Cientista político diz que Lula perdeu ‘faro político’

Foto: Reprodução

As abstenções dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nas eleições deste domingo (30) comprovam a perda de protagonismo na política brasileira de um PT que vive a pior crise de sua história

A ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas neste domingo (30) é vista como uma demonstração da total falta de norte e redução de seu calibre político como líder do Partido dos Trabalhadores (PT). A avaliação é de André César, sócio-diretor da Hold Assessoria Legislativa, para quem Lula perdeu não apenas capital, mas, também, o faro político. 

"No primeiro turno, ele havia dito que as pessoas iam se surpreender com o desempenho do PT nas eleições municipais, mas ocorreu o contrário", afirma.

De acordo com fontes, o ex-presidente decidiu não votar no segundo turno das eleições neste domingo como uma forma de protesto ao atual cenário político no Brasil. Para César, essa ausência reflete a realidade do PT, que saiu do total protagonismo para representar um partido nanico. Cita que, após o primeiro, o PT ficou com cerca de 240 prefeituras ante as 640 que administrava em todo o País. "Principalmente, no chamado cinturão vermelho, que inclui a região do ABC, os candidatos petistas vão perdendo para adversários históricos", complementa.

Na avaliação do cientista político, o PT precisa de 3 'Rs': repensar, refundar e refazer para conseguir reverter o quadro desidratado em que se encontra. "Lideranças petistas, principalmente no Rio Grande do Sul, e que até agora não foram citados pela Lava Jato, como Tarso Genro, clamam por essa mudança."

Dilma
A ex-presidente Dilma Rousseff também não foi votar, pois foi a Belo Horizonte visitar a mãe. Ela mora e vota em Porto Alegre. No entanto, para César, ela já não tinha peso político, não era uma figura de proa e não faz falta no debate político nacional.


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As abstenções dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nas eleições deste domingo (30) têm valor simbólico, ao comporem um retrato da perda de protagonismo na política brasileira de um PT que vive a pior crise de sua história, avalia o professor do Insper Carlos Melo.

"É uma constatação de que o PT passou, de que não é mais protagonista e de que seus principais personagens não têm mais o que dizer", afirma o cientista político sobre a decisão dos dois últimos presidentes da República de não comparecer às urnas no segundo turno das eleições municipais.

Lula vota em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, mas, com 71 anos de idade, seu voto é facultativo e ele preferiu não comparecer à urna, numa atitude que seria um ato de protesto contra o quadro político atual. Dilma, por sua vez, está visitando a mãe em Belo Horizonte (MG) e não votou em Porto Alegre (RS). Nos domicílios eleitorais onde votam os ex-presidentes não há representantes petistas na disputa do segundo turno.

"É um protesto ou uma rendição? A história é que vai responder", afirma Melo. Lembrando da luta pela democracia tanto de Lula, durante as Diretas Já, quanto de Dilma, no período de governos militares, o cientista político diz que não votar é um direito que vale a qualquer cidadão, mas o fato de serem ex-presidentes é simbólico. "É até irônico que eles fiquem, de certo modo, escondidos hoje em suas casas." 

Após lembrar que os dois líderes petistas correriam o risco de serem hostilizados caso comparecessem a seus colégios eleitorais Melo considerou que o PT vive um momento melancólico. Para ele, é prematuro projetar uma nova liderança à esquerda do espectro político com base apenas nos resultados das eleições a prefeituras deste ano.

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