Líderes globais se reúnem em Paris para discutir novo acordo climático

Foto: Reprodução

Diante das ameaças do aquecimento global e também da violência dos extremistas, 151 líderes mundiais estão reunidos na COP 21, em Paris

Para lidar com as ameaças do aquecimento global e também da violência dos extremistas, 151 líderes mundiais iniciaram nesta segunda-feira um período de duas semanas de conversas sobre o clima nas proximidades de Paris. As lideranças dizem que, ao buscar um acordo ambicioso para cortar emissões que aquecem o planeta, podem mostrar aos terroristas o que os países podem fazer quando se mantêm unidos.

A reunião ocorre em um momento sombrio para a França, pouco mais de duas semanas após militantes ligados ao Estado Islâmico matarem 130 pessoas em Paris. O medo de novos ataques levou a um reforço na segurança e à proibição de protestos de ambientalistas – o assunto ameaça, além disso, eclipsar as preocupações de prazo mais longo com a alta do nível dos mares e o clima cada vez mais extremo, ligado ao aquecimento global de responsabilidade do homem.

Dezenas de líderes foram a Paris, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que prestou homenagem às vítimas dos ataques do dia 13. Na noite de ontem, Obama colocou uma flor diante da casa de shows onde dezenas de pessoas foram mortas.

Reunidos para as conversas perto do aeródromo Le Bourget, logo ao norte da capital da França, os líderes fizeram um momento de silêncio pelas vítimas de ataques recentes na França, no Líbano, no Iraque, na Tunísia e no Mali. "Nós estamos ao lado de Paris", disse a chefe da agência de clima da Organização das Nações Unidas, Christina Figueres. "A cidade luz, agora mais do que nunca, é um farol de esperança para o mundo", discursou. "Os olhos de milhões de pessoas pelo mundo estão voltados para vocês", disse ela aos negociadores presentes.

"Nós temos apenas 11 breves dias diante de nós", disse o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, que assumiu o posto de presidente das negociações. "O sucesso ainda não está garantido, mas está ao nosso alcance", afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente francês, François Hollande, cumprimentaram os chefes de Estado e governo do mundo, enquanto eles chegavam para as discussões. Os líderes estão fazendo discursos sobre o que seus países têm feito para reduzir emissões e desacelerar a mudança climática.

Rodovias em uma grande área no entorno do Paris, normalmente cheias de carros com pessoas que seguem para o trabalho, foram isoladas para dar passagem para os visitantes ilustres. Policiais estavam posicionados pela capital e na região do estádio nacional, um dos alvos do ataque do dia 13, que fica perto do local do evento ambiental.

A conferência tem como meta produzir o acordo mais abrangente já conseguido para evitar o aquecimento global. O último grande acordo, o Protocolo de Kyoto de 1997, exigiu apenas que os países ricos cortem emissões, sendo que os Estados Unidos nunca o firmaram.

Um dos vários entraves é o dinheiro – quanto os países ricos devem investir para lidar com a mudança climática e quando deve ser investido em energia renovável, ou quanto os produtores de petróleo e gás podem perder se os países concordarem em reduzir para sempre suas emissões.

Com isso em mente, pelo menos 19 governos e 28 importantes investidores globais anunciaram bilhões de dólares em investimento e pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia para a energia limpa, com o objetivo de tornar isso mais barato.

Entre os apoiadores estão Obama, o cofundador da Microsoft Bill Gates, o fundador do Facebook Mark Zuckerberg, os bilionários George Soros e o príncipe saudita Alaweed bin Talal, além de Jack Ma, do chinês Alibaba.

Pela iniciativa, 19 países concordam em dobrar seus gastos em energia de baixa ou nenhuma emissão de carbono nos próximos cinco anos. Atualmente, esse gasto é de cerca de US$ 10 bilhões ao ano, cerca de metade disso vindo dos EUA, segundo Brian Deese assessor sênior de Obama sobre questões de clima e energia.

Gates, o "arquiteto intelectual" do esforço, comprometeu US$ 1 bilhão de seu próprio dinheiro disse o secretário de Energia dos EUA, Ernest Moniz.


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Dilma defende caráter obrigatório para acordo da COP-21

A presidente Dilma Rousseff defendeu hoje, 30, em seu discurso na 21ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), em Paris, a adoção de um acordo global contra as mudanças climática que seja "legalmente vinculante", ou seja, que tenha caráter compulsório para os países signatários. Em sua declaração, Dilma classificou ainda incidente na bacia hidrográfica de Mariana como "o maior desastre ambiental da história do Brasil", culpando "empresas" que serão "punidas severamente".

