Iquego aposta na tecnologia para ampliar portfólio de medicamentos

Foto: Léo Iran

Presidente da Iquego, Andréa Vecci, apostou na ampliação do portfólio com contratos de transferência de tecnologia

A presidente da Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego), Andréa Vecci, desde que assumiu a gestão da empresa de sociedade mista em fevereiro de 2014, elaborou um plano de negócios para incrementar a produção que, segundo ela, ficou defasada com o passar do tempo. Para mudar este quadro e atualizar o portfólio de medicamentos, lançou-se a aposta de firmar parcerias com laboratórios particulares, com os quais se estabelece o processo de transferência de tecnologia para viabilizar, financeiramente, o desenvolvimento de novos produtos.

A intenção é disponibilizar o conhecimento da fabricação de um medicamento específico, utilizando os meios de produção da empresa pública, que não tem o volume de recursos necessário para investimentos na área, como a realização de pesquisas científicas por exemplo.

A vantagem é que, por se tratar de um laboratório público, que não visa lucro, a Iquego oferece produtos, 30% em média, mais baratos do que os particulares, porque conta com isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Após a fase de estudos e análise de mercado, o primeiro contrato foi assinado em abril de 2015 com a HMD Biomedical Inc., de Taiwan, para o fornecimento de glicosímetros – aparelhos que medem a taxa de glicose no sangue e tiras reagentes para o controle do diabetes. A iniciativa será de grande relevância para a saúde pública, já que os produtos são todos importados. A indústria também vai apresentar proposta para atender o Ministério da Saúde, com medicamentos estratégicos.

Glicosímetros mais baratos
A Iquego está comercializando os aparelhos desde 2016, vendendo de R$ 0,35 a R$ 0,38 a unidade enquanto que a iniciativa privada fornece a partir de  R$ 0,50. O processo de transferência de tecnologia com a multinacional Rusan Pharma Ltda, da Índia, está em fase de certificação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula o setor. O ponto de partida é a importação dos produtos e espera-se que, em cinco anos, o laboratório público possa incorporá-lo ao portfólio próprio, já que esse é um caminho longo e burocrático, em razão dos testes e certificações legais. Depois, a Iquego comprará insumos do fornecedor.

Em setembro de 2016, durante missão comercial ao Canadá, o governador Marconi Perillo também ampliou negócios da empresa de medicamentos firmando um contrato de transferência de tecnologia com a Pharmascience, em Montreal (Canadá), que exporta para mais de 60 países e se destaca pela fabricação de injetáveis. Foram lançadas consultas públicas pela Iquego em 2014 e 2015 com a relação de 25 itens, suas respectivas dosagens, indicações e apresentações.

As negociações em curso permitirão a produção de 14 novos medicamentos de componentes especializados, os chamados medicamentos de alto custo, que ficarão mais acessíveis para a população. Atualmente, são apenas 11 medicamentos da lista básica como antibióticos, analgésicos, antirretrovirais (coquetel para tratamento de portadores do vírus HIV). “Estamos trabalhando desde o ano passado. Em média, leva-se de três a quatro anos para colocar um novo produto no mercado. A Anvisa tem que certificar e também é preciso fazer o registro do produto no Brasil”, explica. 

Venda de ações
A linha de produção da Iquego está paralisada temporariamente devido ao processo de venda das ações da empresa, em tramitação. O edital do leilão deve ser publicado em até 90 dias.

Serão lançadas no mercado 49% da ações, portanto o controle acionário permanecerá nas mãos do Estado (51%). A gestão será compartilhada. A avaliação da Iquego será realizada por uma empresa especializada. Andréa Vecci espera que o montante de recursos proveniente da transação seja reinvestido na indústria.

 

“A Iquego não é um patrimônio só de Goiás. É um patrimônio nacional”, afirma Andréa. Em 2014, a empresa fornecia medicamentos – abastecendo o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS) de 13 prefeituras, número que foi ampliado para cerca de 150 em Goiás e em outros estados. “Essa inserção no mercado é o que vem trazendo relevância para ela (Iquego)”, pondera. Em 2016, o faturamento da Iquego foi de R$ 26 milhões.

VEJA LINK DA MATÉRIA: http://www.goiasagora.go.gov.br/iquego-aposta-na-tecnologia-para-ampliar-portfolio-de-medicamentos/

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