Cunha ainda descarta renúncia

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O peemedebista irá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da decisão do colegiado, que aprovou parecer favorável à sua cassação

Eduardo Cunha ainda não considera a possibilidade de renunciar à presidência da Câmara mesmo após a derrota sofrida na tarde de terça-feira, 14, no Conselho de Ética. O presidente afastado reuniu alguns aliados de sua tropa de choque e advogados que cuidam de sua defesa em várias frentes nesta noite.

O peemedebista irá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da decisão do colegiado, que aprovou parecer favorável à sua cassação. No entanto, o recurso não deve ser apresentado nesta quarta-feira, 15.

A expectativa é de que a reunião com seus advogados avance pela noite para que possam encontrar alternativas processuais.

Aliados de Eduardo Cunha avaliam desde o início da noite que a situação do peemedebista ficou "insustentável" após a derrota e acreditam que aumentará a pressão para que renuncie.

Opositores do presidente afastado voltaram a se reunir nesta noite para discutir a sucessão de Cunha, mas não chegaram a nenhum nome. No entanto, esses deputados já praticamente definiram que irão disputar a presidência da Câmara contra o chamado centrão. (Daniel Carvalho)


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Defesa de Cunha ainda não possui estratégia para recurso na CCJ

A defesa do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda não possui uma estratégia traçada para reverter a decisão do Conselho de Ética a favor da cassação do peemedebista, de terça-feira, 14. O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, disse que ainda não sabe quando entrará com um recurso na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), pois pretende aguardar a publicação do resultado para definir suas alegações. Ele disse que está avaliando se recorrerá também ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

Entre os argumentos, Nobre vai defender que houve condenação sem provas. "Para mim, isso é um linchamento", declarou. As outras alegações, de acordo com ele, são "mais processuais e não tão diretas ao mérito". Ele afirmou ainda que acha "difícil" pedir a impugnação de membros da comissão, como já havia sido defendido. Há algumas semanas, a defesa chegou a pedir o afastamento do relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO), por ter mudado para um partido do mesmo bloco de Cunha, e não pretende repetir a iniciativa.

Nobre considerou que os acusadores não conseguiram reunir provas de que Cunha mentiu à extinta CPI da Petrobras sobre possuir contas no exterior. Questionado se ficou com surpreso com a decisão de hoje, Nobre respondeu que "é óbvio que a defesa espera que os seus argumentos sejam compreendidos pelos julgadores, mas a decisão foi política". "Apesar de ter que seguir processos, ritos e normas, o julgamento não foi jurídico, porque, se fosse, não haveria a condenação, haveria o arquivamento, porque não há prova", argumentou.

Ao ser indagado se a decisão desta terça poderia prejudicar Cunha no Judiciário, o advogado declarou que o resultado de hoje "pode até beneficiar" Cunha. "De repente, lá queriam isso que aconteceu no Conselho de Ética e isso pode modificar o acirramento que tem havido no Judiciário", explicou. Ao ser questionado se Cunha possui ou não contas no exterior, Nobre respondeu apenas que ele não mentiu à CPI da Petrobras, objeto da denúncia. O advogado não é responsável pela defesa de Cunha nos processos do STF.

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