TECNOSHOW COMIGO movimenta R$ 1,3 bilhão em volume de negócios

FOTO: GIULIANNA CONTE

Feira supera o número alcançado em 2015 e já tem data confirmada para 2017: será de 3 a 7 de abril, em Rio Verde (GO)

Apesar das incertezas políticas e econômicas no País, a TECNOSHOW COMIGO movimentou R$ 1,3 bilhão em volume de negócios nos cinco dias de realização da feira – 11 a 15 de abril de 2016. O número é superior ao alcançado em 2015, quando o evento registrou R$ 1,1 bilhão. O resultado positivo reflete o atual cenário da agropecuária no Brasil, que mesmo enfrentando a instabilidade política, é um dos poucos setores que registrou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com 1,8%, e possui o Índice de Confiança em 84,3%. Neste ano, a feira também teve a presença de 540 empresas e instituições de diversos segmentos.

Para o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (COMIGO), Antonio Chavaglia, o volume de negócios surpreendeu, já que a estimativa da organização era pelo menos repetir o número do ano passado. “A gente veio para a feira com a expectativa um pouco pessimista. O que nós vimos aqui foi que superou. Tem empresa que vendeu menos, tem empresa que vendeu mais”, destacou.

Em relação ao público, a feira recebeu 98 mil visitantes, número abaixo do registrado em 2015, quando passaram pelo Centro Tecnológico COMIGO (CTC), 104 mil pessoas. “O público realmente diminuiu. Estamos com um clima adverso, muito calor, então muitas famílias deixaram de vir. Veio mesmo só a pessoa para fazer negócio. De 104 mil para 98 mil pessoas, em cinco dias de feira, significa dizer que foram cerca de mil pessoas a menos por dia. Isso não é representativo num negócio desse tamanho”, destacou Chavaglia. Com o fim do evento e os resultados consolidando a TECNOSHOW COMIGO como uma das principais feiras de tecnologia rural do Brasil, a organização já iniciou os preparativos para a edição 2017, que já tem data marcada: será de 3 a 7 de abril do próximo ano.

Avaliação positiva
Segundo Antonio Chavaglia, o produtor está fazendo negócios conscientes, buscando aquilo que realmente vai lhe dar mais solidez dentro da propriedade, com investimentos em máquinas e equipamentos mais modernos, mesmo no atual momento da economia. Para ele, o produtor está preocupado é em encontrar produtividade. “Temos problemas? Lógico, temos inúmeros problemas. Uma hora é crise, outra hora é governo, outra hora é política, mas o produtor não para. Ele tem de fazer duas safras no ano, tem de encontrar uma maneira de ter renda. E aqui, na feira, ele não encontra só a questão de máquinas e equipamentos, mas informação que recebe de técnicos, de fábricas, de pesquisadores que demonstram de tudo, nesses canteiros”, enfatizou. Para o presidente da COMIGO, toda essa oportunidade que o evento oferece, desde informação à difusão de tecnologias, faz com que o produtor compareça à TECNOSHOW COMIGO. “Ficamos gratificados de estar contribuindo para melhorar a eficiência da propriedade rural”, enfatizou. 

Demandas do setor e situação no País
A atual situação político-econômica vivenciada no Brasil foi destaque na solenidade de abertura da TECNOSHOW COMIGO, realizada no dia 11, em Rio Verde (GO). Conforme recordou o presidente da COMIGO, Antonio Chavaglia, no momento em que o País está passando, o agronegócio tem tido um papel crucial na manutenção da competitividade econômica, mas vive dificuldades em se manter pela falta de investimentos no setor. “Nosso desejo é que nossas autoridades tenham a visão de que o agronegócio é estratégico. É uma cadeia que precisa ser alimentada para gerar alimento”, enfatizou. Por outro lado, Chavaglia se emocionou e foi enfático ao afirmar que os problemas políticos têm afetado toda a cadeia produtiva, com prejuízos para os produtores. “A corrupção está acabando com o setor financeiro. Esse dinheiro poderia estar financiando o setor produtivo para melhorar as condições de nossos produtores. E nós gostaríamos que a defesa da produção fosse retomada no País”, ressaltou.

Para o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, o momento é preponderante para se tratar não só o futuro da agricultura, mas o do País como um todo. Concordou com ele o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan, que destacou a necessidade em se ter um planejamento mínimo do produtor para a aquisição de maquinário e que, para isso, precisa de garantias do governo, especialmente as relacionadas às linhas de crédito e financiamento. “Hoje, a nossa região é referência não só na produção de sementes, mas na evolução de nossas máquinas e Rio Verde é uma das regiões mais tecnificadas do País. Mas se nós não trabalharmos com planejamento, com uma previsibilidade de pelo menos cinco anos, o setor não terá condições de se manter”, questionou.

