Em depoimento à PF, Bumlai blinda Lula

Foto: Reprodução

A prisão de Bumlai provocou uma onda de especulações sobre o que ele poderia revelar acerca de sua relações com o ex-presidente. Lula e Bumlai são amigos desde 2002. Na época, Lula o visitou em uma de suas fazendas em Mato Grosso

O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai blindou o amigo e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu depoimento à Polícia Federal na segunda-feira, 14. Bumlai disse que Lula "é sim seu amigo, que mantinham encontros em finais de semana e que possuíam uma regra de que não se permitiam discutir assuntos econômicos ou políticos em tais ocasiões".

Bumlai está preso desde o dia 24 de novembro, quando foi alvo da Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. A Passe Livre é uma referência ao trânsito aberto que Bumlai desfrutava no Palácio do Planalto durante o governo do petista.

Lula e Bumlai são amigos desde 2002. Na época, Lula o visitou em uma de suas fazendas em Mato Grosso. Por indicação do petista, Bumlai ganhou um assento no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, "pois sabia de seus projetos e conhecimentos atinentes a questão agrícolas e de reforma agrária". O pecuarista tinha até um crachá com o qual acessava livremente as dependências do Planalto.

A prisão de Bumlai provocou uma onda de especulações sobre o que ele poderia revelar acerca de sua relações com o ex-presidente. Interrogado ontem, o pecuarista foi questionado pela Polícia Federal sobre sua proximidade com Lula.

O pecuarista, no entanto, blindou o ex-presidente. "Recebia diversas propostas, cartas, mensagens, das mais diversas pessoas que, por saberem da relação de amizade de ambos, pediam-lhe que fossem encaminhados ao presidente. O interrogando nunca atendeu a qualquer um destes pedidos", diz o texto da depoimento de Bumlai. 

Transação
Bumlai é alvo da Passe Livre por suspeita de participar de um esquema de corrupção na contratação da Schahin Engenharia, em 2009, como operadora do navio-sonda Vitoria 10.000, da Petrobras.

De acordo com as investigações, a assinatura do contrato de operação da sonda em favor da Schahin ficou condicionada à quitação fraudulenta de um empréstimo de R$ 12 milhões concedido pelo Banco Schahin em 2004 a Bumlai e que beneficiou o PT.

Também neste trecho de seu interrogatório, Bumlai poupou o amigo. "Nunca solicitou a Luís Inácio Lula da Silva que mantivesse qualquer diretor da Petrobrás em seu cargo."

Em mais de uma oportunidade, Bumlai reiterou que Lula não se envolveu em suas demandas comerciais e nos negócios da Petrobras. O pecuarista negou ter feito lobby pelo grupo Schahin na estatal ao citar os nomes de personagens emblemáticos da Operação Lava Jato, todos presos por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro – Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, suposto operador de propinas do PMDB, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró. Apontou também o ex-gerente executivo da área Internacional da estatal Luiz Moreira.

"Nunca pediu a Fernando Baiano, João Vaccari Neto, Nestor Cerveró, Luiz Moreira e Luis Inácio Lula da Silva qualquer espécie de interferência interna na Petrobras que viesse a agilizar a contratação da Schahin", disse. "Aliás, gostaria de reforçar que nunca procuraria o então presidente da República para que este interferisse nesta ou em qualquer outra questão comercial", disse o pecuarista.


LEIA MAIS…
Bumlai confessa farsa dos embriões no empréstimo de R$ 12 mi para o PT

Em depoimento de mais de 6 horas à Polícia Federal, o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, confessou a farsa dos embriões na operação fraudulenta para quitar o empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin destinado ao PT. "Confesso que nunca houve a entrega de quaisquer embriões para as fazendas do Grupo Schahin", declarou Bumlai.

O amigo de Lula está preso em Curitiba desde 24 de novembro, quando foi capturado na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. Bumlai é o protagonista de uma transação financeira que se transformou em um pesadelo para o PT. Em troca da concessão dos R$ 12 milhões, o Grupo Schahin ganhou um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitoria 10000, da Petrobrás. Segundo Bumlai, o dinheiro foi repassado para o PT.

O amigo de Lula havia declarado em um primeiro momento que uma operação de dação de "embriões de gado de elite" para agropecuárias do Grupo Schahin foi a saída para quitação formal do empréstimo de R$ 12 milhões realizado em 2004.

No depoimento desta segunda, ele revelou a farsa. "Acreditava que com a assinatura do contrato (com a Petrobrás) a Schahin quitaria sua dívida; que, passado mais um tempo, o interrogando foi procurado por um advogado da Schahin, cujo nome não se lembra, para articular uma forma de quitar a dívida; que o advogado esclareceu que havia necessidade em se simular uma operação que envolvesse bens móveis; que os únicos bens móveis que o interrogando poderia fornecer seriam embriões bovinos", declarou.

"Toda a materialização da operação de venda de embriões foi executada pela Schahin, competindo ao interrogando apenas a emissão das notas fiscais, por causa da localidade dos embriões – Campo Grande/MS; que a operação envolvendo os embriões não demandava o pagamento de ICMS; que dentre os papéis produzidos para a quitação da dívida, recorda-se da existência de um instrumento de confissão de dívida de cerca de sessenta milhões de reais; que tal documento causou estranheza ao interrogando; que este documento foi encaminhado pelo advogado da Schahin ao advogado do interrogando que não tinha ciência de que toda a operação de quitação do empréstimo era simulada."


PT usou laranjas para pegar dinheiro do Schahin, afirma amigo de Lula

O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, afirmou à Polícia Federal, que ‘realmente acredita’ que o PT tomou empréstimos junto ao Banco Schahin, através de laranjas. Segundo ele, esses empréstimos destinavam-se à formação de "caixa dois" para campanhas eleitorais do partido.

Bumlai falou por mais de 6 horas à PF. Pela primeira vez, ele confessou que o PT foi o destinatário de R$ 12 milhões que ele tomou emprestado do Schahin em 2004. Em um primeiro depoimento, na última sexta, 11, o amigo de Lula havia negado taxativamente que o valor tinha sido repassado para o partido.

O pecuarista foi preso no dia 24 de novembro, na Operação Passe Livre. Acuado, Bumlai partiu para o contra ataque e jogou sobre o empresário Salim Schahin, do Grupo Schahin, a responsabilidade sobre transações financeiras ilícitas em benefício do PT. Em troca dessas operações, o grupo obteve contrato de US$ 1,6 bilhão do navio-sonda Vitoria 10000 com a Petrobras.

"Gostaria de esclarecer que os negócios do Partido dos Trabalhadores com a Schahin não se limitaram ao empréstimo tomado pelo interrogando", declarou. "O interrogando acredita que Salim Schahin tenta usar este empréstimo (R$ 12 milhões) para ocultar outras operações e negócios envolvendo seu grupo com o Partido dos Trabalhadores; que realmente acredita que o PT possa ter tomado outros empréstimos junto ao Banco Schahin, através de laranjas; que acredita que tais empréstimos destinavam-se à formação de "caixa dois" para campanhas do partido."

Em nota, o PT disse que "todas as doações recebidas pelo PT aconteceram estritamente dentro da legalidade e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral."

Compartilhar: