Aliados de Cunha usarão carros de som para pressionar indecisos sobre impeachment

Foto: Reprodução

Deputado Paulinho da Força (SD-SP), um dos principais integrantes da tropa de choque, promete enviar carros de som para frente da residência dos parlamentares

Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pretendem pressionar deputados que ainda não se decidiram favoravelmente ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Uma das estratégias de militantes da Força Sindical, entidade ligada ao deputado Paulinho da Força (SD-SP), um dos principais integrantes da tropa de choque do peeemedebistta, será enviar carros de som para a frente da residência dos parlamentares "que estão vacilando".

O primeiro alvo da manifestação deve ser o líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), que se aproximou do Palácio do Planalto nos últimos meses, chegando, inclusive, a indicar dois ministros na reforma ministerial de outubro deste ano. Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, um carro de som será levado para frente do condomínio onde o parlamentar carioca mora, localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, neste domingo.

De acordo com organizadores do ato, outros deputados serão mapeados e se tornarão alvo do carro de som até o dia da votação do processo de afastamento da petista na comissão especial que será formada nesta segunda-feira. Os membros da colegiado serão indicados e eleitos durante sessão extraordinária convocada por Cunha para 18h. No dia seguinte, a comissão será instalada e terá até 48 horas para eleger presidente e relator.

Painéis 
O grupo de aliados de Cunha também pretende espalhar painéis nas cidades dos deputados indecisos ou favoráveis a Dilma, com frases estimulando seus eleitores a cobrarem um posicionamento favorável ao impeachment da presidente. Na próxima semana, também deve ser lançada na Câmara uma "Frente Nacional pelo Impeachment". O grupo deve reunir políticos e manifestantes de grupos de rua que pressionam pela saída da petista.


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Deputados do PMDB evitam se posicionar

Para garantir uma das oito vagas a que têm direito na comissão especial que decidirá pela abertura ou não do impeachment da presidente Dilma Rousseff, deputados do PMDB têm evitado se posicionar sobre o apoio ou não ao impedimento da petista. A intenção é transmitir uma imagem de neutralidade e evitar qualquer tipo de censura ou resistência das alas divergentes do partido.

Diante da pressão de parlamentares contra e a favor da continuidade do mandato de Dilma, o líder da legenda, Leonardo Picciani (RJ), só fechará a lista de indicados no limite para protocolar os nomes, às 14 horas da segunda-feira, 7.

O PMDB e o PT têm o maior número de vagas, oito cada. Uma das vagas peemedebistas ficará com o próprio Picciani, que, assim como outros líderes, tem se autoindicado para integrar a comissão. Como o deputado se aproximou do governo a ponto de poder indicar dois ministros na reforma ministerial de outubro, peemedebistas temem que ele faça uma lista de indicações estritamente governista.

“Ainda não fechei os nomes. Quero fazer uma escolha equilibrada e acertada. Não decidirei sob pressão”, disse Picciani, confirmando que tem sido abordado por correligionários dos dois lados.

Divisão. O partido tem 65 deputados, além do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Dos 27 deputados do PMDB com os quais o Estadão conseguiu contato na sexta-feira, 11 se disseram indecisos ou deliberadamente se recusaram a declarar voto para não reduzir as chances de ocupar uma das vagas remanescentes. Os outros 16 dividem-se igualmente entre contra e a favor do impeachment da presidente da República.

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