O prefeito de Rio Verde, Juraci Martins, indicou que a feira vem melhorando a qualidade ao longo do tempo, mas que é importante a melhoria das condições de trabalho para os produtores. “Temos um volume bom de expositores e é cada vez mais crescente os expositores interessados na feira. Mas ainda é difícil ser produtor rural no Brasil”, desabafa. Essa situação da necessidade de investimentos foi reforçada pelo deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) e pelo deputado estadual Lissauer Vieira (PSB). Heuler Cruvinel, que é membro da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados, apontou que as atenções do Brasil se voltam para Rio Verde na época da feira. “Com toda a certeza, temos mostrado a importância do agronegócio, que gera emprego e fortalece o PIB. Estamos trabalhando na questão da antecipação do vazio sanitário e precisamos resolver essas questões que prejudicam o produtor goiano”, afirmou. Fato replicado pelo deputado Lissauer Vieira, da Frente Parlamentar do Agronegócio da Assembleia Legislativa. “Temos visto como os organizadores e expositores têm trabalhado na TECNOSHOW COMIGO. Nossa classe é a que carrega esse País nas costas e, para tanto, precisa de suporte”, avaliou.

As principais críticas do setor, no entanto, foram tecidas ao poder público federal, especialmente após o episódio registrado no Palácio do Planalto, no dia 1º de abril, no qual o secretário de finanças e administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Santos, incitou, dentro do Palácio do Planalto, a invasão de propriedades rurais. O vice-governador do Estado de Goiás e secretário de Segurança Pública, José Eliton de Figuerêdo Júnior garantiu que as forças de segurança estarão de prontidão para manter a ordem nas propriedades rurais do Estado. “Aqui em Goiás, a força de segurança e a inteligência da polícia estarão atentas a essa movimentação. Mas nós não vamos permitir a desordem. O fortalecimento do setor se constrói com políticas públicas, com diálogo”, pontuou.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, a crise política gera crise econômica e que é inviável a atual situação promovida pelo governo. “Nós, da Faeg e de outras 26 Federações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nos posicionamos e somos a favor do impeachment da presidente”, refletiu. Seguindo essa linha de raciocínio, o senador da República, Ronaldo Caiado (DEM), argumentou que é importante a reflexão para o momento em que o País se encontra e, em especial, sob a ótica das dificuldades do setor agropecuário, que passam pela falta de seguro rural, problemas no investimento e liberação de crédito para a safra, entre outros. “As últimas notícias são de que o tesouro não poderá pagar a parcela subsidiada. No seguro rural, sempre tivemos a matéria aprovada no Congresso, mas nunca os recursos repassados. E isso nós não podemos admitir”, criticou. “Em 86, houve resistência do movimento rural para que as terras não fossem estatizadas, no qual o agronegócio foi o único setor que teve coragem para garantir o direito de propriedade. E agora precisamos resolver novamente duas situações para o País se desenvolver: a chuva voltar a cair e realizarmos o impeachment da presidente”, enfatizou, conclamando produtores a se mobilizarem para a votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef, marcado para o próximo dia 17, no plenário da Câmara dos Deputados.

Vazio sanitário
Durante a TECNOSHOW COMIGO, o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) disse que agendou visita, junto com o Secretário do Estado de Desenvolvimento Econômico, Thiago Peixoto, à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, para articular a mudança do vazio sanitário em Goiás. A ideia é antecipar a data de início do plantio, em Goiás, de 1º de outubro para 20 de setembro. Estados vizinhos, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, já possuem um vazio sanitário antecipado, podendo iniciar o plantio no dia 15 de setembro. A intenção do ajuste no Estado, além de aproximar as datas, é minimizar as consequências geradas para a safrinha, que enfrenta, hoje, as influências da falta de chuva devido ao início tardio do cultivo. O vazio sanitário é um período de ausência de plantas vivas para a contenção e prevenção de doenças e pragas. Um dos principais alvos, especialmente no caso da soja, é precaver problemas relacionados ao fungo da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi). O vice-governador e secretário de Segurança Pública, José Eliton Figuerêdo Júnior, antecipou que, havendo o acordo com a Embrapa, o governo estadual vai autorizar a antecipação do plantio.

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