Em Londres, analista prevê 100% de chance de Temer cair antes do fim do mandato

José Cruz/Agência Brasil

Canal de notícias salienta que Temer tem estado sob crescente pressão para renunciar desde que novas denúncias de corrupção surgiram na semana passada

Célia Froufe, correspondente

A rede de televisão CNBC entrevistou na manhã desta segunda-feira, 22, o diretor de pesquisa macro da América Latina da Oxford Economics, Marcos Casarin, que está baseado em Londres, sobre a situação do presidente do Brasil, Michel Temer, que está no centro da mais nova crise política doméstica. "Poucas pessoas acreditam que ele vai ficar até o fim de seu mandato no final de 2018", disse, acrescentando que há uma chance de "100%" de ele sair antes do fim do seu mandato. O Broadcast já havia entrevistado Casarin na manhã do dia 18, antes de os mercados brasileiros se tornarem um caos e serem suspensos, com esse prognóstico.

O canal de notícias salienta que Temer tem estado sob crescente pressão para renunciar desde que novas denúncias de corrupção surgiram na semana passada e que manifestantes tomaram as ruas durante o fim de semana. Além disso, mencionou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) votou para apoiar o impeachment do presidente.

"Ele obviamente vai negar os fatos, mas as gravações são bastante conclusivas e elas foram tornados públicos na noite de quinta-feira e sexta-feira e eu acho que todo mundo teve tempo suficiente para digerir a notícia", disse Casarin à tevê. A CNBC lembra que Temer assumiu o comando da Presidência do Brasil após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O canal trouxe ainda que a nova turbulência política no Brasil reduziu os preços dos ativos na semana passada, com as estatais de petróleo, Petrobras, e do Banco do Brasil sendo as mais atingidas. Casarin avaliou, no entanto, que os escândalos políticos não significam falta de oportunidades para os investidores.

"Isso abre oportunidades para os investidores porque os ativos brasileiros passaram por um rali maciço desde o início do ano, praticamente desde a eleição de Trump (…) esses ativos são substancialmente mais baratos agora", observou citando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, eleito no fim do ano passado.

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Probabilidade de Temer cair sobe de 20% para 70%, diz Eurasia

Altamiro Silva Junior

A consultoria norte-americana de risco político Eurasia atribui nesta segunda-feira, 22, probabilidade de 70% de o presidente Michel Temer cair, acima dos 20% estimados desde dezembro do ano passado. O cenário mais provável é que a saída do peemedebista do governo ocorra "rapidamente", de acordo com relatório divulgado nesta segunda.

A Eurasia ressalta que existem crescentes dúvidas sobre as evidências e acusações que implicam Michel Temer, mas a possibilidade de o presidente permanecer no Planalto se reduziu nos últimos dias. "Caso o peemedebista sobreviva, as chances são de 30%, apenas uma versão muito esvaziada da reforma da Previdência poderia ser aprovada", escrevem os analistas da consultoria especializados em Brasil, João Augusto de Castro Neves, Christopher Garman, Filipe Gruppelli Carvalho e Djania Savoldi.

Temer adotou a estratégia nos últimos dias de desqualificar as acusações do empresário da JBS, Joesley Batista, e declarou em seus dois discursos oficiais desde a última quinta-feira que não pretende renunciar, ressalta o relatório. Por isso, a Eurasia avalia que a forma mais provável de o presidente perder o cargo será no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para o dia 6 de junho e que vai avaliar irregularidades na chapa que o elegeu junto com Dilma Rousseff em 2014. 

A Eurasia ressalta que já existem denúncias suficientes sobre irregularidades no financiamento da campanha que elegeu a chapa Dilma/Temer em 2014, mas os juízes do TSE vão também levar em conta fatores políticos mais amplos. Por isso, mesmo que as denúncias recentes não façam parte do julgamento, elas certamente vão pesar na decisão dos ministro da Corte eleitoral.

"Apesar das tentativas recentes de Temer de contra-atacar, os últimos eventos sugerem que o momento político vai continuar sendo desfavorável ao presidente no Congresso, na Justiça, nas ruas, deixando-o incapaz de governar", afirma a consultoria norte-americana. 

A decisão sem precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) de investigar um presidente pode também ser um indício de que a JBS passou informações adicionais ao judiciário que ainda não vieram a público, ressalta a Eurasia, destacando que muitas das acusações feitas contra Temer ainda são inconclusivas. 

Do ponto de vista da agenda de reformas, os analistas da Eurasia avaliam que quanto mais demorada for a queda de Temer, pior será o cenário para o avanço das medidas no Congresso. Temer sempre teve forte habilidade política para negociar com o Congresso, mas a avaliação da consultoria é que essa capacidade se reduziu nos últimos dias e hoje dificilmente uma reforma relevante da Previdência seria aprovada. 

No domingo, o Planalto queria oferecer um jantar aos aliados, mas com medo de baixo quórum, resolveu fazer apenas uma reunião informal. 

A Eurasia calcula que Temer perdeu nos últimos dias ao menos 20 votos para aprovar a reforma da Previdência, com a saída da base de alguns partidos, como o PSB e o PPS. Mesmo entre os partidos que não abandonaram o governo, a resistência contra a reforma deve crescer, ressalta o relatório. Por isso, os indecisos devem pender mais para serem contra as medidas. 

Com a permanência de Temer no cargo e a agenda de reformas mais distante, o risco é da crise se prolongar e a Eurasia avalia que pode crescer a percepção de que o custo para o País de manter o peemedebista enfraquecido no Planalto é maior do que o da sua queda, o que deve aumentar a pressão para a saída de Temer.

 

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