Em pronunciamento, Temer deve focar em ‘problemas’ deixados por Dilma na economia

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A expressão "herança maldita" tem sido evitada por auxiliares de Temer, mas a ideia é apontar os "buracos" deixados pelo governo do PT

Em reunião realizada na noite de terça-feira, 14, o presidente em exercício, Michel Temer, foi orientado por lideranças do governo e do PMDB no Congresso para ressaltar em pronunciamento à Nação problemas deixado pelo governo Dilma Rousseff na área da economia.

A expressão "herança maldita" tem sido evitada por auxiliares de Temer, mas a ideia é apontar os "buracos" deixados pelo governo do PT, principalmente em áreas de infraestrutura.

Segundo relatos, a equipe de Temer deve fazer um levantamento até o final desta semana sobre a situação de entrega das unidades do programa Minha Casa Minha Vida, do andamento das obras voltadas para o transporte público, como Metro e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que têm participação do governo federal. Além disso, também será feito um raio X nos recursos disponíveis no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

"A orientação é levantar tudo e mostrar o que eles deixaram para nós, que é algo insustentável", afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo um integrante da cúpula do PMDB, que esteve reunido com Temer na noite de ontem.

A previsão inicial é que Temer faça o pronunciamento à Nação, em cadeia nacional de rádio e TV, nesta sexta-feira, 17, ou na próxima segunda-feira (20). A definição da data vai depender do tempo que os auxiliares levarão para computar os dados do governo Dilma.


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Em entrevista depois de visitar as instalações do Parque Olímpico, na zona Oeste do Rio, e se reunir com ministros e autoridades do Estado e do município, o presidente interino Michel Temer afirmou nesta terça-feira não ter preocupação, "nem minimamente", com a possibilidade de a votação definitiva sobre o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff coincidir com os Jogos Olímpicos Rio-2016. "O Brasil não vive em função dos que o dirigem, mas do seu povo", afirmou Temer. "O povo não estará preocupado com isso, estará preocupado com a pujança do Brasil", completou o presidente em exercício.

Questionado sobre a presença de Dilma na cerimônia de abertura, no dia 5 de agosto, Temer disse não ter objeção, mas ressaltou que é um assunto "da organização da Olimpíada". "Para mim, tanto faz", declarou. "Falo em pacificação do País. Não podemos mais ter brasileiros disputando com brasileiros", afirmou Temer, que apontou os Jogos Olímpicos como uma "possibilidade de reunificação do pensamento nacional".

Temer voltou a prometer ajuda financeira da União nesta etapa final da organização e prometeu que, até a próxima semana, estará "equacionado" o empréstimo de R$ 1 bilhão para o Estado concluir as obras da linha 4 do metrô. O Tesouro Nacional tem resistido em autorizar o financiamento, por grave crise financeira por que passa o Rio de Janeiro. 

"Vamos colaborar não apenas com palavras, mas com as necessidades de natureza financeira. Estamos produzindo um fato extraordinário para o Brasil. Vamos ter uma conversa mais adiante (sobre os recursos para o metrô) para equacionarmos até a semana que vem", disse Temer.

Antes da visita pelo Parque Olímpico, na zona oeste do Rio, o presidente em exercício reuniu-se com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach. "O presidente do COI registrou o fato de que 5 bilhões de pessoas acompanharão a abertura dos Jogos e estarão com os olhos voltados para nosso país", afirmou Temer. 

PROTESTO – A Polícia Militar e o Exército expulsaram manifestantes contra Michel Temer, durante visita do presidente em exercício ao Parque Olímpico. Cerca de 30 pessoas levaram cartazes contra o "golpe", como se referem ao processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e tentaram se aproximar da área onde estavam as autoridades. Pelo menos um manifestante foi detido. 

Temer visitou as instalações olímpicas e se reuniu com Bach, ministros, autoridades estaduais e municipais. Questionado sobre a manifestação durante entrevista, Temer não respondeu.

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