Eleição municipal mostra enfraquecimento da esquerda no País

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Pela primeira vez em sua história, o PT terminou as eleições municipais sem vencer em nenhum dos sete municípios que compõem a região do ABC

A direita foi a grande vencedora da eleição municipal de 2016. Dos 5.482 prefeitos que ganharam no primeiro turno, partidos de direita elegeram 3.292; no segundo turno, foram 28 prefeitos em 57 cidades.

Nas capitais, 16 candidatos se elegeram com propostas consideradas conservadoras.

O resultado se deve, principalmente, ao desempenho do PSDB e do PMDB. Foram eleitos 1.039 peemedebistas e 805 tucanos. Juntas, as siglas elegeram 33,5% do total de prefeitos no País. Outros três partidos alinhados à direita obtiveram resultados expressivos nas urnas: PSD (538), PP (492) e DEM (264). 30 partidos concorreram em 2016.

Ao mesmo tempo, houve enfraquecimento da esquerda, sobretudo do PT. Nas 19 capitais em que concorreram, petistas chegaram ao segundo turno em sete, mas perderam em todas. Ao todo, elegeu 254 prefeitos e apenas um em capital (Marcus Alexandre, em Rio Branco, no primeiro turno).

O PSOL teve crescimento tímido em relação a 2012. Chegou ao segundo turno em três cidades, uma a mais do que há quatro anos, mas elegeu apenas dois prefeitos, ambos em cidades do interior do Rio Grande do Norte. O PCdoB, por sua vez, elegeu apenas 80 prefeitos, o que corresponde a apenas 1,45% dos municípios.


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Pela primeira vez em sua história, o PT terminou as eleições municipais sem vencer em nenhum dos sete municípios que compõem a região do ABC, após a definição dos resultados em Santo André e Mauá, as únicas onde ainda havia alguma chance de vitória do partido.

Em Santo André, o petista Carlos Grana tentava a reeleição, mas perdeu para o tucano Paulo Serra. Grana teve apenas 20,33% dos votos válidos, contra 79,65% de Serra. Em Mauá, o prefeito Donisete Braga (PT) obteve 35,82% dos votos válidos e foi derrotado por Atila Jacomussi (PSB), que somou 64,18% dos votos válidos.

Agora, o PSDB é quem comanda a maioria das cidades do ABC (4 de 7). Uma delas é São Bernardo do Campo, reduto político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lá, Orlando Morando teve 60,44% e venceu Alex Manente (PSB), com 39,56%. As outras duas são Rio Grande da Serra e São Caetano do Sul, ambas definidas em primeiro turno.

Em Diadema, onde o PT elegeu o primeiro prefeito da sua história (Gilson Menezes, em 1982), o candidato a reeleição, Lauro Michels (PV), conquistou mais quatro anos de mandato, com 57,7% dos votos válidos, derrotando o candidato Vaguinho, do PRB, com 42,3% dos votos válidos.

PT vê cinturão vermelho ser transformado em azul em São Paulo
A eleição municipal de 2016 será marcada pelo fim cinturão vermelho paulista, expressão utilizada para representar o poder que PT teve em municípios no entorno da cidade de São Paulo, principalmente na região do ABC, berço político do partido.

Com as derrotas hoje, 30, na votação em segundo turno de Carlos Grana (PT), em Santo André (SP), e Donisete Braga (PT), em Mauá (SP), além das já ocorridas no primeiro turno, o PT não obteve o comando de qualquer município na região industrial e, consequentemente, sindical, base de sua sustentação política.

"A região virou um cinturão azul, com a vitória em cidades importantes do PSDB como em São Bernardo do Campo (Orlando Morando) e Santo André (Paulo Serra) e com o PT sequer disputando o segundo turno em vários municípios", disse cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marco Antonio Carvalho Teixeira. "Esse cinturão dificilmente voltará a ser vermelho tão cedo", completou.

Já o cientista político e professor do Insper Carlos Melo, afirmou que o fracasso do PT na região já durante a campanha presidencial em 2014, com a então presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff, fez com que os resultados de 2016 se tornassem esperados. "É o final de um ciclo, uma página virada", resumiu Melo.

Com a derrota no cinturão vermelho, na capital e também em grandes cidades paulistas, o maior município governador pelo PT no Estado de São Paulo será Araraquara. Com cerca de 229 mil moradores e 163.824 eleitores, a cidade do interior paulista figura entre 36ª e 37ª maior do Estado e sequer tem segundo turno por não ter mais de 200 mil eleitores.

Com 41.220 votos, ou 41,71% dos válidos, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Edinho Silva foi eleito em 2 de outubro para o terceiro mandato como prefeito de Araraquara, a qual já governou entre 2001 e 2008. Ao Broadcast, o Edinho, que também é ex-presidente estadual do PT, evitou comentar a perda de poder no cinturão vermelho e admitiu que as dificuldades do partido são gerais: "Nossas vitórias se tornaram exceção", afirmou o prefeito eleito.

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