóstico da votação. Motta perdeu a disputa para Leonardo Picciani (RJ), seu único adversário, por 37 votos a 30. Houve dois votos em branco.

"Eleição de Picciani não é vitória nem derrota de ninguém. Eu diria que Hugo Motta é até mais defensor do governo, inclusive votou na presidente Dilma Rousseff", disse o presidente da Casa.

Cunha avaliou que a vitória de Picciani não interfere na continuidade do processo de impeachment contra a presidente, instaurado por ele. A derrota de seu candidato também não demonstra um enfraquecimento de sua influência no partido, diz Cunha. "Não estou nem nunca estive isolado na bancada do PMDB."

Em entrevista coletiva após a eleição, Cunha reconheceu a vitória de Picciani. "Na última votação, em 2015, foi uma vitória artificial porque houve apenas um voto de diferença. Desta vez a diferença foi considerável. Ele venceu".

Questionado se acha que houve irregularidades na campanha por parte de Picciani, o presidente da Câmara afirmou que, se aconteceu, "certamente será uma questão de tempo para isso se tornar público". "Eu não quero falar, não cabe a mim falar, porque não sou candidato. Aí vocês têm que ir para o Hugo. Se isso aconteceu, certamente vai se tornar público".

Compartilhar: