China e EUA reforçam cooperação contra ameaças da Coreia do Norte

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Mais de 50 governos e organizações internacionais participaram da reunião que tem a finalidade a prevenção do terrorismo nuclear

Em face das crescentes ameaças da Coreia do Norte, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu por laços de segurança mais estreitos entre seus principais aliados na Ásia, ontem, 31, e aumentou a cooperação com a China para maiores avanços sobre armamentos nucleares. 

Durante uma reunião de cúpula sobre segurança nuclear com líderes globais, Obama reuniu-se primeiro com o premiê japonês, Shinzo Abe, e com a presidenta da Coreia, Park Geun-hye. Juntos, eles alertaram que os norte-coreanos podem encarar sanções ainda mais severas se provocarem novamente com testes de mísseis e armas nucleares. 

Em seguida, Obama se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, e ambos pediram para que a Coreia do Norte desista das armas nucleares. A China também concordou em implementar as últimas restrições impostas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra Pyongyang. 

Mais de 50 governos e organizações internacionais participaram da reunião que tem a finalidade a prevenção do terrorismo nuclear. 

"A China e os EUA têm a responsabilidade de trabalharem juntos", disse Xi. O líder ainda afirmou que ambos os países podem buscar soluções para suas disputas através do diálogo.


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Obama diz que risco atômico continua a existir, apesar de avanços

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que o risco de terroristas obterem material atômico continua a existir e a "evoluir", apesar dos avanços obtidos desde a realização da primeira Cúpula de Segurança Nuclear, em 2010. Em discurso de abertura da quarta edição do evento, em Washington, o americano afirmou que nem todas as 2.000 toneladas de material nuclear existentes no mundo estão protegidas de maneira apropriada.

"Só uma pequena quantidade de plutônio, do tamanho de uma maçã, poderia matar ou ferir centenas de milhares de pessoas inocentes", declarou a representantes de 52 países reunidos na capital americana.

"Seria uma catástrofe humanitária, política, econômica e ambiental com ramificações globais por décadas. Mudaria o nosso mundo", afirmou. "Não podemos ser complacentes."

Criada por iniciativa de Obama, a cúpula tem por objetivo reduzir e aumentar a proteção de material nuclear e radioativo utilizados em atividades civis ao redor do mundo. Os programas militares, que usam 96% do estoque de urânio altamente enriquecido, estão fora do âmbito da cúpula.

Ainda assim, Obama anunciou que os EUA divulgarão na sexta-feira uma descrição detalhada das medidas de segurança adotadas pelas Forças Armadas para proteger materiais nucleares, com a expectativa de que isso amplie a transparência de outros países em relação ao tema. Washington também divulgará pela primeira vez em uma década um inventário de seu estoque de urânio altamente enriquecido, que pode ser usado na fabricação de bombas atômicas. Segundo ele, o volume desse material detido pelo EUA diminui de maneira "considerável" nos últimos dez anos.

Desde o início do governo Obama, em 2009, houve a remoção ou neutralização de aproximadamente 3.000 toneladas de urânio altamente enriquecido de vários países. Segundo o Departamento de Estado, a quantidade seria suficiente para a fabricação de 150 bombas atômicas.

Segundo o presidente dos EUA, os esforços coletivos dos últimos anos evitaram que grupos terroristas conseguissem acesso armas nucleares ou tivessem sucesso na fabricação de uma "bomba suja", nome usado para definir uma bomba tradicional contaminada com material nuclear ou radioativo.

Mas ele lembrou que a Al-Qaeda já tentou obter dispositivos nucleares e que pessoas envolvidas nos ataques terroristas de Paris e em Bruxelas gravaram em vídeo o deslocamento do administrador de uma instalação nuclear belga. "Não há dúvida de que se esses loucos conseguirem colocar suas mãos em uma bomba nuclear ou em material nucelar eles certamente os usarão para matar o maior número possível de pessoas inocentes."

O Brasil, a Argentina e outros 13 países apresentarão declaração durante a cúpula na qual defenderão a eliminação de armas nucleares como o único caminho para afastar de maneira definitiva o risco do terrorismo atômico. Esse grupo de nações também criticou a exclusão dos arsenais militares das discussões da cúpula. "a segurança física nuclear não poderá ser fortalecida se limitarmos nossos esforços às quantidades relativamente pequenas de materiais nucleares utilizados para fins pacíficos e ignorarmos a ameaça apresentada pelas vastas quantidades de materiais utilizados nos programas de armas nucleares", diz a declaração.

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