Romário muda versão e admite ter tido conta em banco de André Esteves

Foto: Reprodução

A notícia de que Romário era dono de uma conta no banco BSI da Suíça foi revelada pela revista Veja em julho deste ano

O senador Romário Faria (PSB-RJ) admitiu ontem, 27, ter tido uma conta bancária no banco suíço BSI, que em julho de 2014 foi adquirido pelo banco BTG Pactual, de propriedade de André Esteves. Na gravação que levou à prisão Esteves e o senador Delcídio Amaral (PT-MS), o parlamentar e o advogado Edson Ribeiro sugerem que Romário fez um acordo com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), que mantém boa relação com o banqueiro.

A notícia de que Romário era dono de uma conta no banco BSI da Suíça foi revelada pela revista Veja em julho deste ano. A publicação chegou a publicar um extrato da conta com um saldo num valor equivalente a R$ 7,5 milhões. 

Num primeiro momento, o senador, presidente da CPI do Futebol, disse que não se lembrava de ser proprietário da conta. Dias depois, Romário viajou para a Suíça ao lado de sua ex-mulher para obter uma confirmação do banco. No dia 5 de agosto, o senador divulgou um comunicado BSI – cujo dono é Esteves – afirmando que o extrato divulgado por Veja era “falso”.

A revista chegou a reconhecer que cometera um erro. Ontem, 27, o jornal O Globo publicou uma entrevista em que Romário admite ter sido dono, de fato, de uma conta no banco BSI. “Quando eu jogava na Europa, tive uma conta no BSI, só não sei o ano”, disse o ex-jogador. 

Pelo acordo citado na conversa que levou Esteve à prisão, Romário abandonaria seu desejo de ser candidato a prefeito para apoiar o candidato de Paes, o deputado federal licenciado Pedro Paulo Carvalho (PMDB).

O caso é mencionado logo no começo da conversa gravada no dia 4 de novembro deste ano pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo. “Ai tá, pra acabar de complicar ainda mais o jogo aparece o Eduardo Paes com o Pedro Paulo, é, com o Romário”, diz Delcídio. “Ué, fizeram acordo né?”, comenta Ribeiro. “Diz o Eduardo que fez”, afirma o senador do PT. “Tranquilo. Tinha conta realmente do Romário”, ressalta Ribeiro. Surpreso, o filho de Cerveró questiona: “Tinha essa conta?”. Na sequência, Delcídio conclui: “E em função disso fizeram acordo”.



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Romário diz ter pedido a Janot investigação sobre conta na Suíça atribuída a ele

O senador e ex-jogador de futebol Romário Faria (PSB-RJ) disse ontem, 27, em seu perfil oficial no Facebook, que pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigue a existência de uma suposta conta bancária na Suíça que seria atribuída a ele, segundo divulgou a revista Veja em julho deste ano.

A manifestação do senador ocorre dois dias depois de vir à tona gravação de conversa entre o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o advogado Edson Ribeiro em que eles negociavam para tentar impedir a delação premiada do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Em um trecho, Ribeiro, que foi preso na manhã desta sexta, afirma que Romário tinha dinheiro numa conta na Suíça, mas foi avisado para retirá-lo para não "ser preso".

O senador, que nega ter dinheiro no exterior, divulgou um texto na rede social no qual afirma ter encaminhado um ofício ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot: "Tomei a iniciativa de pedir ao Ministério Público do Brasil que provoque o Ministério Público suíço para instaurar uma investigação a fim de apurar se a suposta conta bancária apontada pela revista Veja como sendo de minha titularidade do BSI, realmente existe e, ainda, se algum dia existiu, assim como se já houve qualquer movimentação na conta bancária. Sou o maior interessado que a verdade venha à tona", diz o texto.

Na mensagem, o senador ainda se manifesta em relação à gravação divulgada nesta quarta. No áudio, Ribeiro afirma a Delcídio que recebeu a informação de que Romário tinha dinheiro guardado numa conta na Suíça e que foi avisado para retirar o valor do paraíso fiscal europeu, evitando, assim, uma prisão. Em troca, Romário, segundo o advogado, teria supostamente aceitado apoiar Pedro Paulo como candidato a prefeito do Rio na sucessão de Eduardo Paes (PMDB-RJ).

"A suposta fraude para me favorecer merece ser apurada e uma nova resposta deve ser dada a todos os cidadãos brasileiros, em especial aos cariocas e fluminenses que a mim confiaram o seu voto", diz a nota de Romário.

Em agosto deste ano, o banco BSI disse em carta encaminhada ao parlamentar que o extrato divulgado pela Veja era "falso" e informou ter aberto uma queixa penal no Ministério Público de Genebra. O BSI não informa, porém, se Romário já foi cliente do banco ou se foi titular de alguma outra conta sob sua custódia. Após a polêmica, a revista divulgou uma nota pedindo desculpas ao senador.

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