Goldman diz que afastamento de Cunha será benéfico, assim como o de Dilma

Foto: George Gianni

Alberto Goldman : “Será benéfico para o País. Ele (Cunha) sem dúvidas perdeu condições minimamente de ter qualquer credibilidade"

Vice-presidente nacional do PSDB, o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman considera positivo o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do cargo de deputado federal. "Será benéfico para o País, ele (Cunha) sem dúvidas perdeu condições minimamente de ter qualquer credibilidade", disse Goldman à reportagem. "Dois afastamentos são benéficos para o País, o do Cunha primeiro e o da Dilma depois", completou.

Goldman rechaçou o argumento de Cunha de que está sendo perseguido pelo Planalto. "O fato concreto é que ele está sendo perseguido é pelo passado dele", ironizou.

O dirigente tucano afirmou que já há tempos tem certeza que Cunha cairá e que Dilma também. "Não tenho mais dúvida do desfecho nos dois casos. A questão do impeachment é inexorável, assim como Cunha. Há algumas semanas disse que Cunha é 'carne morta' e no caso da Dilma é semelhante, é questão de tempo", afirmou.

Sobre a mobilização pró-impeachment no último domingo, 13, Goldman disse que "passeata é coisa do passado" e que a economia "passará o atestado de óbito" do governo Dilma. "Rua não é só asfalto, é povo e o sentimento do povo a gente sabe qual é."

Constrangimento
Goldman admitiu que o PSDB sofre um constrangimento por ter se aliado com Cunha meses atrás, em estratégias para ver aprovado o pedido de impeachment contra Dilma. "Alguns líderes nossos pecaram, mas já se redimiram", afirmou.

Segundo o tucano, talvez alguns membros do partido "não tivessem clareza" das suspeitas que recaem sobre o peemedebista. "Foi inconveniente esse tipo de associação que fizemos, mas aqueles que fizeram já reconheceram que foi um desvio", concluiu.


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Líder do PPS pede que Cunha se afaste como 'gesto de grandeza'

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), defendeu na tarde de ontem, 16, que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se afaste do cargo como um "gesto de grandeza". O pedido foi feito logo após Bueno tomar conhecimento de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do peemedebista do cargo de deputado. 

"O presidente Eduardo Cunha não tem condições de permanecer no cargo", afirmou. "Cabe a ele então pedir seu afastamento como um gesto de grandeza", acrescentou o líder do PPS. Bueno destacou que a decisão da PGR está de acordo com o discurso da sigla, que desde outubro, vem pedindo à saída de Cunha. 

Pedido
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao Supremo o afastamento de Cunha do cargo de deputado federal e, consequentemente, das funções na Presidência da Casa. O pedido foi protocolado no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato na Corte. 

O pedido deve ser analisado em plenário pelos 11 ministros do Tribunal, ainda sem data marcada. No pedido, Janot lista uma série de eventos que indicam suposta prática de "vários crimes de natureza grave" como uso do cargo a favor do deputado, integração de organização criminosa e tentativa de obstrução das investigações criminais.

"O Eduardo Cunha tem adotado, há muito, posicionamentos absolutamente incompatíveis com o devido processo legal, valendo-se de sua prerrogativa de Presidente da Câmara dos Deputados unicamente com o propósito de autoproteção mediante ações espúrias para evitar a apuração de sua condutas, tanto na esfera penal como na esfera política", escreveu Janot na peça de 183 páginas. 

De acordo com o procurador-geral, o objetivo da medida é garantir a ordem pública para evitar nova pratica de crimes e o "regular andamento da instrução e aplicação da lei penal".

Repercussões
O deputado Silvio Costa (PSC-PE), vice-líder do governo na Câmara, fez questão de ser o primeiro a comemorar a decisão da PGR de pedir o afastamento de Cunha. "Mais uma vez fica legitimado que o atual presidente não tinha condições morais e éticas para acolher um impeachment", disse Costa. 

Para o parlamentar, Cunha não decidiu antes dar andamento ao processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff porque "optou" por tentar fazer chantagem com o governo. "Fica provado que impeachment é a vingança de um homem desqualificado", afirmou. 

Já o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), leu em plenário a reportagem do Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que antecipou a decisão de Janot de pedir ao STF o afastamento de Cunha. Renan, que cedeu a palavra ao petista, não teceu qualquer comentário. Um aliado de Renan afirmou reservadamente que já sabia há pelo menos duas horas que Janot iria apresentar esse pedido.


Governistas defendem que STF julgue afastamento de Cunha antes do recesso

Líderes governistas na Câmara comemoraram o pedido de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato de deputado federal e da presidência da Câmara feito na noite de ontem, 16, pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para lideranças, o pedido é uma sinalização que ajuda a restaurar a credibilidade do parlamento e deve ser analisado pelo STF antes do recesso.

"Esse pedido é muito bem vindo para o País e seguramente está muito embasado. Ele ajuda a normalizar a situação política do Brasil", afirmou Henrique Fontana (RS), vice-líder do PT. Isso porque, para o petista, a principal causa da crise política que o País enfrenta "chama-se Eduardo Cunha e todos os desmandos que ele faz". Fontana avaliou que o pedido da PGR enfraquece a legitimidade o processo de impeachment, deflagrado por Cunha.

O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), destacou que, mesmo ainda não tendo sido analisado pelo STF, o pedido da PGR é um passo importante em direção à restauração da credibilidade do Parlamento, segundo ele, bastante abalada pelas denúncias de corrupção contra deputados. Alencar defendeu engajamento da população para pressionar o Supremo a afastar Cunha. "Só clamor popular fará com que a Justiça não falhe e não tarde", disse.

Líder da Rede na Casa, Alessandro Molon (RJ) se disse "contente" com a solicitação da PGR. Ele lembrou que seu partido, junto com o PSOL, já tinham pedido à Procuradoria que afastasse o presidente da Câmara. Molon defendeu que o Supremo analise o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes do início do recesso parlamentar de fim de ano.

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