Discurso de Temer foi contundente, mas também frágil, diz cientista político

José Cruz/Agência Brasil

"Chegam ao desplante de me atribuir frases, falas ou senhas ou palavras chulas que jamais cometeria. Atentam contra o meu vocabulário e a minha inteligência", diz Temer em novo pronunciamento

Daniel Galvão

O discurso feito neste sábado, 20, pelo presidente Michel Temer foi contundente, mas, ao mesmo tempo, frágil, avalia o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Como estratégia política, ele partiu para o ataque. A intenção do presidente foi desqualificar o interlocutor Joesley Batista e o áudio também, mas, em momento algum, ele se defendeu do fato de ter recebido o executivo fora da agenda e num horário praticamente clandestino", analisou.

A estratégia adotada por Temer, de, em vez de tocar nos pontos da acusação, ir na fragilidade do adversário, é muito comum neste tipo de situação, afirmou Teixeira. De acordo com o cientista político, o presidente se apegou muito na questão dos áudios e do fato de a Procuradoria-Geral da República (PGR) não ter periciado a gravação. "Não acredito ter sido um pronunciamento suficientemente forte, mas, o que podemos dizer, no entanto, é que o Temer está vivo", afirmou.

Segundo Teixeira, o enredo que envolve Temer se parece com o da ex-presidente Dilma Rousseff meses antes de ter sido tirada do cargo por meio do impeachment. "Ele já é um presidente com um padrão de apoio popular baixíssimo, de um dígito, completamente dependente do Congresso e com ameaça de cisão da base", disse.

Conforme o cientista político, o custo da governabilidade poderá ficar mais alto com a saída recente do PSB e do PTN da base. "E, se o PSDB anunciar a saída também, o governo fica sem a menor capacidade de dialogar com o Congresso."

Teixeira prevê que a abertura da agenda da Câmara, nesta semana, será de uma forma "confusa". Além disso, ele ressalta que, no Senado, há o impacto do afastamento, pela Justiça, do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do exercício do mandato. "Esta semana será uma semana de caos. A capacidade de prospecção política de Temer estará nula por este momento. O presidente está sendo investigado, esse é um peso gigantesco sobre ele."

…………………………………………..
LEIA MAIS…

Temer diz que delações da JBS atentam contra seu 'vocabulário' e 'inteligência'

Thaís Barcellos, Aline Bronzati e Álvaro Campos e Álvaro Campos

O presidente Michel Temer afirmou que a delação da JBS atentou contra "o seu "vocabulário" e a sua "inteligência". Essa foi uma das críticas feitas pelo peemedebista em seu segundo pronunciamento após o início da crise política provocada pelos depoimentos à Justiça de executivos da multinacional brasileira.

Ao mencionar as inconsistências entre a delação e o áudio que comprovaria as denúncias do sócio da empresa, Joesley Batista, Temer diz que houve falso testemunho à Justiça. E completa: "Chegam ao desplante de me atribuir frases, falas ou senhas ou palavras chulas que jamais cometeria. Atentam contra o meu vocabulário e a minha inteligência."

Temer: não há crime em ouvir reclamações e indicar outro para ouvir lamúrias

Aline Bronzati, Aline Bronzati e Aline Bronzati

O presidente Michel Temer disse neste sábado, 20, em discurso, que apenas ouviu as "lamúrias" do empresário Joesley Batista, da JBS, e que não há crime nisso. Confessou ainda que essa postura é a mesma que adota com outros empresários, políticos, intelectuais e integrantes de diversos setores da sociedade. 

"Não há crime em ouvir e me livrar do interlocutor e indicar outra pessoa para ouvir suas lamúrias… Ouço pessoas no Planalto, no Palácio do Jaburu, em São Paulo, rotineiramente, até a meia-noite ou mais", reforçou, ao acrescentar que conversa até com profissionais da imprensa, em horas avançadas, ao telefone ou até pessoalmente. "Nada demais há nisso, mas é bom ouvir com atenção o que dizem as pessoas."

De acordo com Temer, uma boa parte do que Joesley Batista e o diretor da JBS Ricardo Saud disseram nos depoimentos prova apenas falta de sintonia "abundante" e divergências. "O primeiro fala que vai buscar forma de interlocução comigo e o segundo interlocutor, que tem interlocução frequente. Há muitas mentiras espalhadas em seu depoimento", mencionou. 

Ele disse ainda que, embora seja acusado de dar aval para comprar o silêncio de um ex-deputado (Eduardo Cunha), não existe isso na gravação, mesmo o conteúdo sendo "adulterado". Temer afirmou que nunca comprou silêncio de ninguém e que não obstruiu a Justiça.

Sobre a frase "Tem que manter isso, viu?", ele disse que se referia à relação do empresário e Cunha e não ao pagamento de mensalidade ao ex-deputado do PMDB do Rio.

Temer: Queriam flagrante para incriminar alguns, enquanto criminosos fugiam para o exterior

Thaís Barcellos, Aline Bronzati, Álvaro Campos

O presidente Michel Temer destacou neste sábado (20) no segundo pronunciamento após a crise política iniciada com a delação da JBS, o planejamento da gravação do diálogo com o empresário Joesley Batista e afirmou que o "flagrante" tinha como objetivo incriminar só "alguns".

Temer ainda voltou a criticar a saída de Joesley Batista do País "Quero pontuar que houve grande planejamento para realizar esse grampo e depois montagem, e criar um flagrante que incriminasse alguns, enquanto criminosos fugiam para o exterior em segurança", disse.

Temer: Autor do grampo está livre e solto passeando por NY

Aline Bronzati; Álvaro Campos e Álvaro Campos

O presidente Michel Temer criticou o fato de o empresário Joesley Batista, da JBS, autor do grampo, estar "livre e solto", passeando pelas ruas de Nova York. "O Brasil, que já tinha saído da mais grave crise econômica de sua história, vive, agora, sou obrigado a reconhecer, dias de incertezas. Ele não passou nenhum dia na cadeia, não foi preso, julgado nem punido, nem será. Cometeu, digamos assim, o crime perfeito graças à essa gravação fraudulenta e manipulada", afirmou ele, em pronunciamento, feito há pouco em Brasília.

Temer afirmou que Joesley Batista especulou contra a moeda nacional e que a notícia sobre a gravação de sua conversa com o empresário foi vazada "seguramente" por gente ligada à JBS. Ele também mencionou, conforme antecipou o Broadcast na última quinta-feira (18), a compra de US$ 1 bilhão no mercado antes de entregar a gravação uma vez que "sabia que isso provocaria o caos no câmbio".

"Por outro lado, sabendo que a divulgação também reduziria as ações de sua empresa, as vendeu antes da queda da bolsa", disse Temer, que acrescentou: "Não são palavras minhas. Esses fatos já estão sendo apurados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)"

O presidente afirmou ainda que a JBS, conforme antecipou a Coluna do Broadcast, lucrou milhões e milhões de dólares em menos de 24 horas por conta da atuação no mercado de câmbio. Este é o segundo pronunciamento que Temer faz para se defender das acusações relatadas na delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS.

 

 

 

 

Compartilhar: