Brasileiros devem se mobilizar e exigir renúncia de Temer, diz Joaquim Barbosa

Reprodução/Internet

"Não há outra saída: os brasileiros devem se mobilizar, ir para as ruas e reivindicar com força: a renúncia imediata de Michel Temer"

Elisa Clavery e Bibiana Borba

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa disse nesta sexta-feira, 19, que os brasileiros devem se mobilizar para pedir a renúncia imediata do presidente Michel Temer.

"Não há outra saída: os brasileiros devem se mobilizar, ir para as ruas e reivindicar com força: a renúncia imediata de Michel Temer", escreveu Barbosa em seu Twitter.

"Isoladamente, a notícia extraída de um inquérito criminal e veiculada há poucas semanas, de que o sr. Michel Temer usou o Palácio do Jaburu para pedir propina a um empresário seria um motivo forte o bastante para se desencadear um clamor pela sua renúncia", continuou.

O ex-ministro do Supremo chama de "estarrecedoras" as delações do empresário Joesley Batista, da JBS, envolvendo o presidente. "São fatos gravíssimos", avaliou Barbosa.
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A realização de eleições diretas para a sucessão do presidente Michel Temer é a prioridade de partidos e movimentos de esquerda diante da crise criada após a delação dos diretores da JBS. A ideia é criar uma ampla aliança que inclua PT, PCdoB, PSOL, Rede, movimentos sociais abrigados nas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e também os da chamada "nova esquerda" para uma série de manifestações em todo o País pelas diretas já.

"O governo Temer acabou. A solução para a crise política, econômica, social, cultural e moral é uma só, diretas já", disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão, depois de reuniões da Executiva Nacional do partido e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, 18.

A oposição enxerga três caminhos. O mais rápido seria a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento está marcado para o dia 6 de junho A minirreforma eleitoral de 2015 diz que, em caso de cassação até seis meses antes do término do mandato, seriam convocadas novas eleições diretas. "Mas chegamos a cogitar o cenário de adiamento do julgamento", disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que deve assumir a presidência do partido em junho.

O segundo caminho seria a aprovação do proposta de emenda à Constituição (PEC) 227/2017, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que determina eleições diretas em caso de vacância da Presidência. "Hoje não temos votos, mas com a pressão das ruas podemos conseguir. É preciso atrair o centro", defendeu o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE). 

Segundo ele, caso seja obtida a maioria no Congresso, a PEC pode ser aprovada até o fim de junho. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), pautou a análise da PEC para a sessão de terça-feira. Um mandato excepcional de cinco anos também poderia ser proposto.

O terceiro caminho seria uma outra PEC protocolada pela bancada de oposição no Senado no ano passado que prevê eleições gerais, mas é considerado o mais difícil. Um quarto caminho, visto como o pior pela oposição, seria um processo de impeachment que pode se arrastar por vários meses.

Reformas
Na reunião de quinta com petistas, Lula alertou para a necessidade de explicar à população "por que estamos propondo isso". Por isso, o PT defende acrescentar a retirada das reformas trabalhista e da Previdência à pauta das manifestações. Petistas evitaram falar em nomes, mas consideram, em conversas privadas, "óbvia" a candidatura de Lula. Essa seria a oportunidade de se afastar a hipótese de ele ser impedido de disputar o pleito de 2018 caso seja condenado em primeira e segunda instâncias. Lula é réu em cinco processos por corrupção.

Lideranças da Rede defendem a antecipação do lançamento da candidatura da ex-senadora Marina Silva e o PSOL dá como certo que o partido terá um nome próprio. 

Ao defender as diretas já, a oposição espera neutralizar a possibilidade de uma "solução rápida" por meio de eleição indireta ou da nomeação da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. 

Petistas defendem também cautela. "O importante agora é conter a ansiedade", disse o ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho.

Presidente consegue conter debandada

Isadora Peron, Isabela Bonfim e Igor Gadelha

O presidente Michel Temer conseguiu conter, ao menos no primeiro momento após virem à tona as delações da JBS, uma debandada da base aliada. Para ganhar tempo, os principais partidos condicionaram a saída do governo à uma avaliação do conteúdo do áudio gravado pelo empresário Joesley Batista.

O discurso adotado durante o dia de quinta-feira, 18, foi de que era preciso conhecer a conversa na íntegra do áudio, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à noite, para então tomar uma decisão. Antes da divulgação da gravação, porém, diversos partidos emitiram notas reafirmando o apoio ao governo do peemedebista.

Por enquanto, apenas o PPS e o Podemos (antigo PTN) anunciaram oficialmente o rompimento com o Palácio do Planalto. No PPS, Roberto Freire deixou o Ministério da Cultura, mas o seu colega Raul Jungmann optou por permanecer à frente do Ministério da Defesa.

Principal aliado do governo, o PSDB rachou e deu diversos sinais durante o dia de que iria desembarcar da base aliada de Temer. Deputados tucanos chegaram a protocolar um pedido de impeachment contra o peemedebista na Câmara. Dois dos quatro ministros do partido – Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades) – teriam até elaborado suas cartas de demissão.

A cúpula do partido, no entanto, atuou para que os ministros permanecessem nos cargos. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que assumiu a presidência do partido após o afastamento do senador Aécio Neves (MG), foi o responsável pela articulação.

Segundo o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (PSDB-SC), o partido preferiu não tomar uma decisão antes de esclarecer os fatos com Temer. "O PSDB não tem costume de abandonar o barco apenas por notícias ruins", afirmou.

O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que a ideia é que os principais partidos da base decidam juntos se vão ou não deixar o governo. "Nós temos de agir com parcimônia e com responsabilidade, observando o interesse do País, sem descuidar das acusações e dos fatos, que são graves", disse.

De acordo com ele, Temer demonstrou confiança no pronunciamento que fez na tarde de ontem. "O pronunciamento foi forte, ele estava muito convencido de que não vão pegá-lo, que ele tem defesa para as acusações", afirmou o senador.

Parte dos democratas afirmou ainda que a situação do partido é mais "delicada" pelo fato de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser o primeiro na linha sucessória e terá de assumir a Presidência caso Temer seja afastado. Segundo eles, qualquer movimento, neste momento, poderia ser interpretado como oportunismo.

'Normalidade'
Antes de os áudios da conversa entre Temer e Joesley serem divulgados pela imprensa, diversos partidos reafirmaram apoio ao governo. Em nota, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou esperar o "rápido esclarecimento dos fatos por parte da Justiça, para que o País volte o mais breve possível à normalidade". 

Também em nota, o PR afirmou que reitera a sua "confiança no trabalho" de Temer e que não baseava a sua permanência no governo em notícias de investigações em curso.

O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), disse que era preciso levar em consideração "os efeitos negativos de uma ruptura institucional no momento em que a economia do País começa a se recuperar".

Já o líder do PSD na Câmara, o deputado Marcos Montes (MG), afirmou que o partido vai se reunir na próxima segunda-feira para tomar uma decisão. "Estamos na fase das especulações, precisamos das provas", afirmou. Ele, no entanto, admitiu que as denúncias contra Temer põem em xeque a governabilidade e adiam a aprovação das reformas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

 

 

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