Colômbia muda política para erradicar cultivo de coca, que aumentou 40% no país

Foto: Reprodução

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O ministro da Defesa da Colômbia, Luis Carlos Villegas, anunciou nesta quinta-feira que haverá mudanças na política de erradicação de coca, após o país registrar um aumento recente de 40% nos cultivos da planta, matéria-prima da cocaína.

"O negócio dos narcóticos melhorou seu desempenho, há custos menores de produção e maiores preços de venda tanto para a folha como para a pasta-base", disse Villegas em entrevista coletiva ao explicar as causas do aumento do cultivo. "Ao mesmo tempo, houve um incremento na margem econômica do negócio do narcotráfico, por conta da desvalorização do peso frente a moedas como o dólar ou o euro."

Para o ministro Villegas, outro fator é que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) "geraram falsas expectativas nas regiões de cultivo de coca, ao anunciar que podem servir de alavanca para novos programas sociais ou de intervenção na matéria agrícola, na substituição, na melhoria da infraestrutura". A autoridade afirmou que o governo de Bogotá rechaça essa política, julgando-a "altamente inconveniente, porque o que fez é frustrar o processo de erradicação e substituição".

Villegas disse que entre as causas do aumento do cultivo está a suspensão de fumigações com glifosato.

O ministro para o Pósconflito, Rafael Pardo, disse que, para frear esse aumento que tornou a Colômbia o principal cultivador de folha de coca no mundo, será lançada uma intensa campanha que pretende reduzir pela metade o número de municípios com cultivos ilícitos. Entre outras medidas, haverá um aumento de 25% na erradicação manual das plantas. Segundo ele, as Farc foram um obstáculo para as políticas de erradicação, intervenção e substituição e agora deverão cooperar para reduzir os cultivos.

O cultivo aumenta principalmente em zonas de difícil acesso para o Exército, como territórios indígenas e parques naturais ou nas regiões próximas à fronteira com Equador e Venezuela. Em 2015, a polícia colombiana apreendeu 252 toneladas de cocaína, 71% a mais que no ano anterior. Neste ano, já foram apreendidas 40 toneladas.

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