Cunha diz que pedido de afastamento de Janot contra ele ‘é uma peça teatral’

Foto: Agência Brasil

Eduardo Cunha conseguiu atrair atenção da imprensa durante o dia de hoje, quando ofereceu um café da manhã aos jornalistas e fotógrafos, fez esclarecimentos, provocou e criticou desafetos

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiu atrair atenção da imprensa durante o dia de hoje, quando ofereceu um café da manhã aos jornalistas e fotógrafos, fez esclarecimentos, provocou e criticou desafetos. O primeiro alvo foi o procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Cunha comentou o pedido de afastamento contra ele feito por Janot: "É uma peça teatral, tanto que ela é feita em atos", afirmou.

Cunha disse que no fim de semana leu a peça de 190 páginas e escreveu pessoalmente dez páginas para integrar sua defesa. "Eu tenho conhecimento integral das 190 páginas da peça para dizer que é uma peça teatral. Ali não tem fatos, só atos teatrais", reforçou.

O presidente da Câmara confirmou que estava de posse de boletim de ocorrência relacionado ao deputado Fausto Pinato, ex-relator do processo instaurado no Conselho de Ética e disse que os documentos são públicos. "Sim, tinha várias cópias, várias pessoas me entregaram na véspera", afirmou. 

Cunha disse que o documento foi enviado, inclusive, pelo secretário de Segurança de São Paulo depois que Pinato relatou supostas ameaças. "Não tenho nenhum problema. É um documento público, qual o problema de eu ter um documento?", disse.

Durante buscas e apreensões, a Polícia Federal apreendeu no bolso do paletó de Cunha o boletim ocorrência em que o deputado Fausto Pinato relata crime de ameaça. Para a PGR, o "interesse incomum" de Cunha pelo documento reforça a suspeita em torno da atuação do peemedebista para pressionar o então relator do processo.

Cunha disse ainda que as cópias de documentos que tinha relacionados a contas no exterior eram cópias no inquérito. "Eu tirei cópia do que estava no inquérito, do que ele mesmo propôs" afirmou. "Eu desafio a vocês entregarem a peça (que pede seu afastamento) a 200 juristas. Vai ter 200 juristas dizendo que a peça não tem menor sentido", afirmou.

O presidente da Câmara disse não temer o processo contra ele no Conselho de Ética. "É processo de natureza política que tem que ser enfrentado", afirmou. Questionado se algo tirava o seu sono, ele rebateu: "nada me tira o sono, mas a mentira me tira a tranquilidade".


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Cunha diz que 'dá de presente' qualquer conta dele que encontrarem no exterior

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a negar que tenha contas no exterior. Em café da manhã com jornalistas, o peemedebista disse que "dá de presente" qualquer conta dele que venha a ser encontrada pelos investigadores.

"Vocês podem preparar em qualquer escritório de advocacia internacional qualquer documento que diga 'empresa', 'truste', de qualquer natureza, para eu assinar procuração, doação, busca, verificação, não é só de Israel não, de Israel, da Arábia Saudita, do Líbano, de qualquer lugar do mundo que você queira e de qualquer conta bancária, que eu dou de presente para reverter a quem quiser porque não existe", afirmou Cunha.

"Então, eu estou absolutamente tranquilo, não tenho preocupação nenhuma. O que eu tinha, o que foi colocado e que está sendo por mim explicado, é o que já é de conhecimento. O resto não existe, isso é fantasia. Eu não estou nem pedindo para provar. Eu já faço antecipadamente a oferta de assinar qualquer documento necessário, de qualquer natureza. Não é para dizer que estou driblando, de qualquer natureza. Faça o documento que quiser que eu assino", disse o presidente da Câmara.

Investigações do Ministério Público suíço já encontraram quatro contas ligadas a Cunha naquele país. O peemedebista diz, no entanto, que não se tratam de contas, mas de trustes, espécie de fundos de investimento. Ele afirma ainda que não é dono do dinheiro aplicado nestes trustes, mas apenas "usufrutuário" e "beneficiário em vida".

