Ser Natureza leva a preservação do meio ambiente ao interior

Fotos: EMATER/Divulgação

Projeto orienta sobre os cuidados com o solo e recursos hídricos

Localizada na bacia do Rio Dourados, a fazenda Princesinha do Asfalto foi a primeira a receber a iniciativa do programa Ser Natureza no município de Professor Jamil. A Emater local, em parceria com o Ministério Público, Saneago, prefeituras e várias entidades ligadas ao setor trabalharam em ações de preservação da natureza. Impedir a degradação das microbacias é uma das tarefas do Ser Natureza.

A Emater elaborou o projeto, que inclui técnicas de preparo do solo, custos para a aplicação das medidas de proteção ambiental, vantagens proporcionadas pelo programa ao produtor e a propriedade, além da elaboração de curvas de nível e análise do número de colaboradores necessários para a elaboração do projeto.

Joaquim Naves, engenheiro agrônomo da Emater, foi o responsável pelo desenvolvimento do projeto. Para ele, é importante que todos compreendam que a água é um recurso esgotável. “No primeiro momento, quando nós chegamos para realizar o levantamento, o produtor acha desnecessário. Entretanto, nós explicamos que cuidar do recurso hídrico, tal como preservar o meio ambiente, é trabalho de todos os elos produtivos da cadeia”, salienta Joaquim.

Parceria
O coordenador da unidade local da Emater em Professor Jamil, Clewerson Jose Marçal, explica as atribuições de cada parceiro na realização do Programa Ser Natureza. “É um trabalho conjunto. Em Professor Jamil, a prefeitura forneceu o maquinário, o proprietário forneceu o recurso e a Emater forneceu o técnico para a elaboração, acompanhamento e aplicação do projeto final”, enfatiza o coordenador.

Ainda de acordo com Clewerson, aqueles produtores proprietários de terra na microbacia que não possuem capital disponível para arcar com os custos do programa, podem procurar as entidades ligadas ao projeto que poderão auxiliá-los na captação de recursos. “O Programa Ser Natureza é destinado também aos pequenos produtores e muitas vezes eles não possuem um recurso para ajudar, por exemplo, com o diesel utilizado pelos maquinários. Nesse caso, nós orientamos que o produtor procure a Emater. Em conjunto com os demais parceiros, iremos pensar em formas para dividirmos os custos e aplicarmos assim o programa na propriedade”, destaca o coordenador da unidade local.

Meu, seu, nosso
Seja na cidade ou no campo, o recurso hídrico gera debates. Os gargalos que permeiam a utilização da água são debatidos há décadas, principalmente quando o assunto é irrigação. Por meio do Programa Ser Natureza, a Emater procura orientar o produtor rural sobre o uso racional do recurso, além de repassar a importância da utilização correta da água para a propriedade.

“A utilização correta da água, bem como a preservação ambiental, não deve ser exclusividade do produtor rural. Muitas vezes, a culpa sobre a escassez de água recai apenas sobre o produtor, entretanto devemos lembrar que utilizar corretamente a água e preservar o meio ambiente começa dentro de casa. É dever tanto da zona urbana quanto da zona rural”, explica o engenheiro agrônomo Joaquim Naves.

Impedir a degradação das microbacias
Para o cumprimento dessa tarefa, a Emater se dispõe a realizar um diagnóstico, que consiste em verificar o grau de degradação, o que já foi ou está sendo feito, avaliar os gastos. Esse trabalho tem o apoio da Saneago, prefeituras, Semma, sindicatos rurais, associações comerciais, entre outras instituições públicas e privadas. No processo de recuperação, há o replantio de mudas nativas e a construção de algumas pontes e uso de maquinário. A conservação de estradas, represas e terraços, às vezes, torna-se necessária.

 

Atuação no interior
Sob a articulação do Ministério Público e apoio dos demais organismos envolvidos, as ações do Projeto Ser Natureza vão aportando gradualmente nas comunidades interioranas. Em Israelândia, desde 2010 registra-se a coleta seletiva de lixo. Em Rubiataba, os trabalhos envolvem mais de 300 comerciantes. Em Silvânia, a história se repete e envolve escolares, agentes de saúde. Em Goianira, 50 catadores de lixo respaldam o Cooper-Raça.

 

Em Sanclerlândia e Mozarlândia os trabalhos preservacionistas e mudanças de concepção ambiental são notáveis. A recuperação do córrego Barreirinho é ressaltada porque a última ação foi o plantio de mudas de plantas nativas do Cerrado às margens do córrego na Fazenda Santa Clara, em Mozarlândia.

Em Nerópolis, a movimentação foi pela revitalização do córrego Seco. A primeira etapa foi concluída com os produtores recuperando as nascentes de córregos. Em Nova Glória, os trabalhos se voltaram para a recuperação dos mananciais dos córregos Jatobá e Várzea Grande. Em São Miguel do Araguaia há outro exemplo de recuperação da bacia do córrego do Ouro. A seca estava comprometendo o abastecimento de água. O reflorestamento foi responsável pela recuperação. Em Anápolis, a promotora de justiça Sandra Gabelini ressalta a necessidade “dessa organização e orientação”, decorrente do Projeto Ser Natureza. O aterro sanitário é uma das conquistas do município paralela à recuperação de bacias e afluentes. ?

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