PARQUE NACIONAL DAS EMAS CHEGA AOS 60 ANOS

FOTO: PABLO REGINO (MTur)

Rio Formoso, no Parque Nacional das Emas. 60 anos de preservação do cerrado e suas riquezas

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Sem alarde e no silêncio de suas veredas, quebrado somente pelo canto das aves e o borbulhar das águas, o Parque Nacional das Emas chega aos 60 anos de fundação, carregando uma história de luta pela preservação do cerrado e de todas as espécies de vida que nele habitam.

Possivelmente seu nome tenha origem devido a grande concentração de emas (Rhea americana) na reserva e em seus limites. Consta nos anais de sua história que um fazendeiro de São Paulo, T. Junqueira, após uma visita na área para caçar, ficou impressionado com sua beleza e com a fauna do local. Sugeriu, então, ao fazendeiro e proprietário Filó Garcia que o lugar seria ideal para a criação de um Parque Nacional.

Filó Garcia acatou a sugestão e em uma reunião de municípios, apresentou a sugestão de criação do Parque Nacional das Emas. Em 1960, Coimbra Bueno, senador por Goiás, propôs ao Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, também conhecido pelas iniciais JK, a criação da reserva, que se tornou realidade pelo Decreto nº 49.874 de 11 de janeiro de 1961. Em 1962 o Decreto Presidencial 70.375 de 6 de abril alterou os limites iniciais, perdendo o PNE cerca de 50.000 ha.

PATRIMÔNIO NATURAL DA HUMANIDADE

Com área de 131.864 hectares, o Parque Nacional das Emas está localizado nas divisas de Goiás com o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 86% de seu território concentra-se no município de Mineiros-GO.

Devido à sua extensão, integridade de habitats, riqueza de fauna e flora, incluindo espécies raras e ameaçadas de extinção, o PNE é uma das mais importantes Unidades de Conservação do bioma Cerrado. Além de ser uma importante bacia hidrográfica do Brasil, preservando rios como o Formoso, Jacuba e Taquari.

Paraíso natural dos amantes da natureza, o PNE também atrai cientistas e estudiosos de todo o mundo. Já foram registradas na reserva mais de 350 espécies de aves, sendo 24 endêmicas do cerrado, o maior número de endemismos já encontrados em uma única área protegida. Cerca de 80% da superfície do parque é coberta por áreas abertas de cerrado, composta por campos limpos, campos sujos, veredas e matas ciliares. Esta é uma das poucas áreas banhadas sazonalmente, sendo um dos poucos cerrados inundados que se tem conhecimento.  O parque possui uma rica biodiversidade e espécies como a onça-pintada, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, queixada, lobo-guará, anta, veado-campeiro, ema, dentre outros animais e aves belíssimas.

Em 2001 o Parque Nacional das Emas foi elevado à condição de Patrimônio Natural da Humanidade, pela UNESCO, por representar uma das mais importantes Unidades de conservação do cerrado, preservando riquezas da flora e fauna, com a presença de espécies raras e ameaçadas de extinção. Recentemente o PNE foi incluído nas ações prioritárias para conservação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal como área de importância biológica extremamente alta.

O INCRÍVEL E RARÍSSIMO FENÔMENO DA BIOLUMINESCÊNCIA

No Parque Nacional das Emas é possível presenciar o fenômeno da bioluminescência, quando os cupinzeiros ficam cheios de pontos brilhantes durante a noite, criando um cenário mágico e de encher os olhos. O período ideal para ver a bioluminescência tem seu pico entre os meses de outubro e novembro.
A bioluminescência é o fenômeno da emissão de luz visível por organismos vivos, que acontece principalmente em organismos do meio aquático, como bactérias, fungos, algas, moluscos e peixes. Ainda mais raro no ambiente terrestre, a bioluminescência ocorre em fungos, moluscos e principalmente nos insetos, como os vagalumes.
Na reserva, a bioluminescência acontece por conta de uma espécie de vagalumes que deposita seus ovos nos buracos dos cupinzeiros que ocupam o local. Mesmo em estado de larvas, os vagalumes já emitem luz, e brilham para atrair insetos voadores da vizinhança, inclusive cupins, e fazer um bom jantar, criando um fenômeno de incomparável beleza.

 

 

 

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