No café da manhã de hoje, Eduardo Cunha negou ter qualquer tipo de relação com Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, que disse em delação premiada que pagou propina ao peemedebista em conta no Israel Discount Bank e em outras duas contas no banco BSI e no Merril Lynch.

No encontro com jornalistas que cobrem a Câmara, Cunha disse que o pedido de afastamento apresentado contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é uma "peça teatral". Durante o café, Cunha afirmou estar tomando cuidado com suas declarações por temer que Janot use "partes de minhas falas" e voltou a se dizer perseguido pelo procurador-geral. "Não há dúvida que ele me escolheu", afirmou. 

Confrontado sobre o fato de que o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS) já havia inclusive sido preso, Cunha disse que o senador está atrás das grades por ter sido pego em flagrante.

Questionado se era capaz de fazer uma autocrítica, o peemedebista disse que deve ter cometido vários erros, mas não enumerou nenhum. Perguntado sobre episódios específicos como sua ida à CPI da Petrobras, quando negou ter contas no exterior pela primeira vez, e as manobras para protelar o processo contra ele no Conselho de Ética, Cunha minimizou a questão. "Não considero que são erros".

Ele disse que apontar sua tentativa de defesa como manobras é uma tentativa de constrangimento. "Você quer me constranger. Você não quer que eu seja julgado, quer que eu seja justiçado", disse Cunha, afirmando ter "expectativa total de terminar o mandato".

Imprensa
Cunha também fez uma série de críticas à imprensa, acusando jornalistas de constranger e fazer "bullying" com seus aliados e familiares. "Vocês estão constrangendo as pessoas. Isso é um bullying que vocês fazem", afirmou, acrescentando que não tem sido hostilizado nas ruas.


Cunha critica Picciani e prevê disputa na eleição do líder da bancada do PMDB

Eduardo Cunha disse que deve haver disputa para a liderança do PMDB no início do ano e fez críticas ao atual líder do partido na casa, Leonardo Picciani. Para Cunha, o atual líder do PMDB atuou como assessor de imprensa do governo. "Nenhum líder tem que ser contra ou a favor do impeachment. Ele é porta-voz da bancada", afirmou. "Ele não atuou como líder do partido."

Picciani foi destituído do posto de líder do PMDB na Câmara após articulação de deputados da ala pró-impeachment do partido. Com o aval do vice-presidente da República e presidente nacional da legenda, Michel Temer, esses parlamentares apresentaram lista com 35 assinaturas, derrubando o deputado fluminense e indicando Leonardo Quintão (MG) ao posto. Oito dias depois, contudo, Picciani apresentou nova lista com apoio de 36 deputados do PMDB e foi reconduzido ao posto.

Picciani anunciou que disputará novamente o posto em fevereiro, quando estão previstas eleições de novos líderes partidários e presidentes de comissões permanentes na Casa. Uma das principais estratégias, para se manter no cargo até lá e conseguir se reeleger, será manter deputados do PMDB do Rio que estavam licenciados e retomaram os mandatos no início de dezembro para apoiá-lo. 

Cunha negou que haja constrangimento com Picciani, mas reforçou que ele não tem agido como líder do partido e disse que ele não foi eleito líder com o seu apoio. "Eu fui neutro em sua eleição" disse. 

Cunha disse prever disputas na eleição do partido e reafirmou que vai votar nessa eleição. "Vou votar, vamos ver quem serão os candidatos", disse. O presidente da Câmara afirmou que se a bancada mineira estiver unânime ele provavelmente a apoiará. "A discussão não se dá por nomes, ela se dá por plataforma", explicou.


“Mercado considera que Barbosa não representa nova política econômica”


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez uma rápida análise da troca do comando da Fazenda com a saída de Joaquim Levy e a chegada de Nelson Barbosa. Para ele, a substituição não altera a condução da política econômica, que continua nas mãos da presidente Dilma Rousseff. "Levy tinha muita proposta de corte e nenhuma de melhoria de política econômica", disse, ao iniciar um café da manhã com jornalistas, em seu gabinete.

