Turquia diz que alertou França sobre um dos responsáveis pelos ataques

Foto: Reprodução

Temendo novos ataques, França reforça segurança em locais públicos

As autoridades da Turquia divulgaram que haviam identificado um dos responsáveis pelos atentados em Paris como um suspeito de terrorismo e notificaram a França duas vezes sem sucesso, o que destaca as falhas na Inteligência entre países aliados e aumenta os riscos de segurança vindos de grupos extremistas. 

Omar Ismail Mostefai, indicado pela polícia da França como um dos sete suspeitos de envolvimento nos ataques terroristas de sexta-feira em Paris, viajou para a Turquia em 2013 e foi marcado mais recentemente em junho como uma ameaça do terrorismo à França, informou uma autoridade turca. Não há registro oficial de que Mostefai, cidadão francês, saiu da Turquia. 

"Agora não é o momento de jogarmos o jogo da culpa", disse a autoridade turca. "O caso de Omar Ismail Mostefai claramente estabelece que o compartilhamento de Inteligência e uma comunicação efetiva são cruciais para os trabalhos de contraterrorismo", afirmou. 

A Turquia, que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico-Norte (OTAN), pediu aos seus países aliados por uma cooperação mais próxima, em um sinal de que os esforços para melhorar as relações de Inteligência ainda não são suficientes para impedir ataques terroristas. 

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, afirmou na segunda-feira que ele ainda não recebeu informações dos alertas da Turquia sobre Mostefai. 

"No que diz respeito a informação e Inteligência, nós realmente precisamos trocar e compartilhar muito mais", disse Fabius em uma coletiva de imprensa durante o encontro do G-20 em Antália, na Turquia. 

As autoridades turca divulgaram que haviam identificado Mostefai como um suspeito de terrorismo, após a França ter pedido por informações sobre quatro pessoas, em 10 de outubro de 2014. Mostefai não estava na lista de terroristas da França, mas chamou a atenção da Turquia mesmo assim e foi marcado em dezembro de 2014 e junho de 2015. 

A França, que suspeita que Mostefai viajou para a Síria nos últimos dois anos, não respondeu aos alertas da Turquia sobre ele, informou uma autoridade turca. O primeiro pedido sobre informações de Mostefai ocorreram após os ataques de sexta-feira de acordo com a Turquia. 

"O governo da Turquia espera por uma maior cooperação entre seus aliados no futuro", disse a autoridade.


Espanha e França reforçam controle conjunto em suas fronteiras

As polícias da Espanha e da França reforçaram suas patrulhas conjuntas ao longo dos 623 quilômetros de fronteira entre os países, após os ataques terroristas em Paris na sexta-feira, 13, informou o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, nesta segunda-feira. 

Em um discurso na Turquia, após o encontro do G-20, Rajoy afirmou que os dois governos estão em contato "direto e permanente" sobre questões de segurança. 

Como parte do reforço das medidas de segurança, as autoridades no norte da Espanha divulgaram que as autoridades francesas pediram o fechamento do túnel Aragnouet-Bielsa, um dos três túneis que atravessam a fronteira nas montanhas dos Pirineus, entre 22h e 6h, todas as noites até novo aviso, informou a agência de notícias espanhola EFE. 

Rajoy, em um comunicado transmitido pela televisão na Espanha, pediu que os Estados Unidos, a Rússia e outros países trabalhem em conjunto para resolver o conflito na Síria. "Antes de resolvermos a questão dos refugiados e do Estado Islâmico, precisamos resolver a questão na Síria". 

O ministro de Defesa da Espanha, Pedro Morenés, afirmou nesta segunda-feira que vê seu atual compromisso com a coalizão que luta contra o Estado Islâmico como suficiente e não foi pedido que o país aumente sua contribuição.

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