Dilma anuncia reajuste do Bolsa Família em 9%

FOTO: ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL

No evento, a presidente reafirmou que impeachment sem crime é golpe. "Para ter impeachment, não basta não gostar da presidenta. É preciso ter crime"

Ovacionada pelo público ao subir no palco do Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, com gritos de "Dilma querida" e "Fica querida", a presidente Dilma Rousseff aproveitou o ato de comemoração pelo Dia do Trabalhador para defender seu mandato e anunciar reajuste de 9% para o programa Bolsa Família e a correção de 5% na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física, conforme era previsto. "Esse aumento não prejudica o cenário fiscal, como eles (os oposicionistas) dizem", afirmou. Ela disse ainda que vai anunciar o Plano Safra da Agricultura Familiar na terça-feira (dia 3). O Plano Safra 2016/2017, da agricultura empresarial, está previsto para ser anunciado no dia seguinte, 4 de maio, conforme informou na semana passada a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja presença havia sido anunciada pela organização, não compareceu por problemas na voz. Segundo a organização, cerca de 100 mil pessoas comparecem ao evento, que começou de manhã com o ato político e segue nessa tarde com atrações musicais.

No evento, a presidente reafirmou que impeachment sem crime é golpe. "Para ter impeachment, não basta não gostar da presidenta. É preciso ter crime", afirmou. "Eu não tenho conta no exterior. Nunca embolsei dinheiro do povo", disse, acrescentando que a oposição "tem de inventar" para conseguir sustentar o pedido de impeachment. 

Dilma afirmou que a oposição está fazendo uma eleição indireta e tirando do povo o "direito de votar". Ela reiterou que "desde que perderam as eleições eles fazem de tudo para o governo não governar". Disse ainda que o principal líder da oposição é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ao citar o nome do deputado, o público interrompeu o discurso da petista para gritar "Fora Cunha!".

A presidente também culpou a oposição pela grave crise econômica que o Brasil está vivendo e disse que o movimento dos oposicionistas impediu que o País impedisse o agravamento da crise econômica e, consequentemente, limitasse o aumento da taxa de desemprego. "O mais grave que eles (os oposicionistas) fizeram foi impedir que o País combatesse a crise e o desemprego", disse.

Em seu discurso, Dilma também destacou que o pedido de impeachment coloca em risco a democracia e vários direitos e benefícios da sociedade. "Esse golpe rompe com a democracia e é contra as conquistas dos trabalhadores", afirmou, citando que fazem parte do projeto da oposição "golpista" a redução o Bolsa Família. Disse que, dos 47 milhões de brasileiros beneficiados hoje pelo Bolsa Família, cerca de 36 milhões deixarão de ser elegíveis.

Ela mencionou ainda que é necessário é realizar uma reforma tributária capaz de transformar a atual estrutura de impostos e contribuições de recessiva, "que prejudica os mais pobres", em progressiva. 

"Quero dizer pra vocês que eu vou resistir", avisou a presidente ao encerrar o discurso, que durou cerca de 30 minutos. Dilma lembrou que lutou contra a ditadura militar e que, por isso, ficou presa por três anos. "Mas a luta agora é muito mais ampla. Não é uma luta com armas, tanques ou militar. Mas é uma luta em defesa de todas as conquistas dos últimos anos", afirmou.

Depois de discursar, o petista Eduardo Suplicy fez um breve discurso para saudar a presidente e criticar o impeachment. Além de Suplicy, estavam no palco ao lado de Dilma o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a senadora Gleisi Hoffman, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), e a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ).


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Cunha chama reajuste no Bolsa Família de irresponsabilidade fiscal

Desafeto da presidente Dilma Rousseff e aliado do vice-presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), classificou o reajuste nos benefícios do programa Bolsa Família como uma "irresponsabilidade fiscal". "Dilma quebrou o País e agora está aumentando o buraco", disse ao Broadcast.

O peemedebista rebateu a afirmação do governo de que o aumento já estava previsto no Orçamento de 2016. Para ele, as receitas não existem na peça orçamentária. "É mais uma enganação do governo", disse, ressaltando que o Palácio do Planalto conta até com arrecadação inexistente da CPMF, que não está aprovada. 

Cunha disse que a proposta de mudança da meta fiscal deste ano não foi sequer aprovada pelo Congresso. "É uma irresponsabilidade isso, até porque nem se sabe se aprovará a mudança de meta. Executar isso sem aprovar a alteração pode significar novo crime de responsabilidade", disse.

Imposto de Renda
Sobre a correção de 5% na tabela do Imposto de Renda, Cunha disse que a mudança ainda depende de aprovação do Legislativo. O deputado indicou que não vai atrapalhar a tramitação da proposta na Câmara. "Colocarei para votar, como sempre coloquei todas as matérias do poder Executivo", afirmou.


Moreira Franco diz que Dilma faz manipulação e propaganda enganosa

Ex-ministro da presidente Dilma Rousseff e braço direito do vice-presidente Michel Temer, Moreira Franco criticou há pouco o anúncio feito pela petista neste domingo, de reajustar os benefícios do programa Bolsa Família e a tabela do Imposto de Renda. Para ele, Dilma faz manipulação e propaganda enganosa.

Moreira afirmou que o último aumento dado aos beneficiários do Bolsa Família foi em 2014, próximo das eleições presidenciais "e sem considerar a inflação". "Só agora anuncia um novo reajuste. O povo não é bobo", publicou em sua página no Facebook.

Em ato em São Paulo, a presidente Dilma criticou medidas defendidas pelo PMDB numa possível gestão Temer e disse que, pela vontade dos oposicionistas, 36 milhões de beneficiários do Bolsa Família poderiam deixar de ser elegíveis. "A presidente Dilma Rousseff insiste na manipulação e na propaganda enganosa: a proposta da Travessia Social é manter o Bolsa Família para todos! E melhorar para os 5% mais pobres", rebateu Moreira.

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