Dilma ainda avalia momento de enviar proposta de novas eleições

FOTO: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

Dois ministros disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que Dilma está "propensa" a aceitar a ideia de sugerir ao Congresso a antecipação de eleições presidenciais para outubro

A presidente Dilma Rousseff voltou na quarta-feira, 27, a dar sinais de que está disposta a enviar ao Congresso uma proposta de antecipação das eleições para encurtar o seu próprio mandato. O vazamento dessa estratégia, porém, contrariou Dilma, que ainda avalia o melhor momento para tomar a iniciativa. Com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, um grupo de senadores irá hoje ao Palácio do Planalto entregar uma carta a Dilma, solicitando a ela que encaminhe logo uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), sugerindo a convocação de eleições em outubro.

Os movimentos sociais, no entanto, são contra, sob o argumento de que isso enfraqueceria nas ruas a "batalha" contra o impeachment. Apesar de apoiar o plano, até mesmo para "emparedar" o vice-presidente Michel Temer, o PT decidiu não erguer agora a bandeira das "diretas já" por uma questão estratégica.

A cúpula do partido não quer se indispor com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) num momento em que precisa de seus militantes nas ruas, contra o que chama de "golpe". Além disso, acha que a iniciativa deve partir da própria Dilma.

"O posicionamento continua o mesmo. Só não queremos levantar essa bandeira, neste momento, porque o foco, agora, deve ser a luta para barrar o impeachment no Senado", argumentou o deputado Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Nos bastidores, o governo e o PT avaliam que a derrota de Dilma na primeira votação no plenário do Senado, no próximo dia 11, é "irreversível", mas farão tudo para virar o jogo no julgamento final. Até mesmo Lula, no entanto, observa que a chance de Dilma retornar ao Planalto, após um período de até 180 dias de afastamento, é remota.

Dois ministros disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que Dilma está "propensa" a aceitar a ideia de sugerir ao Congresso a antecipação de eleições presidenciais para outubro, quando também haverá disputa pelas Prefeituras. De acordo com eles, porém, a presidente teme que isso pareça uma renúncia ou algo como "jogar a toalha" para a batalha final e por isso ainda avalia o "timing" da ação.

Uma ideia sob análise também prevê um plebiscito para que a população decida se quer novas eleições presidenciais antes de 2018. Tudo, porém, precisa passar pelo crivo do Congresso e até mesmo aliados dizem que a Câmara, presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dificilmente autorizará isso. Em conversas com sindicalistas e também com empresários e políticos, nos últimos dias, Temer chamou as propostas de "golpe".


LEIA MAIS…
Após conselho de Lula, senadores levam a Dilma pedido de apoio a novas eleições

Após conselho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, senadores independentes que apresentaram proposta para antecipar eleições vão entregar na quarta-feira, 27, à presidente Dilma Rousseff uma carta em que pedem apoio para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Em café da manhã com o ex-presidente Lula e o ministro-chefe do gabinete pessoal da Presidência, Jaques Wagner, os senadores João Capiberibe (PSB-AP), Paulo Paim (PT-RS) apresentaram a proposta para que novas eleições presidenciais fossem realizadas já em outubro deste ano.

Segundo os senadores, Lula demonstrou simpatia pela ideia, mas não expressou apoio claro. Ele se comprometeu em levar a ideia à presidente Dilma e aconselhou que os senadores escrevessem um carta, assinada por diferentes parlamentares, pedindo que a presidente apoiasse a PEC que já está em tramitação ou enviasse ao Congresso a sua própria proposta. 

Os senadores estão fazendo uma peregrinação em busca de apoio à proposta. Além da visita a Lula, eles se reuniram nesta quarta com a presidente da Rede Sustentabilidade, Marina Silva. Mais tarde, eles se encontram com o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG) e lideranças do PCdoB.

Compartilhar: