Presos ladrões de cargas que atuavam no sul do estado e Triângulo Mineiro

FOTO: JOTA EURÍPEDES

Organização criminosa estava em atividade há pelo menos dois anos. Prejuízos causados pelos suspeitos ultrapassam R$ 15 milhões

As polícias Civil e Militar de Goiás deflagraram na quinta-feira (19/01) a Operação “Doce Ilusão” com o objetivo de prender seis integrantes de uma organização criminosa especializada em roubo de cargas e que agia nas regiões Sul e Sudoeste do Estado e no Triângulo Mineiro.

Os criminosos simulavam o roubo, em seguida falsificavam boletins de ocorrência e faziam a comunicação do falso crime. O monitoramento dos envolvidos culminou com a prisão dos criminosos nas cidades de Itumbiara (GO), Uberaba e Santa Juliana (MG). A operação recebeu esse nome porque a organização criminosa roubou, entre outras, uma grande carga de açúcar, trocando em seguida as embalagens para a comercialização. Eles também furtavam carregamentos de milho e de soja.

Segundo o delegado Alexandre Barros, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Carga (Decar), os integrantes da organização revendiam as cargas extraviadas para distribuidoras e comerciantes, que recebiam notas fiscais falsas. Além disso, eles lucravam com o ressarcimento feito pelas seguradoras.

Os líderes da organização eram Elton John Silva de Paula, 32 anos, e Diego Serafim, 30 anos, sócios de uma transportadora em Uberaba, no Triângulo Mineiro, presos naquela cidade. Já o motorista Antônio Venâncio Moraes foi preso em Itumbiara (GO), e Luiz Pedro de Almeida, Tiago Silva Tosa, Lourival Ribeiro Júnior e Jaime Diego de Almeida Ricardo foram presos em Santa Juliana (MG). Outras quatro pessoas foram presas pela polícia goiana e duas outras estão foragidas.

Conforme explicou o delegado Alexandre Barros, todos os envolvidos serão indiciados por furto mediante fraude, falsificação de documento público, apropriação indébita e organização criminosa.

Integração
Segundo informou o tenente-coronel Célio Pereira Bueno, chefe de Inteligência da Polícia Militar, o trabalho de investigação durou seis meses, e foi realizado de forma integrada, de ponta a ponta, o que contribuiu para a elaboração do fluxograma com dados de diversos indivíduos que desempenhavam funções muito bem definidas na organização. Com o cruzamento de informações e dados obtidos na região do Triângulo Mineiro e no sul e sudoeste de Goiás, verificou-se que havia uma organização causando grandes prejuízos às empresas e transportadoras da região.

De acordo, ainda, com o delegado Alexandre Barros, devido ao trabalho que vem sendo realizado pela Polícia Civil, o roubo de cargas teve uma queda vertiginosa no estado de Goiás, o que levou certas organizações criminosas a criar novas formas de agir, quando se trata de roubo e furto de cargas. “As organizações passaram a cooptar motoristas que trabalham de forma lícita em mais de uma unidade da federação, e, em vez de entregarem a carga para os clientes que pagaram por elas, estão entregando a receptadores em outros estados”, afirma.

O comandante-geral da Polícia Militar em Goiás, coronel Divino Alves, ressaltou a importância do trabalho integrado entre as forças policiais, e parabenizou a Polícia Militar e a Polícia Civil por mais essa ação. “Quando as polícias trabalham de forma integrada, o resultado surge de forma muito mais rápida. É essa rapidez que a sociedade espera da polícia”, afirmou.

Outros estados
Na última segunda-feira (16), a Decar apresentou Uelson Marques Faria de Oliveira, 31 anos, e Luiz José Venâncio, 41, suspeitos de integrar uma organização que age de forma idêntica à que foi desarticulada na Operação Doce Ilusão, mas, com atuação nos estados do Tocantins, Bahia, Minas Gerais e Paraíba. Eles são suspeitos de terem desviado dois carregamentos de gêneros alimentícios de propriedade de uma grande rede de hipermercado, em dezembro do ano passado, avaliados em R$ 1,3 milhão. 

Segundo o delegado Alexandre Barros, os motoristas aceitam facilmente participar dos crimes, pois o valor normal que recebem pelo transporte de uma carga não passa de R$ 3 mil, e dependendo do valor da carga, os caminhoneiros recebem entre R$ 10 e 20 mil, para participarem do desvio das cargas.

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