O discurso da chefe de Estado brasileira foi feito ao mesmo tempo em que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, falaram em outras salas, o que dissipou sua audiência. "Estamos aqui em Paris para construir uma resposta conjunta que só será eficaz se for coletiva e justa", argumentou a presidente. "A melhor maneira de construir soluções comuns é a nossa união em torno de um acordo justo, universal e ambicioso que limite nesse século a elevação da temperatura média global a 2ºC."

Foi nesse momento que a brasileira defendeu que o acordo de Paris, que substituirá o Protocolo de Kyoto como grande marco legal da luta contra as mudanças climáticas, tenha caráter obrigatório. 

"Devemos construir um acordo que seja também, e fundamentalmente legalmente vinculante", afirmou. "O nosso acordo não pode ser um simples resumo das melhores intenções de todos. Ele definirá caminhos e compromissos que devemos percorrer para juntos vencermos o desafio planetário do aquecimento global."

O discurso deixa nas entrelinhas a porta entreaberta para que o Brasil apoie a proposta de um acordo que tenha cláusulas obrigatórias, e outras sem esse caráter. Essa é a tendência indicada pela secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), Christiana Figueres.


Ban Ki-moon pede luta contra o aquecimento global na COP de Paris

Na abertura da 21ª Conferência do Clima (COP-21) das Nações Unidas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu um acordo universal e destacou a obrigação das nações mais ricas em financiar a luta contra o aquecimento global. "Os países desenvolvidos devem manter sua promessa e mobilizar US$ 100 bilhões", exortou o diplomata. "Cabe a vocês a sorte da COP-21. O futuro do nosso planeta está em suas mãos." Mais de 150 chefes de Estado e de governo estão reunidos em Le Bourget, nas imediações de Paris, para a abertura para traçar as políticas globais de luta contra o aquecimento global. Segundo o líder francês, se as mudanças climáticas não forem controladas, o risco de guerras vai crescer.

O presidente da França, François Hollande, advertiu que a paz mundial está em jogo na 21ª Conferência do Clima (COP-21) das Nações Unidas. Hollande é o anfitrião da conferência e por isso fez o discurso de abertura do evento, pouco depois das 11h, horário local, 8h em Brasília. "Hoje vivemos um dia histórico. A França recebe 150 chefes de Estado e de governo e milhares de delegados de todos os continentes. Jamais uma conferência recebeu tantos representantes de tantos países", celebrou, lembrando que o encontro acontece três semanas após os atentados de Paris, que deixaram 130 mortos e 350 feridos. O presidente lembrou que o ano de 2015 registra o recorde de aumento da temperatura média, o que torna a necessidade de agir ainda mais premente. "Como aceitar que sejam os países mais pobres, aqueles que emitem menos gases de efeito estufa?", questionou. "É em nome da justiça climática que nós devemos agir."


China quer que países ricos destinem mais fundos em acordo climático

O presidente da China, Xi Jinping, disse aos líderes mundiais reunidos em Paris que os países mais ricos precisam aumentar o nível de financiamento fornecido às nações mais pobres, como parte do acordo para combater a mudança climática.

As conversas em Paris impulsionadas pela Organização das Nações Unidas têm como meta fechar um acordo global que exigirá que quase 200 países controlem suas emissões de gases causadores do efeito estufa e fortaleçam a presença de energias renováveis.

Qualquer acordo deve exigir que se resolva uma duradoura diferença entre os países desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento no mais sensível dos assuntos: o dinheiro.

Para fechar um acordo, os países em desenvolvimento, que historicamente não emitiram tanto carbono, querem ajuda dos países ricos para financiá-los, a fim de ajudá-los na transição para energias mais limpas e se preparar para eventos climáticos adversos.

Os países desenvolvidos já se comprometeram anteriormente a enviar US$ 100 bilhões ao ano em financiamento público e privado por volta de 2020, quando compromissos climáticos anteriormente fechados vencem, mas alguns países em desenvolvimento querem que esse montante seja elevado para além do início de 2020.

"Os países em desenvolvimento devem honrar seu compromisso de mobilizar US$ 100 bilhões a cada ano antes de 2020 e fornecer um apoio mais forte aos países em desenvolvimento depois disso", disse Xi na conferência, conhecida como COP 21.

Mas os países industrializados querem que a China, o Brasil e outros países emergentes ajudem a financiar os países mais pobres em desenvolvimento.

Os EUA e outros países privilegiam o Fundo Verde do Clima, estabelecido para ajudar os mais pobres. A China, por sua vez, empenhou cerca de US$ 3 bilhões para seu próprio fundo, para ajudar os países em desenvolvimento mais pobres. "A China também ajudará os outros países em desenvolvimento a reforçar suas capacidades de financiamento", afirmou Xi.

