Cunha diz que Cardozo está faltando com a verdade em todos os sentidos

FOTO: ZECA RIBEIRO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Cunha: “Ele tem que defender o governo das acusações todas que são colocadas, de obstrução de justiça, de corrupção, tem que procurar defender a maior empresa do País, que subordinada ao governo tem o maior escândalo do mundo de corrupção (Petrobras)”

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), rebateu as acusações do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, de que a abertura do processo de impeachment foi um ato de vingança. "Cardozo está faltando com a verdade e exercendo de forma indigna essa defesa dele. Ele falta com a verdade para dizer que é nulo, que tem desvio de poder", argumentou o parlamentar nesta segunda-feira, 4.

O presidente da Casa disse ainda o advogado-geral busca polarizar a discussão para evitar fazer a defesa. "Cardozo tem que defender o governo das acusações todas que são colocadas, de obstrução de justiça, de corrupção, tem que procurar defender a maior empresa do País, que subordinada ao governo tem o maior escândalo do mundo de corrupção (Petrobras). Ele tem que procurar defender o governo, e não buscar um antagonismo qualquer para se furtar de dar as explicações para o País. Ele está desviando sua função", opinou Cunha. 

Durante apresentação da defesa da presidente Dilma Rousseff na comissão especial que analisa o pedido de impeachment, Cardozo disse que "a decisão de Cunha não visou o cumprimento da Constituição". "Não foi essa sua finalidade. Os fatos foram evidenciados. Ele usou sua competência para retaliar a presidente porque ela se recusou, no Conselho de Ética da Câmara a mudar os votos que seu partido poderia dar para abertura de processo contra Eduardo Cunha", argumentou o advogado-geral da União.


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Cunha recusa pedido de impeachment contra Temer feito por Cid Gomes

Nove pedidos de impeachment foram proferidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nesta segunda-feira, 4 – sete contra a presidente Dilma Rousseff e dois contra o vice Michel Temer. Todos foram rejeitados pelo peemedebista. 

Entre eles estava o pedido de impedimento de Temer protocolado na última sexta-feira, 1º, pelo ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT). O documento é baseado em citações incorporadas às investigações da Operação Lava Jato que envolvem suposto pagamento de propina no esquema de corrupção na Petrobras e favorecimento ao PMDB.

Hoje, a Câmara enviou ao ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma manifestação em que defende o arquivamento do pedido de impeachment de Temer. De acordo com o documento, apenas o presidente da República pode ser impedido pelo Congresso Nacional, e ministros do Supremo não podem intervir em ato do Legislativo. 

O ofício foi protocolado após o vazamento, há três dias, de um rascunho de voto do ministro para que, em caráter liminar, Cunha aceite o pedido contra Temer e instaure uma comissão para analisar a denúncia. Cunha afirmou que buscou se antecipar à decisão com informações que teria que esclarecer no futuro. 

O presidente da Câmara revelou que o voto do ministro o pegou de surpresa, mas que nenhum decisão foi tomada até o momento. "Se ele proferir essa decisão, que eu não creio que ele irá proferir mas tem todo direito de fazê-lo, nós vamos agravar, recorrer e o plenário não vai mudar o entendimento sobre o tema." 

O parlamentar argumentou ainda que, caso Marco Aurélio seguisse com o voto, ele teria de abrir 47 comissões especiais contra Dilma, fazendo referência ao número de pedidos de impeachment contra a presidente rejeitados por ele até hoje.

Sobre o processo de impeachment da presidente Dilma que deverá ser votado em plenário ainda este mês, Cunha disse que irá exercer o seu direto de votar. Adversário declarado do governo, ele votará pela abertura do processo. 

O presidente da Câmara usou como referência o deputado estadual Ibsen Pinheiro, líder do PMDB gaúcho, que, em 1992, comandou o processo que culminou na queda do ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL). Como presidente da Câmara dos Deputados, Pinheiro votou ao final da sessão pela destituição do então presidente.

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