Em ato contra o PT, manifestantes distribuem acarajés na Câmara

Foto: Agência Brasil

Protesto faz alusão ao nome da operação da Polícia Federal desencadeada na segunda-feira e que teve como alvo principal o marqueteiro João Santana

Em um ato contra o PT, dois manifestantes distribuíram acarajés no Salão Verde da Câmara dos Deputados na tarde desta terça-feira, dia 23. O protesto faz alusão ao nome da operação da Polícia Federal desencadeada na segunda-feira e que teve como alvo principal o marqueteiro João Santana – responsável pelas três últimas campanhas presidenciais do PT.

Sob supervisão do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), organizador dos principais protestos antigoverno na Câmara, um dos ativistas trajava bata e touca brancas, colares de miçanga e carregava a cesta de acarajés. 

O outro, de preto, usava uma máscara do agente da Polícia Federal Newton Ishii, o "japonês da Federal", e carregava um cartaz amarelo onde se lia "Lava Jato Acarajé com Pimenta – R$ 13", com destaque em vermelho para as letras P e T da palavra pimenta e para o valor, que fazia referência ao número do PT nas urnas.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passou pelo protesto quando se dirigia ao plenário, mas não interagiu com os manifestantes. Questionado sobre a operação da PF realizada na última segunda-feira, 22, evitou comentários. "Não sou comentarista de ação policial ou decisão judicial", desconversou Cunha.


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PSDB pede inclusão de provas da Operação Acarajé em ação no TSE contra Dilma

Em manifestação protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, 23, o PSDB pede que seja acrescentada no processo em que a legenda pede a cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer o compartilhamento das provas da 23ª fase da Operação da Lava Jato batizada de Acarajé.

Nas investigações, a força-tarefa da Operação Lava Jato cruzou documentos enviados dos Estados Unidos com provas reunidas em fases anteriores e números da Receita Federal para comprovar que o marqueteiro João Santana – responsável pelas campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e da presidente Dilma Roussef, 2010 e 2014 – e sua mulher e sócia, Mônica Moura, são controladores da offshore Shellbill Finance S.A., aberta no Panamá.

Contas dessa empresa receberam pelo menos US$ 7,5 milhões, entre 2012 e 2014, da Odebrecht e do operador de propinas Zwi Skornicki, sustenta representação da Operação Acarajé, deflagrada nesta segunda-feira, 22. 

"Nós já temos um conjunto de provas extremamente fortes. A gravidade do fato de o marqueteiro João Santana ser preso está no fato de que traz a campanha da Dilma para dentro da Lava Jato", disse o deputado federal Carlos Sampaio (SP), vice-presidente nacional do PSDB e coordenador jurídico do partido.

No documento encaminhado ao TSE, o PSDB também pede que feito o depoimento do empresário Zwi Skornicki. "De grande importância igualmente se faz, além de outras provas da investigação que se relacionem com a campanha eleitoral, a oitiva, como testemunha, de Zwi Skornicki, apontado como o responsável pelas remessas de valores irregulares para abastecer as contas mantidas em favor do marqueteiro João Santana no exterior", diz trecho da manifestação do PSDB.

Com 42 anos de atuação na área de petróleo e gás, Skornicki foi diretor superintendente da Odebrecht Perfuração Limitada e sócio de Alfeu Valença, ex-presidente da Petrobras, durante sete anos, na consultoria Conpet. Desde 1988, possui a Eagle do Brasil, em sociedade com a mulher, Eloisa, e o filho Bruno. A empresa funciona em um prédio comercial na Rua da Quitanda, no centro do Rio.

O endereço é o mesmo da Keppel Fels, estaleiro que Skornicki representa no Brasil. De acordo com a força-tarefa da Lava Jato com base em relatório da Receita Federal, o patrimônio de Skornicki aumentou 35 vezes entre 2003 e 2013. De R$ 1,8 milhão, passou para R$ 63,2 milhões nesse intervalo.


Aécio endurece discurso para chamar população para manifestações do dia 13

Após se reunir com líderes da oposição na Câmara e no Senado na tarde desta terça-feira, 23, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), anunciou uma estratégia mais agressiva de cerco à presidente Dilma Rousseff e convocou a população para as manifestação de 13 de Março. "Ou você vai (para a rua), ou ela (Dilma) fica" é o mote da nova campanha da oposição pelo impeachment da presidente.

"Conclamamos os nossos companheiros em todas as regiões do País para que se façam presentes nesse momento de profundo agravamento da crise política, econômica, social e moral que vem devastando o Brasil", afirmou Aécio. A fala repete a nota oficial divulgada logo em seguida e assinada pelos líderes do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade. 

O texto convoca "militantes e simpatizantes" em todos Estados e municípios para "defender o Brasil e a democracia". "Tenho muita confiança de que teremos manifestações muito consistentes e representativas nesse dia", disse Aécio.

A ideia, segundo o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), é, depois do próximo dia 13 de março, fazer eventos por cidades, como foi feito no movimento Diretas Já e no impeachment de Fernando Collor. "Ao invés de uma movimentação nacional, faríamos ações por regiões como São Paulo e Rio de Janeiro. Vamos amadurecer essa ideia, mas é um passo importante para a necessidade de mobilização da população."

A oposição acredita que o processo de impeachment ganhou mais força após o pedido de prisão do publicitário João Santana, responsável pelas últimas três campanhas presidenciais do PT, decretado nesta segunda-feira, 22, na 23ª fase da Operação Lava Jato. Santana e a mulher, Mônica Moura, que também foi presa temporariamente, desembarcaram na manhã de hoje no Brasil e se entregaram à Polícia Federal.

Aécio também anunciou que, de agora em diante, as bancadas de oposição da Câmara e do Senado trabalharão em conjunto "seja na estratégia legislativa ou, obviamente, nas ações políticas". Como já havia anunciado Cunha Lima, os líderes farão reuniões semanais. 

"Um compromisso formal de que estaremos semanalmente nos reunindo e traçando uma estratégia cada vez mais articulada e mais vigorosa no sentido de dar ao Brasil o início de um novo tempo", disse Aécio, ao lado dos deputados Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Paulinho da Força (SD-SP) e do presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP).

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