Para sua contribuição para o acordo de Paris, a China concordou em atingir o máximo de emissões de carbono por volta de 2030 e em fortalecer a proporção de combustíveis não fósseis para 20%. Em um esforço para superar a divisão entre ricos e pobres, Xi anunciou o plano no ano passado em Pequim ao lado do presidente dos EUA, Barack Obama.

O governo Obama se comprometeu a ajudar os mais pobres com financiamento para questões climáticas, incluindo um compromisso de US$ 3 bilhões para o Fundo Verde do Clima. O oposicionista Partido Republicano, porém, tem agido para bloquear esses fundos.


Obama diz na COP-21 que esta é a última geração que pode salvar clima

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje, 30, que esta é a última geração que poderá enfrentar o desafio de conter o aquecimento global e seus efeitos devastadores. O norte-americano foi um dos primeiros líderes mundiais de maior expressão a se pronunciar na 21ª Conferência do Clima (COP-21) de Paris, que bateu Copenhague e se tornou a maior conferência diplomática da história da humanidade. Antes dele, o anfitrião do evento, o presidente francês François Hollande, advertiu que a paz mundial está em jogo na rodada de negociações diplomáticas que começa nesta segunda-feira.

Mais de 150 chefes de Estado e de governo estão reunidos em Le Bourget, nas imediações de Paris, para o primeiro dia da COP-21, a conferência que deve traçar as políticas globais de luta contra o aquecimento global. 

Obama começou seu discurso afirmando que os líderes mundiais vieram à capital francesa três semanas após os atentados que deixaram 130 mortos e 350 feridos com o objetivo de demonstrar determinação.

"Manter a conferência é um ato de resistência que prova que nada vai nos impedir de construir o futuro que queremos", disse o presidente dos Estados Unidos.

Para Obama, a COP-21 é um "momento de virada" para salvar o planeta. "Nenhuma nação, pequena ou grande, rica ou pobre, está imune", lembrou. "Nós somos a primeira geração a ter detonado o aquecimento climático, mas nós talvez sejamos a última a poder fazer algo para evitá-la."

Obama lembrou ainda os compromissos firmados pelos Estados Unidos para reduzir entre 25% e 28% as emissões do país até 2025 em relação a 2005. "Como uma das primeiras economias do mundo, eu estou absolutamente consciente que nós somos uma fonte do problema", reconheceu, defendendo que se fixe um acordo e que os objetivos evoluam em longo prazo. "Em Paris, garantamos um acordo ambicioso, com objetivos que possam ser elevados regularmente, e que levarão em conta as distinções e os progressos de cada uma das nações."

Minutos depois, o presidente da China, Xi Jinping, pediu um "acordo global, equilibrado e aprofundado contra as mudanças climáticas". "O acordo de Paris deverá acentuar nossas ações face às mudanças climáticas depois de 2020", pregou.

O chefe de Estado chinês exortou as nações mais ricas a cumprirem seu engajamento de mobilizar US$ 100 bilhões para auxiliar países mais pobres, além de transferir tecnologias que possam ajudar contra os efeitos do aquecimento global. "O princípio das responsabilidades comuns, mais diferenciadas, deve ser respeitado", defendeu.

Mais cedo, na abertura dos discursos, Hollande havia afirmado que se as mudanças climáticas não forem controladas, o risco de guerras vai crescer.

Hollande fez o discurso de abertura do evento, pouco depois das 11 horas no horário local (8 horas em Brasília). "Hoje, vivemos um dia histórico. A França recebe 150 chefes de Estado e de governo e milhares de delegados de todos os continentes. Jamais uma conferência recebeu tantos representantes de tantos países", celebrou, lembrando que o encontro acontece três semanas após os atentados de Paris, que deixaram 130 mortos e 350 feridos.

O presidente da França lembrou que o ano de 2015 registra o recorde de aumento da temperatura média, o que torna a necessidade de agir ainda mais premente. "Como aceitar que sejam os países mais pobres aqueles que emitem menos gases de efeito estufa?", questionou. "É em nome da justiça climática que nós devemos agir."

Para Hollande, a COP-21 representa uma esperança de que o acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, desenhe uma trajetória credível para conter o aquecimento global abaixo de 2ºC até 2100, ou até mesmo 1,5ºC, se possível.

"O aquecimento prenuncia conflitos e provocará migrações maiores do que as guerras. Estados correm o risco de não poder mais suprir as necessidades vitais de seus povos", advertiu. "O que está em questão nessa conferência do clima é a paz."

Ainda na abertura, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu um acordo universal e destacou a obrigação das nações mais ricas em financiar a luta contra o aquecimento global. "Os países desenvolvidos devem manter sua promessa e mobilizar US$ 100 bilhões", exortou o diplomata. "Cabe a vocês a sorte da COP-21. O futuro do nosso planeta está em suas mãos”.

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