Segundo Cunha, o mercado financeiro tem a visão de que Barbosa não representa uma nova política econômica. "Não que Barbosa possa ser pior, ou melhor, o problema é a visão que o mercado tem que ele não representa uma política econômica, ele representa a presidente e o mercado não acredita na política econômica da presidente", afirmou. "Era preciso de alguém com mais credibilidade."

Cunha disse que os sinais para economia no ano que vem são bastante negativos. "Vai ter uma pressão muito forte de fuga de capitais no início do ano", avaliou. Para o presidente da Câmara o governo perdeu controle da economia e "não tem ação concreta para recuperar a economia". "Não há possibilidade nenhuma de ter crescimento. Em 2016, vamos ver o tamanho da queda", completou o presidente da Câmara.


Cunha nega negócios com Leo Pinheiro e insinua proteção a Renan Calheiros

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou que tenha negociado com o presidente da OAS, Leo Pinheiro, a aprovação de medidas provisórias no Congresso Nacional. Cunha voltou a dizer que há vazamento seletivo nas denúncias contra ele e insinuou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), está sendo poupado.

"Na ação cautelar minha, que motivou a busca e apreensão (em suas residências no Rio e em Brasília e em um escritório no Rio) tem um relatório das ligações do Leo Pinheiro com 632 páginas dizendo que são apenas 10% das chamadas dele feitas até agora. Dessas 632, por exemplo, tem 60 páginas que tratam do presidente do Senado. Ninguém publicou uma linha. Então, é preciso olhar com cautela porque se está selecionando sobre quem divulgar e justamente na que está divulgada sobre mim, misturam-se os diálogos que não são comigo ou que supostamente não são comigo", afirmou.

No pedido de afastamento de Cunha, a Procuradoria-Geral da República identificou troca de mensagens de celular que mostram que o peemedebista atuou no Congresso em favor de interesses de empreiteiras e teria recebido valores por isso. Pelas apurações, projetos de lei do interesse das empreiteiras eram redigidas pelas próprias empresas que elaboravam o texto após "consultoria" do peemedebista. Os projetos eram, posteriormente, apresentados no Congresso por meio de jabutis em medidas provisórias.

Cunha disse que houve uma mistura no teor das mensagens e um vazamento seletivo sobre o seu caso. Questionado se achava que Renan estava sendo poupado, esquivou-se: "Não estou aqui para fazer comentário ou acusação a quem quer que seja", disse. "Eu estou apenas te dando um fato, já que perguntaram sobre o Leo Pinheiro", prosseguiu.

Uma das mensagens captadas mostra que Cunha teria cobrado pagamentos de R$ 1,5 milhão e de R$ 400 mil da OAS, após conversar sobre duas medidas provisórias, segundo a Procuradoria. A conversa é de outubro de 2012. No diálogo, o executivo da empreiteira questiona Cunha sobre um bônus na Medida Provisória 574, que teve o deputado Sandro Mabel (PL-GO) como relator.


'Não sou eu que estou em julgamento', diz Cunha

Eduardo cunha comparou a sua situação com a de Dilma Rousseff. Ele disse que, diferentemente da presidente da República, ele não está "em julgamento" e que não foi eleito "pelo povo brasileiro".

A declaração foi dada em resposta a um questionamento sobre se ele terminava o ano mais fortalecido ou mais enfraquecido. "Eu não sou eleito pela população brasileira. Eu não fui eleito por 54 milhões de brasileiros, eu sou um deputado eleito por um segmento, num Estado da federação com 232 mil votos. Eu não tenho programa de governo que não cumpri, porque não fiz programa em eleição geral, e eu não conduzo a política econômica do País. Sou apenas o coordenador dos trabalhos de um dos dois Poderes Legislativos e, com isso, estou cumprindo minha função com recordes de votações na história da Câmara dos Deputados", afirmou Cunha.

