EUA devolvem crianças aos pais a conta-gotas, critica Aloysio Nunes

Reprodução/Internet

Brasil mandará missão aos EUA nesta sábado

Por Fernanda Cruz – Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, avalia que os Estados Unidos estão fazendo a reversão da política de separação de crianças de seus pais que tentaram imigrar ilegalmente no país em ritmo muito lento. “É algo que está ocorrendo a conta-gotas”, criticou nesta sexta-feira (13), após reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com o ministro, que esteve em Chicago no dia 5, para se reunir com representantes dos diversos postos do Itamaraty nos países da América do Norte e tratar do tema da separação de crianças brasileiras de suas famílias, há um problema de organização dos norte-americanos. Os adultos estão sendo submetidos a departamentos da administração diferente de seus filhos e, com isso, as autoridades não têm conhecimento da ligação de parentesco entre eles.

Em sua visita, o ministro disse que conversou com 28 crianças brasileiras em dois abrigos de Chicago e que, durante a sua estada, notou uma variação do número de crianças. "Num dia havia no abrigo 21 crianças. No dia seguinte, eram 20", disse.

Ele ouviu dos menores sobre o desejo de continuar no país estrangeiro. “Elas [crianças] estão muito firmes, querem ficar nos Estados Unidos. Elas estão muito a par de todos os procedimentos a que estão submetidas, e a que os seus pais também estão submetidos. Muitas estão em busca de uma família que possa acolhê-las, no caso de os pais serem deportados. Algumas crianças muitos pequenas não têm a menor noção do que está acontecendo, aí o trauma é maior”, disse

Crueldade
O ministro reforçou a crueldade da política de separação norte-americana. “Consideramos que é uma medida cruel. As crianças submetidas a essa separação recebem um trauma que pode marcá-las para o resto da vida”, disse.

Aloysio Nunes orienta os brasileiros a não tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos, e pediu senso de responsabilidade aos pais. “Um pai que vai para os Estados Unidos passando por uma fronteira perigosa, como a do México, em que muitas pessoas desaparecem, morrem, são assassinadas, submetendo os filhos a algo que já existia no governo Obama e que ficou mais grave no governo Trump, é uma irresponsabilidade”, declarou.
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Missão brasileira vai aos EUA tratar de crianças separadas dos pais
Uma missão chefiada pelo ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, embarca neste sábado (14) para os Estados Unidos em missão sobre direitos humanos e migrações. O principal ponto da pauta é a questão das crianças brasileiras separadas dos pais durante entrada irregular no país. Rocha esteve no país há cerca de uma semana pra tratar do tema.

Além do ministro, também integram a missão representantes da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Eles vão passar por Nova York, Washington e Boston e até o dia 20 tem reuniões em órgãos multilaterais e organizações da sociedade civil com atuação voltada par a proteção de migrantes.

Na agenda estão reuniões com a representação brasileira junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), com integrantes da Organização Internacional para Migração (OIM), do Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas (ACNUDH) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Os integrantes do governo brasileiro ainda irão visitar abrigos de imigrantes para avaliar a situação da recepção de brasileiros nesses locais, o Espaço da Mulher Brasileira, em Boston, e a Universidade de Harvard.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro Gustavo Rocha disse que está determinado a garantir que famílias se reúnam de forma definitiva. “A gente tem de respeitar as leis dos países. A gente entende que cada país tenha sua legislação específica. Mas não podemos aceitar que essa legislação venha a violar os direitos humanos básicos, como o de reunião de famílias. Nossa preocupação é garantir que os direitos humanos sejam assegurados de forma plena”, disse.

Segundo ele, o número de crianças brasileiras ainda separadas dos pais varia diariamente e estaria em torno de 50. O caso mais preocupante é o de uma criança de 8 anos que está sozinha, em um abrigo em Nova York. “Quero conversar e ver essa criança de perto”, afirmou Gustavo Rocha.

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