Papa Francisco diz que escuridão e medo não devem aprisionar o mundo

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Em sua homilia, Francisco disse que a esperança que a Páscoa traz é uma lição para o fiéis cristãos a deixar de lado o pessimismo que pode "aprisionar" as pessoas dentro de si mesmas

O Papa Francisco disse neste sábado, durante uma vigília pascal, que a escuridão e o medo não devem prevalecer e "aprisionar" o mundo com pessimismo. O apelo de Francisco à esperança na véspera da festa mais alegre do calendário cristão contrastou com sua forte condenação nos últimos dias aos ataques na Bélgica e em outros lugares por extremistas islâmicos.

Francisco entrou silencioso na Basílica de São Pedro escurecida, com apenas uma única vela guiando-o no início da vigília. Ao chegar ao altar, as luzes da igreja se acenderam, em uma demonstração simbólica da luz após a escuridão da crucificação de Jesus.

Em sua homilia, Francisco disse que a esperança que a Páscoa traz é uma lição para o fiéis cristãos a deixar de lado o pessimismo que pode "aprisionar" as pessoas dentro de si mesmas.

"Nós vemos e continuaremos a ver os problemas tanto dentro como fora. Eles vão sempre estar lá", disse. Mas insistiu: "Não permitamos que a escuridão e o medo nos distraiam e controlem nossos corações". 

"Hoje é a celebração da nossa esperança", ele disse. "Ela é tão necessária hoje." A mensagem de Páscoa lembrando a ressurreição de Cristo "desperta e ressuscita a esperança nos corações castigados pela tristeza", disse. 

O longo serviço da vigília pascal incluiu um batismo para 12 adultos vindos da China, Coreia do Sul e outros países ao redor do mundo. Na manhã de domingo, Francisco vai presidir a missa de Páscoa e oferecer sua bênção pascal anual.


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O papa Francisco enviou uma mensagem de esperança, no Domingo de Ressurreição, mas ao mesmo tempo denunciou o terrorismo "cego" e "brutal" e demonstrou sua solidariedade às vítimas dos ataques na Europa, na África e em outras regiões.

O pontífice também demonstrou seu pesar com o fato de que refugiados que escapam da guerra e da miséria permanecem sem poder entrar na Europa, enquanto líderes políticos discutem a crise.

Neste domingo, dezenas de milhares de pessoas enfrentaram longas filas e checagens de segurança para poder entrar na Praça de São Pedro. Sob um sol brilhante, escutaram Francisco pronunciar o tradicional sermão de Páscoa do balcão da Basílica de São Pedro.

O papa conseguiu a admiração dos presentes ao dar em seu papamóvel uma volta pela praça, decorada com tulipas e outras flores, após realizar missa diante da basílica. Francisco se inclinou por sobre as barreiras para cumprimentar pessoas, enquanto o veículo saída do perímetro do Vaticano e os guarda-costas corriam para acompanhá-lo.

A polícia realizou revistas nos turistas, peregrinos, moradores locais e jornalistas presentes na cerimônia. Durante anos, terroristas islâmicos já mencionaram em sites extremistas o desejo de atacar o Vaticano e Roma.

Neste domingo, Francisco disse que, para os fiéis, Jesus subiu ao céu após sua morte por crucificação e "triunfou sobre o mal e o pecado". Ele lembrou das vítimas do terrorismo, "essa forma cega e brutal de violência". Ao fim da missa, falou rapidamente com o ex-rei e a rainha da Bélgica, Albert II e Paola, presentes na cerimônia. O monarca belga abdicou em 2013 em favor de seu filho mais velho, Filipe.

Em seu discurso, Francisco citou ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões, Costa do Marfim e Iraque. Segundo ele, a Páscoa é "uma mensagem de vida para toda a humanidade. 

Na semana passada, durante dois eventos públicos, o papa criticou aqueles que cometem "atos terroristas em nome de Deus". 

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