"Portanto, não sou eu que estou em julgamento e não fui eu que fui eleito pelo povo brasileiro. Meu julgamento será feito pelos meus eleitores no momento em que eu disputar uma reeleição", completou o presidente da Câmara, que é alvo de investigação no âmbito da Operação Lava Jato e que disse ter passado o fim de semana analisando o pedido de afastamento feito pela Procuradoria-Geral da República contra ele para redigir, pessoalmente, dez páginas de defesa.

Cunha recebeu em café da manhã na presidência da Câmara nesta manhã jornalistas que cobrem os trabalhos do Legislaltivo. Na conversa de mais de uma hora, ele tratou de diversos temas.

Pedaladas e Impeachment
Cunha disse que o pagamento das dívidas criadas pelas "pedaladas fiscais" não anula o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, já que, segundo ele, o fundamento para aceitar o pedido de afastamento da petista são decretos editados em 2015 que teriam descumprido a lei orçamentária.

"Ignoramos 2014, não aceitamos a tese que você retroaja no mandato anterior. O ato irregular foi cometido, os decretos", disse Cunha, ao fazer referência às medidas adotadas por Dilma sem autorização do Congresso. "Não é pagamento das pedaladas em 2011 e 2014, que você muda essa realidade do decreto ter sido emitido em desacordo com a lei orçamentária. Então são coisas distintas, é preciso ser tratado as coisas como elas devem ser", afirmou.

Para Cunha, o governo está incomodado com o processo, "tanto é que está tentando pagar as pedaladas". "Sabe que errou", disse.

O presidente da Câmara afirmou que o processo de impeachment deve recomeçar em fevereiro, antes mesmo da publicação do acórdão (decisão), apresentar embargos de declaração para esclarecer dúvidas em relação ao rito do procedimento. Cunha argumentou haver jurisprudência suficiente para sustentar a apresentação de recursos antes da publicação do acórdão. Ele acredita que o processo será concluído na Câmara até o final de março.


Cunha diz que processo de impeachment na Câmara deve ser fechado até fim de março

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse acreditar que até o fim de março o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff já estará concluído na Câmara e afirmou que as pedaladas não foram a base para a aceitação do pedido de afastamento da petista. "Ignoramos 2014, não aceitamos a tese que você retroaja no mandato anterior. O ato irregular foi cometido, os decretos", disse Cunha, referindo-se a medidas adotadas pela presidente Dilma sem autorização do Congresso, descumprindo a lei orçamentária. 

Para Cunha, o governo está incomodado com o processo "tanto é que está tentando pagar as pedaladas". "Sabe que errou", disse o peemedebista, durante café da manhã com jornalistas em seu gabinete.

O presidente da Câmara disse que o processo de impeachment deve recomeçar em fevereiro e que antes mesmo da publicação do acórdão (decisão), vai apresentar embargos de declaração para esclarecer dúvidas em relação ao rito do procedimento. Cunha argumentou haver jurisprudência suficiente para sustentar a apresentação de recursos antes da publicação do acórdão.

"Nós vamos embargar, apesar da ressalva feita pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, de que não há uma pacificação", afirmou. Questionado se houve constrangimento pelo fato de Lewandowski ter aberto para jornalistas a audiência da semana passada, Cunha negou. "Nenhum constrangimento, ele me consultou antes", afirmou. 

Cunha disse que o governo pode até conseguir os votos necessários para barrar o impeachment na Câmara, mas afirmou que isso não significará o fim da crise. "Governabilidade com um terço é difícil", disse, ressaltando que se a presidente conseguir se manter no cargo ainda terá mais três anos para tentar recompor a governabilidade. "Pode ter um terço (para barrar o impeachment), mas não significa que adquira governabilidade, vão ser três anos de governo capenga", afirmou.

Eleição
Para Cunha, o desgaste do governo, acentuado com o pedido de impeachment, terá consequências danosas nas eleições do ano que vem. "O governo não terá discurso para enfrentar eleições municipais. Nas capitais, vejo total dificuldade", disse. "Quem ficar atrelado ao governo pode perder as eleições", afirmou.

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