Países chegam a acordo global para reduzir uso de gases HFC

FOTO ILUSTRATIVA

HFCs, usados em aparelhos de ar condicionado e refrigeradores, são descritos como o poluente cujo uso vem crescendo mais rapidamente no mundo

Quase 200 países chegaram a um acordo, anunciado no sábado, 15, após negociações que se prolongaram por toda a noite, para limitar o uso de gases de efeito estufa que são muito mais potentes do que o dióxido de carbono. As negociações sobre hidrofluorcarbonetos, ou HFCs, são o primeiro teste da boa vontade global para reduzir emissões desde o Acordo de Paris, assinado no ano passado.

HFCs, usados em aparelhos de ar condicionado e refrigeradores, são descritos como o poluente cujo uso vem crescendo mais rapidamente no mundo. De acordo com especialistas, reduzir o seu uso é o meio mais rápido para diminuir o aquecimento global.

Diferentemente do acordo mais amplo de Paris, este é legalmente obrigatório. Ele limita e reduz o uso de HFCs em um processo gradual que começa em 2019 com países desenvolvidos, incluindo os Estados Unidos. Mais de 100 países em desenvolvimento, como a China, o maior poluidor mundial, começam a adotar medidas em 2024, quando o consumo de HFCs deve atingir seu pico.

Um pequeno grupo de países que inclui Índia, Paquistão e alguns Estados do Golfo Pérsico pressionaram e conseguiram adiar o início das ações para 2028, alegando que suas economias precisam de mais tempo para crescer.

"Foi um momento histórico, e estamos felizes de termos chegado a esse ponto em que podemos ter um consenso sobre a maioria das questões colocadas na mesa", disse o principal delegado da Índia Ajay Narayan Jha.

Grupos ambientalistas esperavam que o acordo pudesse reduzir o aquecimento global em meio grau Celsius até o fim deste século. Este acordo representa cerca de 90% do caminho até lá, disse Durwood Zaelke, presidente do Instituto para Governança e Desenvolvimento Sustentável. Segundo Zaelke, esta é a "maior redução de temperatura já alcançada por um único acordo". 

Corresponde a "interromper por mais de dois anos toda a emissão de dióxido de carbono de combustíveis fósseis no mundo", disse em comunicado David Doniger, diretor do programa de clima e ar limpo no Conselho de Defesa de Recursos Naturais.

HFCs foram introduzidos nos anos 1980s como um substituto de gases que destroem a camada de ozônio. Mas os riscos aumentaram com o crescimento das vendas de aparelhos de ar condicionado e refrigeradores em países emergentes como China e Índia.


LEIA MAIS…
Acordo internacional prevê conter aquecimento em 0,5°C

Um acordo internacional fechado ontem para a redução de emissões de um poderoso tipo de gás de efeito estufa pode ajudar a evitar um aquecimento de até 0,5°C na temperatura média global até o fim deste século. Em encontro em Kigali (Ruanda), 197 países (Brasil incluído) decidiram reduzir as emissões dos hidrofluorcarbonetos, ou simplesmente HFCs, gases usados em refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado e conhecidos como superpoluentes por, sozinhos, terem capacidade enorme de aquecimento. Apesar de ocorrerem em quantidade relativamente pequena na atmosfera – a concentração de CO2, o gás estufa mais comum, é muito maior -, eles aprisionam milhares de vezes mais calor.

A decisão ocorreu como uma emenda ao Protocolo de Montreal, que em 1987 tinha estabelecido o fim do consumo de gases que destroem a camada de ozônio. Foram banidos, por exemplo, os CFCs (clorofluorcarbonetos), que também eram usados em aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e sprays. O acordo é considerado um dos mais bem-sucedidos na questão climática, por levar a uma redução de 98% na produção de gases nocivos à camada que protege o planeta da entrada dos raios solares mais nocivos e causadores de câncer de pele. Hoje a camada de ozônio voltou a se recuperar.

Os HFCs, que ficaram liberados, não causam esse problema, mas logo se viu que eles funcionavam como poderosos aquecedores. E sua concentração vem crescendo na taxa de 10% ao ano, principalmente por causa de um aumento da demanda, nos últimos anos, por resfriamento -em um círculo vicioso, quanto mais o mundo aquece por causa desses gases, mais ainda eles são consumidos.

Após duas semanas da conferência das partes do Protocolo de Montreal, todos os países se comprometeram a agir para reduzir suas emissões de HFCs. As nações desenvolvidas vão começar a reduzir suas emissões a partir de 2019, enquanto os países em desenvolvimento vão congelar seus níveis de consumo a partir de 2024. O objetivo é que, até 2047, o consumo total tenha caído de 80% a 85% em relação aos valores atuais.

A medida é considerada isoladamente a mais efetiva para a contenção do aquecimento global e é a primeira grande ação desde que foi fechado, no ano passado, o Acordo de Paris, que prevê que os países atuem para conter o aumento da temperatura global a bem menos de 2°C até o fim do século, com esforços para ficar em no máximo 1,5°C.

Elogios
“Quanto mais rápido nós agirmos, mais baixos serão os custos e mais leve será o impacto ambiental sobre nossas crianças”, declarou o presidente de Ruanda, Paul Kagame. “Não é sempre que temos a chance de ter uma redução de 0,5°C tomando um único passo juntos como países”, comemorou o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhar: